AGRONEGÓCIO
MFG Agropecuária ultrapassa marca histórica de 3,5 milhões de bovinos abatidos
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MFG mantém liderança nacional e alcança novo marco produtivo
Pelo terceiro ano consecutivo, a MFG Agropecuária ocupa o topo do ranking dos maiores confinamentos do Brasil, elaborado pela Revista DBO, especializada em pecuária de corte. A empresa também comemora um feito histórico: 3,5 milhões de bovinos abatidos desde sua fundação, há 18 anos.
De acordo com Vagner Lopes, gerente corporativo de Confinamento da MFG Agropecuária, o recorde reflete o amadurecimento da pecuária nacional e a consolidação do confinamento como uma ferramenta estratégica.
“O que antes era uma alternativa para períodos de seca ou entressafra tornou-se uma atividade planejada e essencial à pecuária moderna”, destaca Lopes.
Confinamento ganha novo papel na cadeia produtiva
A MFG se tornou uma peça-chave no sistema de produção dos pecuaristas parceiros. Segundo Lopes, muitos criadores passaram a focar na cria e recria, deixando a fase de engorda sob responsabilidade da empresa, o que resultou em aumento de até dez vezes na capacidade de abate de diversos produtores.
O gerente lembra que o cenário da pecuária mudou radicalmente desde os anos 2000:
“Em 2007, não havia a profissionalização que vemos hoje. A tecnologia era limitada, os manejos menos eficientes e a rastreabilidade ainda gerava desconfiança”, relembra.
Atualmente, a MFG reúne oito unidades instaladas em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia, operando com dieta adensada, identificação eletrônica, câmeras 3D, drones, softwares de gestão, automação e controle sanitário rigoroso.
Nutrição de precisão e automação: pilares da evolução tecnológica
O primeiro grande salto tecnológico da MFG ocorreu em 2009, com a implantação da rastreabilidade animal. Desde então, a empresa avançou rumo à automação total do trato e à oferta de serviços nutricionais personalizados.
De acordo com Adriano Umezaki, gerente técnico de Nutrição da companhia, a nutrição de precisão é hoje uma das principais marcas dos grandes confinamentos brasileiros.
“Aliamos tecnologia, manejo eficiente e insumos de qualidade para garantir o controle completo das dietas e o bem-estar nutricional dos animais”, afirma.
A MFG também foi pioneira na adoção de protocolos sem o uso de ionóforos, reduzindo o estresse térmico, as emissões de metano e reforçando o conceito de bem-estar nutricional.
Bem-estar animal é prioridade em todas as unidades
Reconhecida por suas práticas inovadoras, a MFG Agropecuária é uma das primeiras empresas do setor a abolir o uso de ferro quente na identificação dos animais e a adotar o manejo “nada nas mãos”, que prioriza o baixo estresse e a segurança dos bovinos.
A companhia também realiza aclimatação prévia dos animais ao cocho, mantém controle sanitário rigoroso e opera com indicadores próprios de bem-estar animal (BEA).
Segundo Maryele Rodrigues, gerente de Sanidade e Bem-estar Animal da MFG, a empresa conta com equipes especializadas, compostas por médicos-veterinários e supervisores dedicados ao acompanhamento contínuo da boiada.
“Esse acompanhamento integral reduziu de forma significativa a taxa de mortalidade dentro da companhia”, explica.
Entre as metas futuras, estão a padronização da infraestrutura com áreas sombreadas e enfermarias personalizadas, além da certificação completa de bem-estar animal até 2027.
Em 2025, a unidade de Tangará da Serra (MT) recebeu o selo Fair Food, primeiro passo rumo ao reconhecimento internacional das boas práticas da empresa.
Originação moderna fortalece o modelo de parceria com pecuaristas
Mesmo com o crescimento dos boitéis a partir de 2021, impulsionado pela alta do boi gordo e pela demanda chinesa, a originação continua sendo o alicerce das operações da MFG Agropecuária.
Segundo Vanderlei Finger, gerente geral de Compra de Gado, a empresa aprimorou o processo ao longo dos anos, combinando tecnologia, treinamento e relacionamento estratégico com os produtores.
“A parceria de engorda se tornou uma ferramenta de gestão moderna, mostrando aos pecuaristas como integrar produtividade e rentabilidade de forma sustentável”, conclui Finger.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Trump taxa o Brasil por “trabalho escravo”, mas compra 30 vezes mais de “países suspeitos”
Os Estados Unidos começaram a cobrar, nesta sexta-feira (24.07), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país não impediria de maneira efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.
Para parte das exportações brasileiras, a nova tarifa será somada à sobretaxa de 25% (veja aqui) que entrou em vigor na quarta-feira (22), elevando o adicional a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a cobrança acumulada alcança setores como calçados, máquinas e equipamentos, incluindo maquinário agrícola, peças, vestuário e produtos químicos não farmacêuticos. Café e suco de laranja ficaram isentos das duas medidas, enquanto a celulose será atingida somente pelos 12,5%. A incidência final dependerá do código tarifário de cada mercadoria.
O argumento norte-americano, porém, esbarra nos próprios números e mostra que a decisão é eminentemente política. Segundo levantamento do Global Slavery Index, elaborado pela fundação Walk Free e apresentado ao G20, os Estados Unidos importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias suspeitas de terem sido produzidas com trabalho forçado e nenhum desses países foi sobretaxado. No caso brasileiro, o montante é de US$ 5,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões, ou seja 30 vezes mais.
A classificação da fundação Walk Free não significa que todas essas mercadorias tenham sido comprovadamente produzidas por trabalhadores escravizados, mas mostra que o mercado norte-americano permanece como um dos principais destinos mundiais de bens provenientes dessas cadeias que se utilizam de mão de obra escravizada.
Entre as compras dos Estados Unidos classificadas como de risco estão US$ 107,6 bilhões em eletrônicos procedentes principalmente da China e da Malásia. Também aparecem US$ 52,4 bilhões em roupas produzidas em países como China, Vietnã, Bangladesh, Índia e Malásia. A lista inclui ainda pescados, madeira e produtos têxteis.
Outra incoerência: a nova cobrança não proíbe a entrada dessas mercadorias. Os produtos originados em cadeias apontadas como vulneráveis ao trabalho forçado poderão continuar chegando aos Estados Unidos desde que os importadores paguem o imposto adicional.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que “investigou” o Brasil não formalizou uma acusação de que os produtos brasileiros estão sendo fabricados com trabalho escravo. Apenas frisou que inexiste uma proibição de importação considerada suficientemente abrangente, para impedir que mercadorias produzidas nessas condições em terceiros países entrem no Brasil, e daqui cheguem aos Estados Unidos .
Essa foi uma forma de justificar o injustificável, já que o Brasil possui uma estrutura própria de repressão ao trabalho análogo à escravidão. O artigo 149 do Código Penal enquadra como crime situações envolvendo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição da liberdade por dívida. O país também mantém grupos móveis de fiscalização e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo.
Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em mais de 8 mil ações fiscais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Somente em 2025, foram resgatadas 2.772 pessoas, enquanto as fiscalizações resultaram no pagamento de aproximadamente R$ 9,4 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias. A versão mais recente da Lista Suja foi atualizada em 14 de julho deste ano.
Esses números não significam que o problema esteja eliminado no território brasileiro. Eles demonstram, entretanto, que o país reconhece a existência das irregularidades, investiga denúncias, responsabiliza empregadores e retira trabalhadores das situações encontradas. O próprio relatório produzido pelo USTR registra manifestações apresentadas durante a investigação que destacaram a existência de uma estrutura legal e institucional consolidada no Brasil.
Outro ponto que relativiza a justificativa humanitária está no amplo conjunto de exceções definido pelos Estados Unidos. Ficaram protegidas da nova tarifa matérias-primas que possam provocar desabastecimento, produtos capazes de gerar impactos econômicos mais amplos e mercadorias que não possam ser produzidas em quantidade suficiente no território norte-americano.
A lista de exceções alcança itens de interesse direto do agronegócio, como determinados produtos de origem animal, sementes, insumos para fertilizantes e defensivos, couros, madeira, café solúvel sem aromatização e volumes de açúcar importados dentro das cotas estabelecidas. Na prática, a aplicação da medida será determinada não apenas pelo argumento relacionado ao trabalho forçado, mas também pela necessidade de preservar o abastecimento e os custos da economia americana.
Para o agro brasileiro, o impacto será desigual. Produtos incluídos nas exceções poderão continuar entrando sem a nova cobrança, enquanto os demais ficarão sujeitos aos 12,5%. Nos casos em que a tarifa se somar à sobretaxa de 25% estabelecida em outra investigação comercial, a cobrança nominal poderá alcançar 37,5%, dependendo da classificação aduaneira de cada mercadoria.
O momento escolhido para colocar a medida em vigor também chama atenção. A nova tarifa começou a valer exatamente quando terminou a cobrança global temporária de 10% criada anteriormente pelo governo norte-americano. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50%. Agora, Washington recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para recompor uma barreira de alcance semelhante sob outra fundamentação jurídica.
A coincidência entre o calendário eleitoral e o aumento das barreiras comerciais mostra que as tarifas norte-americanas deixaram de ser apenas um instrumento de política comercial e passaram a integrar o ambiente político brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
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