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Novo centro de pesquisa em São Paulo aposta no milho para ampliar produção de etanol

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Milho entra na rota do etanol em São Paulo

O Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Etanol (CCD Etanol), recentemente aprovado pelo programa Cepid e financiado pela Fapesp, tem como objetivo fortalecer a pesquisa e o uso do milho como matéria-prima para etanol no estado de São Paulo. A instituição-sede será o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp.

Segundo o pesquisador responsável, Luis Augusto Barbosa Cortez, professor aposentado da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), o Brasil possui um modelo consolidado de produção de etanol, açúcar e bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar, mas a diversificação com milho representa uma oportunidade de otimizar a produção e reduzir impactos ambientais.

“Não se trata de substituir a cana, mas de combinar as duas matérias-primas. O milho produz farelo proteico que pode alimentar o gado e ainda contribuir para a produção de etanol durante o ano todo”, explica Cortez.

Comparativo entre cana e milho: produtividade e oportunidades

Atualmente, a produção de etanol nos Estados Unidos, majoritariamente a partir do milho, alcança 60 bilhões de litros por ano. No Brasil, são 38 milhões de litros, dos quais 75% provêm da cana e 25% do milho. Em São Paulo, ainda não há produção significativa de etanol a partir do milho.

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A cana-de-açúcar apresenta maior rendimento por hectare — cerca de 7 mil litros por hectare, contra 4,5 mil litros do milho — e possibilita cogeração de energia a partir do bagaço. Já o milho tem a vantagem do farelo proteico, que pode reduzir a área de pastagem necessária para a pecuária e incentivar a produção agrícola complementar.

“O gado ocupa cerca de 160 milhões de hectares no Brasil, um quinto da área total. Com o farelo do milho, podemos reduzir essa área e aumentar a eficiência da produção”, acrescenta Cortez.

Além disso, o milho permite que as usinas operem durante todo o ano e demanda investimento menor que a cana, utilizando grande parte dos equipamentos já existentes.

Estrutura do CCD Etanol e parcerias estratégicas

O CCD Etanol contará com uma equipe de dez pesquisadores, que serão selecionados até o final do ano. O projeto contará com apoio de órgãos estaduais, como a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Saasp), a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) e a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

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Entre as instituições de pesquisa associadas estão o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Embrapa Territorial, Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Instituto de Zootecnia (IZ) e Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP).

O projeto também prevê workshops e ações de convencimento junto a prefeituras, buscando parcerias para implementar políticas públicas que incentivem a produção de milho para etanol em São Paulo.

Objetivo: integrar cana e milho na produção de biocombustíveis

Com o lançamento do CCD Etanol, São Paulo pretende diversificar sua matriz de biocombustíveis, combinando cana e milho para aumentar a produção de etanol, otimizar o uso de pastagens e promover uma indústria mais sustentável e eficiente.

“Estamos comemorando os 50 anos do Proálcool com um modelo vencedor, mas a inovação continua com o milho, que poderá contribuir para a produção de etanol e proteína animal simultaneamente”, conclui Cortez.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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