AGRONEGÓCIO
Milho se Valoriza com Alta do Petróleo e Demanda Forte, Reflexo da Geopolítica e do Mercado Interno
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Nesta quinta-feira (19), o mercado de milho registrou valorização nos contratos futuros, tanto no mercado internacional quanto no interno, impulsionado por fatores externos como a escalada de conflitos no Oriente Médio e a alta do petróleo, além de uma forte demanda doméstica e internacional.
Milho Futuro em Chicago Sobe com Suporte do Setor Energético
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços do milho futuro operavam em alta por volta das 09h44 (horário de Brasília):
- Maio/26: US$ 4,67 (+4,25 pontos)
- Julho/26: US$ 4,79 (+4,50 pontos)
- Setembro/26: US$ 4,81 (+4,75 pontos)
- Dezembro/26: US$ 4,93 (+4 pontos)
Segundo o site Successful Farming, a alta também se estendeu à soja e ao trigo, com suporte vindo do setor energético. “Este é um resultado contínuo da guerra entre os EUA e o Irã, que agora inclui ataques à infraestrutura energética. A expansão do conflito gera incerteza sobre os impactos globais e pressiona a economia mundial”, afirmou Karl Setzer, sócio da Consus Ag Consulting.
B3 Reflete Alta do Milho e Dólar Forte
No mercado interno, a Bolsa Brasileira (B3) acompanhou o movimento internacional e abriu o pregão com leves altas:
- Maio/26: R$ 73,00 (+0,69%)
- Julho/26: R$ 71,02 (+0,31%)
- Setembro/26: R$ 71,50 (+0,17%)
- Janeiro/27: R$ 75,75 (+0,68%)
O avanço das cotações foi favorecido pelo fortalecimento do dólar, pela valorização em Chicago e pela revisão positiva das expectativas de exportações brasileiras.
Exportações e Demanda Sustentam Preços no Mercado Interno
Segundo a TF Agroeconômica, a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional aumentou com a alta do dólar e a valorização das cotações em Chicago. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou a projeção de embarques para março em 8,3% na comparação semanal, representando um crescimento anual de 83,1% na demanda externa.
Na B3, os contratos encerraram a quarta-feira com valorização:
- Maio/26: R$ 72,50
- Julho/26: R$ 70,80
- Setembro/26: R$ 71,38
Dinâmica Regional do Mercado de Milho no Brasil
O comportamento do mercado interno segue marcado por baixa liquidez e negociações pontuais, com variações regionais:
- Rio Grande do Sul: menor disponibilidade imediata mantém leve alta, média estadual R$ 57,96/saca.
- Santa Catarina: restrição de oferta limita negócios, apesar de demanda em algumas regiões.
- Paraná: negociações seletivas; primeira safra avançando, segunda afetada por irregularidade de chuvas e baixa umidade do solo.
- Mato Grosso do Sul: cotações em recuperação após quedas recentes, apoiadas pela demanda do setor de bioenergia, mas ainda com liquidez reduzida.
Perspectivas e Tendências
A expectativa é de que o milho continue sustentado por fatores externos, como a tensão geopolítica e a valorização do petróleo, e por dinâmicas internas, incluindo a demanda robusta para exportações e o avanço gradual da colheita da primeira safra. Analistas alertam que eventuais impactos climáticos e a liquidez ainda baixa em algumas regiões podem gerar volatilidade nos próximos pregões, mantendo a atenção de produtores, traders e investidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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