AGRONEGÓCIO
Mercado reduz previsão de inflação para 2026
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As projeções do mercado financeiro para a inflação de 2026 voltaram a cair, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (2) pelo Banco Central (BC). A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,00% para 3,99%, aproximando-se do centro da meta de inflação definida em 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Inflação administrada e IGP-M têm pequenas variações
A projeção para os preços administrados, que incluem tarifas públicas e contratos regulados, recuou levemente, refletindo expectativas de estabilidade nos custos de energia, combustíveis e transportes. Já o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou leve alta, influenciado por variações cambiais e oscilações nos preços de commodities agrícolas e industriais.
Perspectiva de inflação segue controlada em 2027
Para 2027, as instituições financeiras mantiveram a estimativa de 3,80% para o IPCA, o que reforça a visão de que o processo de desaceleração inflacionária deve se consolidar. As previsões para os preços administrados e o IGP-M também permaneceram estáveis, sem sinais de pressões relevantes sobre os índices de preços no médio prazo.
PIB deve crescer de forma moderada
O mercado manteve a expectativa de crescimento de 1,80% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e 2027. Apesar da estabilidade, o Banco Central projeta um cenário um pouco mais otimista, com avanço de 2,3% em 2026, conforme o último Relatório de Política Monetária. Segundo a autoridade monetária, a economia deve continuar apresentando desempenho positivo, sustentado pela recuperação do consumo e estabilidade no crédito.
Mercado projeta cortes graduais na taxa Selic
As instituições consultadas pelo BC mantiveram em 12,25% a projeção para a taxa Selic ao fim de 2026. Atualmente, a taxa básica está em 15,00% ao ano, e o mercado espera um ciclo de cortes de 2,75 pontos percentuais ao longo deste ano. O início da redução pode ocorrer ainda no primeiro semestre, dependendo da trajetória da inflação e do comportamento da economia.
Cenário econômico mais favorável
Os dados mais recentes indicam um cenário de inflação sob controle e expectativa de juros mais baixos, o que tende a estimular investimentos e ampliar a confiança de consumidores e empresários. No campo, esse movimento pode favorecer o crédito rural, reduzir custos de produção e impulsionar novos investimentos no agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço
O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.
Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.
O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.
Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.
O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.
A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.
A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.
Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.
Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.
Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.
O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.
Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.
A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.
A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.
A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.
Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.
Fonte: Pensar Agro
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