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Nestlé Brasil projeta alta nas exportações de café solúvel em 2026

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A Nestlé Brasil projeta um crescimento de 27% nas exportações de café solúvel em 2026, impulsionado pela redução nos preços internacionais do café verde e pela retomada da demanda global. A expectativa da companhia é ultrapassar a marca de 20,2 mil toneladas embarcadas ao longo do ano.

Fábrica de Araras lidera produção e exportação

O avanço nas exportações é liderado pela unidade industrial de Araras (SP), responsável pela produção de Nescafé destinada ao mercado brasileiro e a outros 57 países.

Entre os principais destinos do produto estão Argentina, Canadá, Guatemala e Arábia Saudita, que concentram grande parte dos embarques. A unidade se consolidou como um dos principais polos exportadores da companhia no mundo.

De acordo com Marcelo Nascimento, vice-presidente de Supply Chain da Nestlé Brasil, o desempenho reforça o papel estratégico do país. “O Brasil não é apenas um grande produtor de café de alta qualidade, mas também um centro industrial relevante dentro da cadeia global do café solúvel”, destaca.

Formatos diversificados ampliam presença internacional

O café solúvel produzido no Brasil é exportado em diferentes formatos, atendendo às demandas específicas de cada mercado:

  • Produtos prontos para consumo, como sachês, vidros e latas;
  • Embalagens a granel (bulk), destinadas ao envase em fábricas de outras unidades da companhia no exterior.
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Essa flexibilidade contribui para ampliar a competitividade e a presença da marca nos mercados internacionais.

Cenário global favorece crescimento das exportações

A queda nos preços do café verde tem estimulado a demanda global por café solúvel, favorecendo a expansão das exportações brasileiras. Com a normalização gradual dos preços e a retomada do consumo, a expectativa é de continuidade desse movimento ao longo de 2026.

O cenário mantém o Brasil como um dos principais exportadores de café solúvel dentro das operações globais da companhia.

Tecnologia e inovação impulsionam eficiência industrial

A fábrica de Araras é considerada uma das mais modernas unidades de produção de café solúvel do mundo, reunindo tecnologias avançadas de automação e controle de processos.

Em 2025, a Nestlé anunciou investimento de cerca de R$ 1 bilhão até 2028 para modernização e ampliação da unidade. Entre as inovações adotadas, destacam-se:

  • Uso de Inteligência Artificial no Controle Avançado de Processo (APC), monitorando torra, umidade e coloração;
  • Ajustes em tempo real e predição de falhas operacionais;
  • Aplicação de IA generativa para análises preditivas e relatórios de tendências;
  • Tecnologias da Indústria 4.0, como Internet das Coisas (IoT), Machine Learning, Big Data, Cloud Computing, robótica autônoma e realidade aumentada/virtual.
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Esse conjunto tecnológico permite maior eficiência operacional, padronização da qualidade e competitividade internacional, mesmo em cenários de volatilidade do mercado.

Brasil ganha protagonismo na cadeia global do café solúvel

Combinando produção agrícola de qualidade e capacidade industrial avançada, o Brasil amplia sua relevância no mercado global de café solúvel. A expectativa de crescimento nas exportações em 2026 reforça o papel estratégico do país no fornecimento do produto para diferentes regiões do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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