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Novo protocolo sensorial da Embrapa traz padronização inédita para o chá-mate

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A cadeia produtiva da erva-mate dá um passo importante rumo à padronização e valorização do chá-mate brasileiro. A Embrapa Florestas acaba de lançar um protocolo sensorial prático, que simplifica o controle técnico e estabelece uma base científica para a classificação da bebida.

O material, resultado de anos de pesquisa, transforma o antigo “dicionário sensorial” anunciado em 2021 em uma ferramenta acessível, permitindo que o chá-mate siga os mesmos padrões de qualidade aplicados a produtos como o café e o vinho.

Da pesquisa à prática: ciência aplicada ao mercado

A principal diferença entre o artigo científico original e o novo documento está na aplicabilidade e acessibilidade. Enquanto a publicação inicial tinha foco acadêmico, com análises estatísticas complexas e linguagem técnica em inglês, o novo protocolo é um guia em português, de uso direto por profissionais da indústria, produtores e avaliadores sensoriais.

“Este léxico fornece um vocabulário padronizado para a indústria classificar e controlar a qualidade do chá-mate. Também pode apoiar programas de melhoramento e desenvolvimento de novos produtos”, explica Catie Godoy, pesquisadora responsável pelo estudo, desenvolvido em parceria com a Kansas State University, sob coordenação do professor Edgar Chambers, referência mundial em análises sensoriais.

Como funciona o novo protocolo sensorial

O novo léxico sensorial do chá-mate organiza 39 atributos em quatro categorias principais: aparência, aroma, sabor e gosto residual. Cada característica é acompanhada de referências físicas simples — como amido de milho, cacau em pó e frutas específicas — que facilitam o treinamento de equipes sem necessidade de equipamentos laboratoriais sofisticados.

Segundo a pesquisadora, “as terminologias são apresentadas de forma mais direta e simplificada, facilitando o uso no dia a dia e a uniformização das análises entre diferentes produtores e laboratórios”.

Ferramenta estratégica para indústria e especialistas

O novo protocolo traz vantagens competitivas para todos os elos da cadeia produtiva:

  • Sommeliers e provadores passam a contar com um vocabulário técnico padronizado, eliminando a subjetividade nas avaliações.
  • Compradores e indústrias ganham um instrumento confiável para categorização da matéria-prima e controle rigoroso de qualidade.
  • Empresas processadoras poderão ajustar processos de tostagem e secagem para garantir a consistência entre lotes, superando um dos principais gargalos históricos do setor.
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Antes, um chá-mate era descrito apenas como “forte”. Agora, é possível identificar com precisão notas de fumaça, amadeirado, cinzas ou vegetais escuros, que aparecem com frequência nas amostras analisadas.

Impactos positivos para o mercado e o consumidor

A publicação representa um marco de maturidade para o setor da erva-mate. Com o novo protocolo, o Brasil — maior produtor mundial — deixa de tratar o chá-mate como uma commodity e passa a oferecer uma experiência sensorial diferenciada, alinhada ao padrão das bebidas finas globais.

“O consumidor final é o principal beneficiado. Agora ele pode escolher um chá-mate mais amargo, adstringente ou com notas doces e aromáticas, sabendo exatamente o que esperar de cada marca”, destaca Catie Godoy.

Além disso, o documento abre espaço para inovação e diversificação de produtos, permitindo o desenvolvimento de chás com perfis únicos, como notas florais, frutadas ou de especiarias, ampliando o portfólio das indústrias.

Escala de avaliação e atributos sensoriais

Assim como o café possui protocolos próprios de pontuação, o sistema da Embrapa utiliza uma escala numérica de 0 a 15 para medir a intensidade de cada atributo, assegurando padronização entre diferentes laboratórios e países.

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Os 39 atributos definidos abrangem desde características visuais, como brilho e cor das folhas, até aromas e sabores complexos, entre eles:

  • Aromas: fumaça, amadeirado, cinzas, vegetal escuro, floral, gramíneas, doce, mofado/terroso e palha.
  • Sabores: amargo, doce, especiarias e empoeirado, além de sensações de adstringência e gosto metálico.
  • Gosto residual: amargo, doce, vegetal escuro, gramíneas e fumaça.
  • Textura: sensação de entorpecimento na boca, relacionada à intensidade do produto.

Esses parâmetros permitem que a bebida seja avaliada com o mesmo rigor técnico aplicado em análises sensoriais de outras cadeias consolidadas, como café e vinhos finos.

Erva-mate ganha novo status no cenário global

Com a introdução do protocolo sensorial, o setor da erva-mate passa a contar com uma base científica sólida para qualificação, padronização e diferenciação do chá-mate brasileiro.

O instrumento coloca o país em posição de destaque no mercado internacional, abrindo caminho para novos produtos premium e certificações de qualidade voltadas à exportação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Desmama orienta seleção genética e fortalece programas de melhoramento bovino no Brasil em 2026

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Os meses de março e abril representam uma das fases mais importantes dos programas de melhoramento genético bovino no Brasil: a desmama. Nesse período, propriedades rurais realizam a coleta de dados de peso e avaliação de características como conformação, precocidade, musculatura e pelame dos terneiros, informações fundamentais para a seleção de matrizes e reprodutores.

Desmama bovina é etapa-chave na avaliação de matrizes e terneiros

Segundo a superintendente de Registro da Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC), Silvia Freitas, a desmama permite avaliar simultaneamente o desempenho das vacas como matrizes e o potencial produtivo dos animais a partir do momento em que deixam de depender da mãe.

De acordo com ela, essa fase é essencial para compreender como cada matriz conduziu a cria até o desmame e para acompanhar de forma individual o desempenho dos terneiros.

Dados da desmama orientam seleção genética no rebanho

As informações coletadas nesse período servem de base para a definição de critérios mais precisos de seleção dentro dos programas de melhoramento.

A partir desses dados, os sistemas conseguem identificar fêmeas de reposição, machos com potencial para reprodução e animais destinados à produção de carne, aumentando a eficiência dos rebanhos.

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Silvia destaca que a qualidade das informações depende diretamente do rigor adotado em cada propriedade. Segundo ela, o processo exige responsabilidade e precisão para garantir maior eficiência econômica na seleção.

Projeto Crie, Avalie e Selecione amplia uso de dados zootécnicos

Em 2026, a etapa de desmama também marca o avanço do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo), com a consolidação inicial do projeto Crie, Avalie e Selecione, desenvolvido em parceria com o Sebrae.

A iniciativa é voltada a animais sem registro genealógico, mas que possuem controle zootécnico completo dentro das propriedades, incluindo identificação de pai, mãe e data de nascimento.

Avaliação comparativa reforça identificação de animais superiores

Com base nesses registros, é possível comparar animais criados sob as mesmas condições e identificar aqueles com melhor desempenho produtivo e genético.

Silvia explica que esse processo permite reconhecer indivíduos que apresentam maior ganho de peso e melhor conformação em relação aos demais, destacando seu potencial superior.

Projeto avança em 2026 com foco em eficiência produtiva

O projeto já teve uma etapa de avaliação realizada em abril e deve avançar para novas fases ao longo das próximas semanas.

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A expectativa é ampliar a geração e o uso de dados dentro das propriedades, contribuindo para uma seleção mais precisa de matrizes, identificação de animais superiores e melhor avaliação de reprodutores com desempenho produtivo destacado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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