AGRONEGÓCIO
Milho recua no mercado internacional mesmo com aumento das preocupações climáticas nos Estados Unidos
AGRONEGÓCIO
Os preços do milho encerraram o período em queda no mercado internacional, apesar do aumento das preocupações com as condições climáticas em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos. De acordo com análise da StoneX, fatores externos, como o fortalecimento do dólar, as incertezas econômicas globais e as tensões geopolíticas, exerceram forte influência sobre as negociações e limitaram qualquer reação mais consistente das cotações.
O ambiente macroeconômico mais desafiador tem aumentado a cautela dos investidores e operadores de mercado. Além disso, a valorização da moeda norte-americana reduz a competitividade das commodities exportadas pelos Estados Unidos, contribuindo para a pressão sobre os preços agrícolas.
Exportações continuam sustentando a demanda
Entre os fatores de suporte ao mercado, o desempenho das exportações norte-americanas segue chamando atenção. O ritmo dos embarques permanece robusto, refletindo a demanda internacional pelo cereal e ajudando a evitar quedas ainda mais acentuadas.
No entanto, o bom desempenho das vendas externas não tem sido suficiente para compensar o impacto dos elevados estoques disponíveis. A ampla oferta continua sendo um dos principais elementos limitadores para uma recuperação mais expressiva das cotações do milho.
Clima no Meio-Oeste dos EUA segue no radar
As condições climáticas também permanecem no centro das atenções dos participantes do mercado. Nas últimas semanas, áreas importantes do Meio-Oeste norte-americano registraram redução nos níveis de umidade, aumentando as preocupações em relação ao potencial produtivo das lavouras.
Caso o período de estiagem se prolongue, os riscos para o desenvolvimento das plantas poderão crescer, especialmente durante fases decisivas do ciclo produtivo. Por outro lado, previsões de chuvas para o curto prazo podem amenizar parte dessas preocupações e reduzir temporariamente a percepção de risco entre os agentes.
Mercado acompanha evolução das lavouras
Nos próximos dias, a evolução do clima e das condições das lavouras deverá continuar influenciando a formação dos preços. Uma persistência do clima seco pode levar o mercado a precificar possíveis perdas de produtividade e um eventual aperto na oferta futura.
Por enquanto, contudo, o mercado do milho segue pressionado pela combinação de fatores macroeconômicos, incertezas geopolíticas e pela manutenção de estoques elevados, cenário que continua limitando movimentos mais expressivos de alta nas bolsas internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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