AGRONEGÓCIO
Nanotecnologia no agro avança e pressiona por nova regulação para nanopesticidas
AGRONEGÓCIO
A nanotecnologia aplicada à agricultura vem ganhando protagonismo global, impulsionada pela busca por maior eficiência produtiva e sustentabilidade no campo. No entanto, o avanço dessa inovação, especialmente no segmento de nanopesticidas, também amplia a necessidade de atualização dos marcos regulatórios e de critérios mais robustos de avaliação de risco.
Segundo levantamento da Data Bridge Market Research, o mercado global de nanotecnologia agrícola foi estimado em US$ 398,5 bilhões em 2024, com projeção de alcançar cerca de US$ 966 bilhões até 2032. O crescimento médio anual previsto é de 11,7% entre 2025 e 2032, refletindo a rápida adoção dessas tecnologias no setor.
Dentro desse universo, os nanopesticidas devem representar aproximadamente 28,6% do mercado já em 2025, evidenciando o interesse crescente por soluções mais precisas, eficientes e com menor impacto ambiental.
Nova geração de defensivos mais eficientes
O uso de nanoplataformas no desenvolvimento de defensivos agrícolas marca uma nova fase na proteção de cultivos. Diferentemente dos pesticidas convencionais, os nanopesticidas utilizam estruturas em escala nanométrica que permitem maior controle na liberação dos ingredientes ativos.
Essa tecnologia possibilita maior eficiência na aplicação, redução de perdas e menor dispersão de resíduos no solo, na água e no ar, contribuindo para práticas agrícolas mais sustentáveis.
Esses avanços são analisados no estudo “Regulatory Aspects and Risk Assessment of Nanoplatforms for Agricultural Uses”, que discute os aspectos científicos e regulatórios ligados ao uso dessas soluções no campo.
Riscos e lacunas regulatórias entram no radar
Apesar do potencial, o desenvolvimento de nanopesticidas levanta questionamentos importantes sobre segurança ambiental e saúde humana. Pesquisadores alertam para possíveis riscos relacionados à ecotoxicidade das nanopartículas, impactos na biodiversidade e incertezas sobre a exposição humana a esses materiais.
Um dos principais desafios apontados é a limitação das legislações atuais, que foram desenvolvidas com base em produtos químicos tradicionais e não contemplam adequadamente as especificidades da nanotecnologia.
O estudo destaca a existência de uma lacuna regulatória relevante, reforçando a urgência na criação de diretrizes específicas, metodologias padronizadas de avaliação e critérios adaptados à complexidade das nanoplataformas.
Avaliação de risco exige rigor científico
No campo da regulação, os pesquisadores enfatizam a necessidade de relatórios científicos consistentes, dados confiáveis e padronização de testes como pilares fundamentais para garantir a segurança e a eficácia dos nanopesticidas.
Entre as estratégias sugeridas estão a priorização e o reaproveitamento de dados já existentes, o que pode acelerar processos regulatórios, reduzir custos e evitar a repetição de estudos, sem comprometer a segurança.
Pesquisa brasileira ganha destaque internacional
O estudo é assinado por pesquisadores como Vanessa Takeshita, Jéssica de Souza Rodrigues, Estefânia Vangelie Ramos Campos, Gustavo Vinícius Munhoz-Garcia, Jhones Luiz de Oliveira, Felipe Franco de Oliveira, Giovanna Moura Silva e Leonardo Fernandes Fraceto.
Parte dos autores está vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável, referência na área. Coordenador do instituto, Fraceto destaca que o avanço tecnológico deve caminhar junto com a responsabilidade regulatória.
“A nanotecnologia tem enorme potencial para tornar a agricultura mais sustentável, mas isso depende de critérios claros de avaliação de risco e de uma regulação alinhada à complexidade desses materiais. Inovação e segurança precisam avançar juntas”, afirma o pesquisador.
Tendência é de crescimento com maior controle
Com a expansão acelerada do uso de nanotecnologia no agro, o setor deve avançar simultaneamente em inovação e governança. A consolidação desse mercado dependerá da construção de um ambiente regulatório sólido, capaz de garantir segurança, previsibilidade e confiança para produtores, indústria e consumidores.
Nesse cenário, a nanotecnologia se posiciona como uma das principais fronteiras tecnológicas do agronegócio, mas com o desafio claro de equilibrar ganhos de produtividade com responsabilidade ambiental e sanitária.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Semana do Aviador começa com debates sobre segurança e tecnologia no campo
A 2ª Semana do Aviador começou nesta sexta-feira (11), em Lucas do Rio Verde, com uma programação voltada ao mercado, à segurança operacional e à legislação da aviação agrícola. O evento segue até sábado (12), na pista do Show Safra, reunindo pilotos, empresas, produtores rurais, especialistas e representantes do poder público.
A abertura contou com a presença de Joci Piccini, presidente da Fundação Rio Verde, e de Rodrigo, diretor-executivo da entidade. Também participaram Cláudio Júnior Oliveira, diretor do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), e Omar, representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), produtores e autoriaades.
Realizada pela Fundação Rio Verde, a Semana do Aviador combina conteúdo técnico com demonstrações de aeronaves, equipamentos embarcados, acrobacias aéreas e voos panorâmicos. A proposta é aproximar profissionais, produtores e comunidade de uma atividade que ocupa posição estratégica no agronegócio brasileiro.
Na abertura, os debates trataram dos desafios enfrentados pelo setor, principalmente na formação dos profissionais, no cumprimento das normas e na adoção de procedimentos capazes de reduzir riscos durante as operações.
A aviação agrícola permite realizar aplicações em grandes áreas e dentro de janelas cada vez mais curtas. Em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, o recurso pode ser decisivo para controlar pragas e doenças antes que provoquem perdas expressivas.
A velocidade, porém, precisa estar acompanhada de planejamento, qualificação e respeito às condições meteorológicas e ambientais. Erros na escolha do produto, na regulagem dos equipamentos ou no momento da aplicação podem reduzir a eficiência, elevar custos e atingir áreas que não fazem parte da operação.
O debate ganha relevância especial em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de grãos e fibras e um dos principais mercados da aviação agrícola. O Brasil possui a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, resultado da expansão da produção e da necessidade de atender propriedades de grande extensão.
Além do conteúdo profissional, a programação busca apresentar a atividade à população. Demonstrações aéreas e outras atrações permitem que estudantes e moradores conheçam de perto as aeronaves e a tecnologia utilizada nas lavouras.
O Pensar Agro está entre os apoiadores da Semana do Aviador, ao lado da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro-MT).
Serviço
2ª Semana do Aviador
Data: 11 e 12 de setembro
Local: pista do Show Safra, em Lucas do Rio Verde (MT)
Fonte: Pensar Agro
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