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Especialista alerta para tentativas de descredibilizar o agronegócio brasileiro

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Segundo Alê Delara, consultor e palestrante, o agronegócio brasileiro tem sido alvo de críticas recorrentes que, na realidade, revelam desconhecimento estratégico mais do que análises fundamentadas.

“São ideias recorrentes, travestidas de crítica, que demonstram mais ignorância estratégica do que análise real de cenário. O agro brasileiro não é um setor periférico — é um instrumento de projeção internacional do país”, comenta Delara.

Agro brasileiro como ativo geopolítico

Em um contexto global marcado por crise alimentar, instabilidade logística e pressões ambientais, a capacidade do Brasil de produzir alimentos em larga escala tornou-se um importante ativo geopolítico. Dados da Embrapa e da Conab indicam que, entre 1990 e 2022, a produção agrícola brasileira cresceu mais de 400%, enquanto a área plantada avançou apenas 60%, resultado de tecnologia, eficiência e integração de sistemas produtivos.

Exportação e agregação de valor: além das commodities

O discurso de que o Brasil “só exporta commodities” ignora que a demanda global está centrada nesses produtos, além de desconsiderar a complexa cadeia agroindustrial nacional, que envolve processamento, logística, armazenagem e serviços.

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Para Delara, não há crescimento sustentável sem exportação, e a expansão do setor depende de uma estratégia internacional estruturada, que combine planejamento comercial, diplomacia técnica e narrativa institucional capaz de comunicar ao mundo o real valor do agro brasileiro.

Agro como alavanca de projeção nacional

“Está na hora de parar de pedir desculpas por sermos fortes. O agro não deve ser tratado como um problema a ser tolerado, mas como uma alavanca de projeção nacional. Precisamos deixar de lado o complexo de colônia e assumir o protagonismo que já exercemos na prática. Quem alimenta o mundo não negocia com timidez — negocia com visão, presença e projeto”, conclui Delara.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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