AGRONEGÓCIO
Milho trava negócios no Brasil com pressão de Chicago, dólar instável e expectativa de safra cheia
AGRONEGÓCIO
O mercado brasileiro de milho segue operando em ritmo lento e com baixa liquidez, diante da combinação de pressão externa nas cotações internacionais, dólar praticamente estável e expectativa de uma segunda safra robusta no Brasil. O cenário reduz o interesse dos compradores e trava negociações em importantes regiões produtoras do país.
A fraqueza registrada na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) continua sendo o principal fator de pressão sobre os preços internos. Além disso, consumidores demonstram postura cautelosa, apostando em novas quedas nas próximas semanas com a entrada mais intensa da safrinha no mercado.
Chicago amplia pressão sobre o milho
Os contratos futuros do milho encerraram o pregão em baixa na CBOT, acompanhando o forte recuo do petróleo em Nova York e um movimento técnico de realização de lucros por parte dos investidores.
O contrato julho/26 fechou cotado a US$ 4,65 3/4 por bushel, com perda de 9,50 centavos, equivalente a queda de 1,99%. Já o vencimento setembro/26 terminou a US$ 4,72 1/2 por bushel, recuo de 1,86%.
O mercado internacional reagiu à forte desvalorização do petróleo após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando possibilidade de redução das tensões envolvendo o Irã. Apesar do discurso mais otimista, agentes seguem atentos aos riscos geopolíticos no Oriente Médio e seus impactos sobre energia e logística global.
Outro fator de pressão veio da valorização do dólar frente às principais moedas globais, movimento que reduz a competitividade das exportações norte-americanas de milho.
Ao mesmo tempo, investidores ajustaram posições antes da divulgação dos dados semanais de exportação dos Estados Unidos. O mercado trabalha com expectativa de vendas entre 1 milhão e 1,8 milhão de toneladas, acima do volume da semana anterior.
Mercado brasileiro enfrenta dificuldade nas negociações
No Brasil, a comercialização permanece travada. Produtores avançam pontualmente na fixação de oferta, mas seguem resistentes a aceitar preços mais baixos. Em diversas regiões, os valores pedidos permanecem acima das indicações de compra apresentadas pelos consumidores.
Do lado da demanda, indústrias e compradores atuam de forma lenta, indicando bom abastecimento no curto prazo e expectativa de preços mais fracos com o avanço da colheita da safrinha.
A queda do dólar ao longo do pregão anterior também reduziu espaço para reação positiva nos portos, limitando novos negócios de exportação.
Preços do milho nos portos
Nos principais corredores de exportação, as cotações ficaram relativamente estáveis:
- Porto de Santos: entre R$ 65,00 e R$ 70,00 por saca CIF;
- Porto de Paranaguá: entre R$ 64,50 e R$ 69,00 por saca.
Cotações regionais do milho
No mercado interno, os preços variaram conforme disponibilidade de oferta e ritmo da demanda:
- Cascavel (PR): R$ 59,00 a R$ 63,00 por saca;
- Mogiana (SP): R$ 60,00 a R$ 62,00;
- Campinas CIF (SP): R$ 65,00 a R$ 67,00;
- Erechim (RS): R$ 66,00 a R$ 68,00;
- Uberlândia (MG): R$ 55,00 a R$ 60,00;
- Rio Verde (GO): R$ 56,00 a R$ 58,00 CIF;
- Rondonópolis (MT): R$ 50,00 a R$ 53,00 por saca.
B3 fecha mista e mercado monitora risco climático
Na B3, os contratos futuros do milho encerraram o dia de forma mista, refletindo um mercado ainda cauteloso e sem força para movimentos mais consistentes.
O vencimento julho/26 terminou cotado a R$ 66,95 por saca, com baixa de R$ 0,25. O setembro/26 fechou a R$ 69,77, com leve alta de R$ 0,04. Já novembro/26 encerrou a R$ 72,70, avanço de R$ 0,06.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado ainda monitora possíveis riscos climáticos capazes de provocar perdas mais adiante na temporada, embora o cenário atual continue apontando para ampla oferta no segundo semestre.
Sul e Centro-Oeste registram baixa liquidez
No Rio Grande do Sul, o mercado segue lento, com compradores abastecidos e negócios pontuais. As indicações variam entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca, enquanto a média estadual gira em torno de R$ 58,08.
Em Santa Catarina, a diferença entre pedidas e ofertas trava as negociações. Produtores trabalham próximos de R$ 70,00 por saca, enquanto compradores indicam valores perto de R$ 65,00.
No Paraná, os elevados estoques e a expectativa de uma safrinha robusta seguem pressionando o mercado. As indicações giram em torno de R$ 65,00 por saca, com demanda ao redor de R$ 60,00 CIF.
Já em Mato Grosso do Sul, a maior disponibilidade do cereal amplia a cautela dos compradores, com preços entre R$ 51,00 e R$ 53,00 por saca e pressão mais intensa em regiões como Campo Grande e Sidrolândia.
Dólar e cenário financeiro seguem no radar
O dólar comercial operava com leve alta, cotado a R$ 5,0102, enquanto o Dollar Index avançava para 99,333 pontos.
No cenário internacional, as bolsas asiáticas fecharam sem direção única, com forte queda na China e valorização expressiva no Japão. Na Europa, predominaram perdas entre os principais índices.
O petróleo WTI, por sua vez, voltou a operar acima de US$ 100 por barril, refletindo a volatilidade causada pelas tensões geopolíticas e pela instabilidade no mercado global de energia.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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