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Mercado do trigo recua no Sul do país com moinhos abastecidos e foco na nova safra

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O mercado de trigo no Sul do Brasil apresenta tendência de queda nos preços, refletindo o baixo ritmo das negociações e o fato de os moinhos estarem, em sua maioria, abastecidos. Segundo análise da TF Agroeconômica, os compradores aguardam a chegada da nova safra para retomar volumes maiores de comercialização.

Rio Grande do Sul: negócios pontuais e exportação incipiente

No Rio Grande do Sul, as negociações seguem pontuais, com embarques concentrados entre agosto e setembro. Os preços variam de acordo com a qualidade e a localização do produto. Em regiões como Porto Alegre, Canoas e Serra, o valor chega a R$ 1.380,00 por tonelada, posto moinho. Já no interior do estado, alguns negócios foram fechados a R$ 1.300,00 por tonelada para trigo de boa qualidade, com pagamento previsto para setembro.

As exportações começam a dar os primeiros sinais de movimentação. Compradores têm oferecido R$ 1.300,00 por tonelada para trigo da safra 2025, com entrega prevista para dezembro e pagamento em janeiro. Caso o produto não atinja o padrão de moagem, há possibilidade de direcionamento para ração, com deságio de 20%. Aproximadamente 4% da nova safra já foi comercializada.

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Enquanto isso, no mercado interno, moinhos relatam baixa moagem e margens apertadas, o que freia novas compras. Em Panambi (RS), o preço da saca permanece em R$ 70,00.

Santa Catarina: mercado estável, mas com pressão dos preços gaúchos

Em Santa Catarina, o cenário permanece estável. As compras são feitas apenas para reposição, uma vez que a ampla oferta de trigo do Rio Grande do Sul tem pressionado os preços. As cotações variam entre R$ 1.330 e R$ 1.360 por tonelada no mercado FOB.

O trigo importado segue mais competitivo do que o paranaense, com preços cotados a US$ 272 por tonelada em Paranaguá. No mercado interno, os preços pagos ao produtor catarinense se mantêm estáveis ou com pequenas variações, com destaque para a cotação de R$ 79,00 por saca em Xanxerê.

Paraná: moinhos estocados e expectativa para a nova safra

No Paraná, os moinhos estão abastecidos até setembro ou outubro e esperam a chegada da nova safra para buscar negociações com preços mais atrativos. A média dos preços pagos ao produtor caiu 1,55% na última semana, ficando em R$ 75,88 por saca — ainda acima do custo médio estimado pelo Deral, de R$ 72,89.

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Apesar disso, a margem de lucro caiu para 4,10%, em comparação com os 5,73% registrados na semana anterior. O mercado futuro já sinalizou margens de até 32,1%, mas a expectativa é de queda nos preços à medida que a colheita se aproxima.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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