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Mercados Globais Recuam em Meio a Incertezas Comerciais e Ajustes Após Recordes

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Mercado Brasileiro: Ibovespa recua após recordes históricos

O principal índice da bolsa brasileira abriu a semana em leve baixa. Nesta segunda-feira (23), o Ibovespa registrava queda de 0,54%, aos 189,5 mil pontos, após renovar recordes na última sexta-feira, quando superou os 190 mil pontos pela primeira vez.

O movimento reflete ajustes técnicos e a influência do cenário internacional, especialmente após os Estados Unidos anunciarem novas tarifas globais, reacendendo preocupações entre investidores sobre o comércio mundial.

O dólar comercial operava próximo de R$ 5,18, acompanhando a cautela global e os ajustes nas expectativas internas para inflação e juros divulgadas na Pesquisa Focus do Banco Central do Brasil.

De acordo com analistas, a combinação de ajustes locais e incertezas externas deve manter o mercado volátil nos próximos dias, com atenção voltada para a condução da política monetária e o comportamento dos ativos internacionais.

Wall Street: Futuros em queda diante de novas tarifas

Nos Estados Unidos, os principais índices futuros operam em terreno negativo, refletindo as incertezas em torno da política comercial do governo americano. Antes da abertura, o Dow Jones Industrial Average recuava 0,46%, o S&P 500 caía 0,55% e o Nasdaq Composite apresentava baixa de 0,67%.

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As quedas são atribuídas à incerteza sobre o impacto das novas tarifas globais e à expectativa por indicadores econômicos americanos que serão divulgados ainda nesta semana.

Apesar da pressão de curto prazo, o desempenho acumulado do ano segue positivo, com o Dow Jones acima de 49.600 pontos e o S&P 500 sustentando ganhos diante do otimismo com os setores de tecnologia e consumo.

Europa e Ásia: Bolsas operam de forma mista

Na Europa, os mercados operam sob leve pressão, refletindo a cautela global. O DAX apresentava queda de 0,5%, enquanto outros índices como o STOXX 600 e o CAC 40 oscilavam próximos da estabilidade. A ausência de novos dados econômicos relevantes no continente também contribuiu para o movimento contido.

Na Ásia, o desempenho foi misto. Em Hong Kong, o Hang Seng Index registrou alta de 2,5%, impulsionado pelo setor de tecnologia e por expectativas de alívio nas tarifas aplicadas aos produtos chineses. Já em Coreia do Sul e Taiwan, os índices Kospi e Taiex avançaram levemente. Alguns mercados, como o Nikkei 225, permaneceram fechados devido a feriados locais, o que reduziu o volume de negociações na região.

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Especialistas apontam que o humor dos investidores asiáticos melhorou após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar parte das tarifas impostas anteriormente, decisão que beneficiou empresas exportadoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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