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Milho mantém queda em janeiro com colheita de verão, estoques altos e crédito restrito pressionando preços

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O mercado brasileiro de milho continua registrando desvalorização em janeiro de 2026, reflexo da combinação entre avanço da colheita de verão, estoques elevados, necessidade de liberar armazéns e dificuldade de crédito enfrentada pelos produtores.

Segundo analistas, o cenário reforça a tendência de preços mais baixos no curto prazo, apesar das boas exportações e do potencial produtivo da nova safra.

Fatores de pressão: crédito caro e necessidade de liquidez

De acordo com o consultor da Safras & Mercado, Paulo Molinari, os produtores estão sendo forçados a vender estoques remanescentes para fazer caixa, diante de linhas de crédito mais caras e restritas.

“A dificuldade em alongar dívidas e em financiar a safrinha faz com que muitos vendam o milho armazenado, mesmo com preços de porto pouco atrativos. Isso acaba pressionando o mercado interno e limitando qualquer recuperação no curto prazo”, explica.

Molinari lembra ainda que, embora as exportações de 2025 tenham sido fortes e estejam sendo concluídas agora, em janeiro de 2026, o volume de vendas internas continua alto, o que impede uma valorização imediata.

Colheita de verão avança e produtividade surpreende

A colheita da safra de verão teve início pelo Rio Grande do Sul, como ocorre tradicionalmente, apresentando boas produtividades iniciais, mesmo após um período de estiagem entre o fim de novembro e o início de dezembro.

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Segundo o consultor, o desempenho das lavouras gaúchas pode indicar médias recordes de produtividade nesta temporada.

Com a chegada da colheita da soja, a tendência é que o mercado de milho encontre maior sustentação nos preços, já que o foco logístico e comercial deve se deslocar para a oleaginosa, reduzindo a pressão sobre as ofertas de milho.

Liquidez apertada e exportações não aliviam o mercado

O cenário econômico brasileiro em 2026 reflete baixa liquidez e crédito mais difícil, o que tem levado produtores a antecipar vendas para garantir fluxo de caixa.

Mesmo com exportações em bons volumes, o movimento não tem sido suficiente para reduzir as ofertas internas.

“Muitos produtores esperavam uma alta de preços em janeiro, mas o mercado segue travado. A frustração com essa expectativa acelerou a liquidação da safra velha”, afirma Molinari.

Cotações regionais: quedas generalizadas

As cotações do milho registraram quedas em diversas praças do país na semana entre 15 e 22 de janeiro:

  • Cascavel (PR): R$ 64,00 → R$ 63,50 (-0,8%)
  • Campinas (SP) CIF: estabilidade em R$ 68,50
  • Mogiana (SP): estável em R$ 66,00
  • Rondonópolis (MT): R$ 64,50 → R$ 60,00 (-7%)
  • Erechim (RS): R$ 68,00 → R$ 67,00 (-1,5%)
  • Uberlândia (MG): R$ 64,50 → R$ 63,50 (-1,5%)
  • Rio Verde (GO): R$ 62,00 → R$ 60,00 (-3,2%)
  • Porto de Paranaguá (PR): R$ 72,00 → R$ 70,00 (-2,8%)
  • Porto de Santos (SP): R$ 72,00 → R$ 71,00 (-1,4%)
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Câmbio recua e contribui para a pressão sobre os preços

O dólar comercial também encerrou a semana em queda, passando de R$ 5,367 para R$ 5,2826, uma desvalorização de 1,6% no período.

A redução no câmbio tende a reduzir a competitividade das exportações, o que amplia a pressão sobre o mercado interno de milho.

Perspectivas para o mercado

Os especialistas avaliam que, embora o curto prazo siga pressionado, a chegada da colheita da soja e a redução das ofertas internas podem trazer algum suporte aos preços nas próximas semanas.

Entretanto, a continuidade das restrições de crédito e a abundância de estoques devem manter o mercado de milho em um ambiente de volatilidade e margens apertadas até o início da safrinha 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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