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Paralisação do governo dos EUA adia relatório do USDA e amplia incertezas sobre soja, milho e trigo, avalia Hedgepoint

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O tradicional relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), conhecido como WASDE, não será publicado neste mês de outubro. O motivo é o “shutdown” do governo norte-americano, resultado da falta de acordo sobre o orçamento federal.

Segundo analistas, o adiamento deve empurrar a próxima divulgação para novembro, como já ocorreu entre janeiro e fevereiro de 2019. Apesar da pausa, o mercado segue projetando possíveis ajustes nos números de soja, milho e trigo da safra 2025/26.

De acordo com Luiz Fernando Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o relatório de outubro costuma consolidar os dados finais da safra 2024/25 e definir os estoques iniciais da temporada 2025/26, com potencial para alterar significativamente o cenário de oferta e demanda global.

Estoques do USDA: milho em alta e soja estável

O relatório de estoques trimestrais do USDA, divulgado em 30 de setembro, trouxe resultados mistos.

  • Milho: os estoques totalizaram 1,532 bilhão de bushels, alta de 15% frente às expectativas de mercado, configurando um cenário baixista.
  • Soja: o volume ficou em 316 milhões de bushels, 2% abaixo do previsto, o que gerou uma interpretação neutra.
  • Trigo: registrou 2,120 bilhões de bushels, 4% acima das expectativas, também com viés levemente baixista.

Mesmo com as variações, os estoques de todos os grãos ficaram abaixo dos níveis observados no mesmo período de 2024, em linha com o esperado pelos analistas.

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O USDA também revisou levemente as produções norte-americanas:

  • Milho 2024/25: de 14,867 para 14,892 bilhões de bushels (+0,16%);
  • Soja 2024/25: de 4,366 para 4,374 bilhões de bushels (+0,18%);
  • Trigo 2025/26: de 1,927 para 1,985 bilhão de bushels (+3%).
Soja: relatório neutro com incertezas sobre demanda

Para a soja, o mercado esperava pequenos cortes na produtividade devido à piora nas condições das lavouras em setembro. A expectativa média era de 53,2 bushels por acre, queda de 0,6% frente ao número anterior.

Com isso, a produção da safra 2025/26 poderia recuar de 117,1 para 116,2 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais tenderiam a cair levemente, de 8,2 para 8,1 milhões de toneladas.

Segundo Roque, o tom do relatório seria neutro, com o mercado atento à demanda chinesa e às tensões comerciais entre EUA e China. “Diante do adiamento, as estimativas devem se acumular até que novas informações sejam divulgadas”, afirmou o analista.

Milho: expectativa de relatório baixista com aumento dos estoques

No caso do milho, os ajustes esperados eram mais significativos. A produtividade média das lavouras dos EUA poderia cair de 186,7 para 185 bushels por acre (-0,9%), reduzindo a produção estimada de 427,1 para 422,8 milhões de toneladas (-1%).

Mesmo com essa queda, o mercado previa estoques finais maiores, subindo de 53,6 para 56,7 milhões de toneladas (+5,7%), impulsionados pelos estoques iniciais mais altos trazidos do ciclo anterior.

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“O aumento dos estoques poderia reforçar o tom baixista do relatório, pressionando ainda mais as cotações”, destacou Roque, lembrando que a ausência do WASDE de outubro adia o impacto dessas projeções para novembro.

Trigo: pressão global e avanço russo pesam nas projeções

O mercado também esperava que o relatório de outubro indicasse estoques finais maiores para o trigo norte-americano, impulsionados por redução nas exportações e maior competitividade da Rússia — que deve ampliar sua participação no mercado internacional diante de produção elevada e preços mais baixos.

As projeções apontavam para 23,8 milhões de toneladas de estoques finais nos EUA (+3,7%) e 265,7 milhões de toneladas no cenário global (+0,6%).

“Com os estoques em alta, tanto no mercado doméstico quanto mundial, o tom esperado para o trigo era levemente baixista”, afirmou o especialista da Hedgepoint.

Perspectivas: mercado acumula incertezas até o relatório de novembro

Com o shutdown paralisando temporariamente o USDA, o mercado agrícola global opera em um cenário de incertezas. As tendências antecipadas pela Hedgepoint sugerem que soja deve manter estabilidade, milho tende à pressão baixista, e o trigo pode registrar leve enfraquecimento nos preços internacionais.

Até a retomada das atividades do governo norte-americano, as expectativas permanecem em compasso de espera, com foco nas condições climáticas, estoques de transição e ritmo das exportações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Frigoríficos voltam às compras e boi gordo reage em parte do país

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A necessidade de completar as escalas de abate levou frigoríficos a aumentar as compras de gado e abriu espaço para a recuperação da arroba em algumas regiões. O movimento foi mais evidente em Goiás e Mato Grosso do Sul, mas ainda não representa uma alta generalizada do boi gordo no país.

Em Goiânia, a arroba a prazo encerrou a quinta-feira, 16, em R$ 320, alta semanal de 1,59%. Em Dourados, o preço chegou a R$ 325, avanço de 1,56%. São Paulo permaneceu em R$ 330, enquanto Cuiabá ficou em R$ 320 e Uberaba, em R$ 310. Em Vilhena, na contramão, houve queda para R$ 310.

A diferença entre as praças mostra que o poder de negociação continua ligado à situação de cada frigorífico. Empresas com escalas mais curtas aceitaram pagar mais para garantir animais, enquanto unidades abastecidas mantiveram as ofertas.

A continuidade da reação dependerá principalmente da disponibilidade de gado terminado e do ritmo de abate. Se a indústria voltar a alongar as escalas, a pressão compradora poderá diminuir.

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O mercado também acompanha os efeitos da cota criada pela China para a carne brasileira. Em 2026, até 1,106 milhão de toneladas podem entrar no país asiático sem a tarifa adicional de 55%. Frigoríficos e analistas já consideram o limite comprometido por cargas entregues e produtos ainda em trânsito.

A restrição não impede novos embarques, mas torna as vendas que ultrapassarem a cota menos competitivas. Como a China é o principal destino da carne bovina brasileira, uma redução das compras poderá limitar a capacidade dos frigoríficos de sustentar preços maiores pela arroba.

Por enquanto, as exportações totais continuam fortes. Até a segunda semana de julho, o Brasil embarcou 104,7 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com receita de US$ 668,1 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

Na comparação com julho do ano passado, a média diária exportada cresceu 8,7%. O preço médio avançou 15%, para US$ 6.382 por tonelada, e ajudou a elevar em 25% a receita diária.

No mercado interno, o comportamento dos cortes foi desigual. O quarto dianteiro caiu para R$ 19 por quilo, enquanto o traseiro subiu para R$ 26. A perda de força do consumo na segunda quinzena e a concorrência da carne de frango dificultam reajustes mais amplos.

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Para o pecuarista, o momento é de acompanhar as escalas e comparar ofertas. A arroba encontrou sustentação onde a indústria precisou comprar, mas a reação ainda depende de uma oferta controlada de animais e da capacidade dos exportadores de compensar a provável redução dos negócios com a China.

Fonte: Pensar Agro

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