AGRONEGÓCIO
Mercado da soja oscila entre incertezas globais e avanços regionais no Brasil
AGRONEGÓCIO
Panorama nacional: preços firmes e ritmo cauteloso nas negociações
O mercado de soja no Brasil apresentou variações regionais ao longo de outubro, refletindo tanto as condições climáticas quanto os fatores logísticos e cambiais. De acordo com a TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul mostrou sinais de recuperação produtiva, com preços firmes e ajustes positivos nos portos e no interior do estado.
Nos principais polos produtores gaúchos — como Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz — os preços chegaram a R$ 132,00 por saca (+0,76%), enquanto nos portos o valor atingiu R$ 142,00/sc (+1,43%). Em Panambi, no entanto, o mercado físico apresentou retração, com cotações de R$ 120,00/sc, sinalizando resistência à elevação de preços.
Em Santa Catarina, a soja também manteve firmeza, impulsionada pela eficiência logística e pelo uso crescente do corredor de exportação do porto de São Francisco do Sul, onde a saca é cotada a R$ 139,83 (+0,92%). A combinação de preços estáveis e infraestrutura eficiente reforça o papel estratégico do estado nas exportações nacionais.
O Paraná segue como referência nacional para a formação de preços. Em Paranaguá, a cotação chegou a R$ 141,45 (+0,13%), e em Cascavel, R$ 128,29 (+0,30%). Já Maringá e Ponta Grossa registraram R$ 129,15 (+0,31%) e R$ 131,85 (+0,12%), respectivamente.
No Mato Grosso do Sul, as cotações mantiveram estabilidade, com o mercado atento ao clima e aos custos de frete. Em cidades como Dourados, Campo Grande e Maracaju, a saca ficou em R$ 124,95 (+0,15%), enquanto em Chapadão do Sul, chegou a R$ 120,32 (+0,22%).
O Mato Grosso, maior produtor nacional, enfrenta dificuldades logísticas e climáticas que pressionam a safra 2025/26. As cotações oscilaram entre R$ 119,50 e R$ 120,47 por saca, com destaque para as quedas em Lucas do Rio Verde e Nova Mutum (-1,45%).
Chicago reage à retomada chinesa, mas impasse político limita ganhos
Após dias de volatilidade, os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) voltaram a subir com força, apoiados no anúncio de que a China voltará a comprar 12 milhões de toneladas de soja americana até janeiro. O compromisso inclui a aquisição de 25 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos, dentro de um acordo comercial mais amplo entre Pequim e Washington.
Com isso, o contrato janeiro/26 registrou alta de 1,05%, cotado a US$ 11,06 por bushel. O movimento favoreceu o mercado doméstico, que tende a acompanhar o comportamento internacional.
O cenário cambial também reforçou o avanço: o dólar comercial teve alta de 0,32%, sendo negociado a R$ 5,37, o que eleva a competitividade das exportações brasileiras.
Nova queda em Chicago após encontro sem acordo entre Trump e Xi
Apesar do otimismo inicial, a quinta-feira (30) trouxe novo recuo nas cotações da soja em Chicago. A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, realizada na Coreia do Sul, durou menos de duas horas e terminou sem acordos concretos sobre comércio agrícola.
Os contratos de janeiro e maio caíram para US$ 10,80 e US$ 11,03 por bushel, respectivamente, devolvendo parte dos ganhos recentes.
Segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, “o mercado esperava anúncios mais concretos, mas o encontro resultou apenas em promessas políticas. Houve uma trégua tarifária de um ano, porém sem definição sobre compras de soja”.
O analista observa que, embora Trump tenha declarado que a China voltaria a comprar “grandes quantidades” de grãos, a falta de números e cronogramas reduziu a confiança dos investidores. “Foi mais discurso do que resultado prático”, destacou Fernandes.
Cautela domina o mercado: investidores aguardam sinais concretos da China
Na quarta-feira (29), o mercado futuro de soja já mostrava sinais de cautela. Os contratos em Chicago encerraram com variações moderadas, refletindo o comportamento de espera antes do encontro entre os líderes de EUA e China.
O contrato de novembro fechou em alta de 0,16% (US$ 1.080,25/bushel), enquanto o de janeiro recuou 0,09% (US$ 1.094,50/bushel). O farelo subiu 0,72%, e o óleo de soja caiu 0,20%.
Mesmo com a compra simbólica da estatal chinesa COFCO, que adquiriu os primeiros carregamentos da safra 2025/26, o mercado não enxergou uma retomada expressiva da demanda. As margens apertadas das indústrias chinesas e o baixo volume necessário até a colheita brasileira mantêm o setor em compasso de espera.
Com incertezas diplomáticas e pressões logísticas no Brasil, o mercado da soja segue dividido entre expectativas de recuperação e sinais de prudência nas negociações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Santa Catarina consolida 5º maior agronegócio do Brasil e lidera agroindustrialização nacional, aponta estudo da FACISC
Santa Catarina reforçou sua posição entre os principais protagonistas do agronegócio brasileiro. Dados inéditos do Mapa do Agro Catarinense 2026, divulgado pela FACISC, mostram que o estado ocupa atualmente a quinta colocação entre os maiores agronegócios do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
O levantamento foi apresentado nesta quinta-feira (28), em Florianópolis, e aponta que o agronegócio catarinense movimenta cerca de R$ 144 bilhões, equivalente a 6% de toda a produção agropecuária nacional. O setor responde por 35% da economia estadual, reúne aproximadamente 470 mil empresas, gera 1,6 milhão de empregos e contribui com R$ 12 bilhões em arrecadação.
Segundo o presidente da FACISC, Elson Otto, o desempenho catarinense ganha ainda mais relevância diante da comparação com estados de maior extensão territorial e agrícola.
“O estado disputa espaço com gigantes do agronegócio brasileiro e se destaca pela força da agroindústria, pela produtividade e pela capacidade empreendedora do produtor rural catarinense”, afirmou.
Santa Catarina lidera agroindustrialização no Brasil
Um dos principais diferenciais apontados pelo estudo é o elevado nível de industrialização do agro catarinense. Santa Catarina possui hoje a maior participação da agroindústria entre os principais estados produtores do país.
Enquanto outras regiões concentram grande parte da força econômica na produção primária, Santa Catarina tem 40% do agronegócio diretamente ligado à indústria de transformação, agregando valor à produção rural.
De acordo com o diretor de Agronegócio e Ferrovias da FACISC, Lenoir Broch, o modelo catarinense fortalece a competitividade do setor.
“O estado construiu uma cadeia baseada em industrialização, exportação, tecnologia e geração de empregos. Isso torna o agronegócio mais diversificado e resiliente frente às oscilações do mercado”, destacou.
O estudo também revela que Santa Catarina possui a sexta maior força de trabalho do agronegócio brasileiro, com 1,6 milhão de pessoas ocupadas no setor. Na última década, o número de empregos cresceu 19%, terceiro maior avanço do país.
Quando o indicador é proporcional à população, o estado lidera o ranking nacional, com 195 trabalhadores do agro para cada mil habitantes.
Estado lidera produção nacional em 12 segmentos
O Mapa do Agro Catarinense 2026 evidencia a liderança do estado em diferentes cadeias produtivas estratégicas. Santa Catarina responde atualmente por:
- 50% da produção brasileira de maçã;
- 23% da produção nacional de carne suína;
- 86% da produção de ostras, vieiras e mexilhões;
- 44% das conservas de peixe;
- 64% do alvejamento e tingimento de fios e tecidos.
Além das cadeias tradicionais, o estado também amplia participação em segmentos de maior valor agregado, como maracujá, pêssego, ovos de codorna, alevinos, máquinas para alimentos, papel, confecção e indústria têxtil.
Exportações do agro catarinense batem recorde
O comércio exterior também aparece como um dos pilares da expansão do setor. Santa Catarina encerrou 2025 com recorde histórico de US$ 8,4 bilhões em exportações do agronegócio.
O estado ocupa a oitava posição entre os maiores exportadores do agro brasileiro e figura entre os cinco maiores exportadores nacionais quando considerada apenas a agroindústria.
Mesmo diante de desafios internacionais, como tarifas impostas pelos Estados Unidos e embargos chineses sobre proteínas animais, o agronegócio catarinense ampliou presença em mercados estratégicos da América do Sul, Oriente Médio, Europa, África e Oceania.
Santa Catarina também se destaca como um dos principais polos importadores do setor, com US$ 7,3 bilhões em compras internacionais, principalmente de fertilizantes e insumos industriais. O estado responde por cerca de 13% das importações nacionais desses produtos.
Para a economista da FACISC, Mariana Guedes, a diversidade produtiva explica parte da competitividade catarinense.
“O diferencial está na capacidade de industrialização e na variedade de cadeias produtivas presentes em todas as regiões do estado, permitindo atender mercados exigentes e diferentes ciclos econômicos simultaneamente”, avaliou.
Tecnologia fortalece competitividade no campo
O avanço tecnológico também ganha espaço no estudo. Santa Catarina possui atualmente 85 startups agtechs e ocupa a sétima posição nacional no segmento.
No recorte específico de empresas desenvolvedoras de softwares voltados ao agronegócio, o estado sobe para a quarta posição no país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.
O ecossistema de inovação está distribuído em diferentes regiões catarinenses, com destaque para Florianópolis, Chapecó, Concórdia, Lages e Joinville.
Segundo a FACISC, o crescimento das agtechs está diretamente ligado à capacidade de desenvolver soluções práticas para aumentar produtividade, eficiência e sustentabilidade no campo.
Logística e clima seguem como desafios
Apesar do desempenho recorde, o estudo alerta para gargalos estruturais que ainda limitam o crescimento do agronegócio catarinense.
Eventos climáticos extremos, custos elevados de produção e dificuldades logísticas provocaram perda de competitividade em algumas culturas, como cebola, alho, milho, tomate, uva e pêssego.
A entidade também defende maior investimento em infraestrutura, inovação logística, acessibilidade a insumos biotecnológicos e políticas de apoio ao pequeno produtor rural.
Mesmo diante desses desafios, o estudo aponta que Santa Catarina mantém potencial de crescimento acima da média nacional, sustentado pela diversidade produtiva e pela forte presença da agroindústria.
“Mesmo com limitações estruturais e climáticas, Santa Catarina segue ampliando produção, empregos e exportações. O estado ainda possui amplo espaço para crescer com investimentos em logística, infraestrutura e inovação”, concluiu Lenoir Broch.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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