AGRONEGÓCIO
Mercado projeta inflação abaixo de 5% pela primeira vez desde janeiro, aponta Boletim Focus
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O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central, trouxe uma mudança significativa nas projeções do mercado financeiro: pela primeira vez desde janeiro, os analistas passaram a estimar a inflação de 2025 abaixo de 5%.
A mediana das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,05% para 4,95%, marcando a 12ª semana consecutiva de revisões para baixo. Ainda assim, a projeção segue acima do centro da meta oficial de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Inflação em queda e sistema de metas
Em julho, o IPCA avançou 0,26%, resultado abaixo da expectativa do mercado, que previa alta de 0,37%. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 5,23%.
Com a adoção do regime de meta contínua a partir de 2025, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta caso varie entre 1,5% e 4,5%. Caso o índice ultrapasse esse intervalo por seis meses consecutivos, o Banco Central deve justificar publicamente os motivos ao Ministério da Fazenda.
Recentemente, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, enviou uma carta ao ministro Fernando Haddad explicando o descumprimento da meta até junho, atribuindo o resultado à atividade econômica aquecida, variações cambiais, custos de energia e impactos climáticos.
Projeções para anos seguintes
O relatório também atualizou as estimativas para os próximos anos:
- 2026: projeção de inflação passou de 4,41% para 4,40%;
- 2027: expectativa mantida em 4,0%;
- 2028: previsão estável em 3,80%.
PIB: crescimento moderado nos próximos anos
O mercado financeiro manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,21% para 2025 e 1,87% para 2026. O PIB, que mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, é um dos principais indicadores de desempenho da economia.
Juros seguem estáveis nas projeções
As estimativas para a taxa básica de juros (Selic) permaneceram inalteradas:
- 2025: 15% ao ano, atual patamar;
- 2026: 12,50% ao ano;
- 2027: 10,50% ao ano.
O Banco Central considera os efeitos da política monetária de seis a 18 meses à frente, ajustando a Selic para manter a inflação dentro da meta estabelecida.
Câmbio, comércio exterior e investimentos
Além das projeções para inflação, PIB e juros, o Focus também trouxe expectativas para outros indicadores:
- Dólar: R$ 5,60 no fim de 2025 e R$ 5,70 em 2026;
- Balança comercial: superávit estimado em US$ 65 bilhões para 2025 e US$ 68,4 bilhões em 2026 (antes, a previsão era de US$ 69 bilhões);
- Investimento estrangeiro direto: entrada de US$ 70 bilhões em 2025 e 2026.
Impactos no dia a dia da população
A evolução da inflação é crucial porque afeta diretamente o poder de compra dos brasileiros. Quando os preços sobem acima da renda, especialmente para famílias de baixa renda, a pressão sobre o orçamento doméstico se intensifica.
Por isso, a trajetória da inflação e as decisões do Banco Central sobre juros são acompanhadas de perto, tanto por agentes do mercado quanto pela sociedade em geral.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Primavera começa com previsão de excesso de chuva no Sul e seca no Centro-Norte
A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05, dividindo o Brasil entre dois extremos climáticos. Enquanto o Sul deverá enfrentar chuva acima da média, temporais e dificuldades para colocar máquinas no campo, áreas do Norte, Nordeste e do norte do Centro-Oeste poderão conviver com calor mais intenso, precipitações irregulares e redução da umidade do solo.
O cenário consta do prognóstico elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A previsão abrange outubro, novembro e dezembro e indica 98% de probabilidade de um El Niño muito forte nesse período. A primavera termina em 21 de dezembro.
No Sul, a chuva deverá superar a média histórica nos três estados. Os maiores excessos são esperados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde os acumulados do trimestre podem ficar até 200 milímetros acima do normal. No Paraná, os volumes também tendem a ser elevados, especialmente durante a passagem de frentes frias e a formação de áreas de instabilidade.
O produtor deverá enfrentar intervalos menores para semear soja e milho, aplicar defensivos e realizar outros trabalhos mecanizados. O solo encharcado impede a entrada das máquinas, favorece a compactação e pode comprometer a emergência das plantas. Se a chuva ocorrer logo depois da semeadura, também existe risco de erosão, formação de crostas superficiais e perda de sementes e fertilizantes.
A umidade favorece o desenvolvimento inicial das culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas o excesso pode atrasar o calendário. Isso preocupa especialmente os agricultores que precisam colher a soja cedo para preservar a janela do milho e do algodão de segunda safra.
As lavouras de trigo ainda não colhidas no Paraná e no Rio Grande do Sul também exigirão atenção. Chuva durante a maturação pode reduzir o peso hectolítrico, a força do glúten e a qualidade do cereal destinado à panificação. No arroz irrigado, áreas com drenagem deficiente poderão apresentar excesso de água durante a implantação.
Além do volume, o Sul terá risco mais elevado de tempestades severas. A combinação de calor, umidade e passagem de frentes frias favorece chuva intensa em curto período, descargas elétricas, rajadas de vento e granizo. Esses eventos podem causar acamamento de lavouras, danos a estruturas rurais e interrupções no fornecimento de energia e nas estradas de acesso às propriedades.
No Centro-Oeste, a previsão apresenta diferenças importantes. Mato Grosso do Sul, o sul de Goiás e o sul de Mato Grosso devem receber volumes mais elevados, condição que pode beneficiar o plantio e o estabelecimento inicial da soja. Nessas áreas, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em solos excessivamente úmidos.
No centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás, a tendência é oposta. A chuva deverá ficar abaixo da média e as temperaturas permanecerão elevadas, com desvios que podem chegar a 2 graus no norte mato-grossense. O calor aumenta a perda de água do solo e exige cautela antes do plantio.
Nessas regiões, uma chuva isolada não deve ser interpretada como instalação definitiva do período úmido. Sem precipitações regulares nos dias seguintes, a semente pode germinar e encontrar solo seco durante a emergência, aumentando as falhas no estande e a necessidade de replantio. A recomendação é acompanhar a umidade em profundidade e as previsões de curto prazo, em vez de decidir apenas pelo primeiro volume registrado.
No Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais deverão receber chuva acima da média, com excessos de até 100 milímetros no trimestre. A condição tende a favorecer a implantação de soja e milho, a recuperação dos reservatórios e o desenvolvimento da cana-de-açúcar e da horticultura.
O excesso de umidade, porém, poderá reduzir o ritmo da colheita da cana, dificultar aplicações e ampliar a pressão de doenças. Nas áreas de café, chuva bem distribuída favorece a abertura e o pegamento das floradas, mas temporais, granizo e longos períodos de umidade podem provocar danos e aumentar a necessidade de controle fitossanitário.
O norte e o noroeste de Minas Gerais, além de grande parte do Espírito Santo, deverão enfrentar chuva mais irregular. No território capixaba, o déficit pode chegar a 50 milímetros. A combinação com temperaturas acima da média tende a aumentar a necessidade de irrigação e os cuidados com café, frutas, pastagens e produção animal.
O Norte deverá concentrar uma das situações mais preocupantes da estação. A previsão indica chuva abaixo da média em praticamente toda a região. Roraima, o norte e o nordeste do Amazonas e áreas do oeste e centro-sul do Pará podem acumular até 200 milímetros menos que o normal.
Com temperaturas até 2 graus acima da média, o solo poderá perder umidade mais rapidamente. O cenário aumenta o risco para soja, milho, arroz de terras altas, feijão, mandioca, banana e cacau, além de reduzir a capacidade de recuperação das pastagens e elevar a necessidade de água para os rebanhos.
No Nordeste, também deverá predominar o déficit de chuva. A exceção pode ocorrer em trechos da faixa leste, entre Rio Grande do Norte e Alagoas, onde os volumes podem ficar ligeiramente acima da média.
O maior cuidado estará no Matopiba, fronteira agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A irregularidade da chuva e o calor poderão atrasar a semeadura, dificultar a emergência da soja e aumentar o consumo de água nas áreas irrigadas. Pastagens também poderão apresentar menor rebrota e menor disponibilidade de forragem.
A previsão sazonal mostra uma tendência para o conjunto da primavera e não significa que choverá continuamente no Sul ou que todos os municípios do Centro-Norte enfrentarão seca. A distribuição pode variar dentro de um mesmo estado e até entre propriedades próximas.
Para o produtor, a principal orientação será ajustar o calendário às condições efetivamente observadas no solo. No Sul, isso significa aproveitar os intervalos secos e reforçar drenagem, conservação do solo e proteção das estruturas. No Centro-Norte, a cautela será confirmar a regularidade das chuvas antes de acelerar a semeadura.
Na avaliação de Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o clima se soma aos custos elevados, ao crédito restrito e às oscilações do mercado entre os principais riscos assumidos pelo produtor a cada safra.
“O agricultor planeja a lavoura, investe em sementes, fertilizantes, máquinas e mão de obra, mas continua dependendo de uma variável que não controla. Uma chuva que atrasa, um excesso de precipitação ou um temporal de poucos minutos pode comprometer o trabalho e o investimento de muitos meses”, afirma.
Segundo Rezende, a maior frequência de extremos exige mais planejamento e capacidade de adaptação. “As mudanças do clima deixaram de ser uma discussão distante. O produtor já percebe períodos mais longos de seca, chuvas concentradas, calor intenso e dificuldade para definir a melhor janela de plantio. Isso exige informação meteorológica confiável, manejo adequado do solo, seguro rural e assistência técnica”, diz.
Para ele, a adaptação não pode ser atribuída exclusivamente ao agricultor. “O campo precisa de sistemas de alerta, pesquisa, crédito para irrigação e armazenagem de água, conservação de estradas e um seguro rural que funcione. O produtor pode adotar tecnologia e melhorar o manejo, mas não conseguirá enfrentar sozinho uma realidade climática cada vez mais instável”, conclui.
A primavera deverá oferecer água suficiente e até excessiva em parte das principais regiões produtoras, mas manterá áreas importantes sob risco de déficit hídrico. Mais do que o total acumulado, a distribuição da chuva definirá o resultado da safra 2026/27.
Fonte: Pensar Agro
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