AGRONEGÓCIO
Mulheres fortalecem a pecuária premium e impulsionam a Carne Angus Certificada no Brasil
AGRONEGÓCIO
Mulheres ganham protagonismo na produção de carne premium no Brasil
A produção de carne bovina de alto padrão tem ganhado força no Brasil e conquistado espaço nos mercados internacionais. Nesse cenário, mulheres pecuaristas têm desempenhado papel cada vez mais relevante no desenvolvimento da Carne Angus Certificada, contribuindo para elevar a qualidade da proteína brasileira e fortalecer a reputação do país no comércio global.
A busca por cortes premium acompanha uma tendência mundial de consumidores mais exigentes, que valorizam rastreabilidade, padrão de qualidade e diferenciação no produto final. Ao mesmo tempo, o ambiente econômico brasileiro segue sendo monitorado pelo Banco Central do Brasil, que projeta estabilidade gradual da inflação e mantém acompanhamento constante da atividade econômica, fatores que influenciam diretamente o consumo de proteínas e a competitividade do agronegócio.
Pecuarista do Paraná aposta em Angus para transformar produção
No município de Novas Laranjeiras, no centro-sul do Paraná, a produtora Simone Romancini decidiu mudar o rumo da propriedade familiar ao assumir a gestão da Fazenda Nossa Senhora Aparecida I e II, em 2020.
Durante três décadas, Simone acompanhou o trabalho do pai em uma empresa dedicada à fabricação de equipamentos para pecuária. Ao assumir a fazenda, ela passou a buscar alternativas para elevar o valor agregado da produção.
Segundo a pecuarista, a virada ocorreu quando identificou o potencial do mercado de carnes diferenciadas. A partir dessa análise, decidiu direcionar o rebanho para a genética Angus e aderiu ao Programa Carne Angus Certificada.
“Percebi que havia espaço para produzir uma carne diferenciada e atender consumidores mais exigentes. Foi quando comecei a investir na raça Angus e no programa de certificação”, relata.
Superação em um setor tradicionalmente masculino
Mesmo com experiência no meio rural, Simone enfrentou desafios ao assumir o comando da propriedade. A pecuária ainda é vista como um setor majoritariamente masculino, o que gerou resistência no início da nova gestão.
A produtora conta que, com o tempo, o reconhecimento do trabalho e os resultados obtidos contribuíram para mudar a percepção sobre sua atuação no campo.
Hoje, a fazenda trabalha exclusivamente com animais Angus, focando em manejo cuidadoso e aprimoramento da qualidade da carne destinada ao mercado premium.
Parceria e especialização ampliam qualidade da carne
Para fortalecer o projeto de produção premium, Simone estabeleceu parceria com a empresa Padrão Beef, responsável pela comercialização e distribuição de cortes de alto padrão.
A estratégia envolve intensificar o cuidado com genética, nutrição e manejo dos animais, fatores considerados fundamentais para alcançar padrões superiores de qualidade.
Segundo a pecuarista, o objetivo é continuar aprimorando a produção e consolidar a fazenda como fornecedora de carne premium.
Produtora de Mato Grosso do Sul destaca ganhos com genética Angus
Outro exemplo de protagonismo feminino na pecuária vem da produtora Lídia Massi Serio, proprietária da Fazenda São Luiz, localizada em Mato Grosso do Sul.
Representando a terceira geração da família na atividade rural, Lídia acompanha de perto o desenvolvimento do rebanho e destaca o impacto positivo da genética Angus na produtividade.
De acordo com a produtora, a raça tem contribuído significativamente para melhorar o desempenho dos animais, especialmente no ganho de peso e na qualidade final da carne.
“A introdução do Angus trouxe avanços importantes para o rebanho. Existe uma demanda crescente por carne de qualidade, e a genética tem papel fundamental nesse processo”, afirma.
Certificação garante valorização e acesso ao mercado premium
Além da qualidade da carne, o processo de certificação é apontado pelas produtoras como um diferencial competitivo importante.
Programas como o Programa Carne Angus Certificada garantem padronização do produto e ampliam a valorização das carcaças nos frigoríficos, gerando bonificações para os produtores.
Segundo Lídia, o selo de qualidade reconhecido pelo mercado também facilita o acesso a nichos premium de comercialização, cada vez mais valorizados por consumidores e redes varejistas.
Desafios do campo exigem resiliência dos produtores
Apesar do crescimento do segmento premium, os produtores ainda enfrentam obstáculos no dia a dia da atividade rural.
Entre os principais desafios citados estão a escassez de mão de obra qualificada e as incertezas relacionadas às políticas e legislações que impactam o setor agropecuário.
Mesmo diante dessas dificuldades, Lídia destaca que a atividade no campo continua sendo uma paixão para quem vive da pecuária.
“O campo é desafiador, mas também gratificante. É uma atividade que exige persistência e dedicação”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro
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