AGRONEGÓCIO
Paraná avança na proteção de rios e lagos com projeto científico de monitoramento ambiental
AGRONEGÓCIO
Projeto NAPI monitora saúde de rios, lagos e reservatórios
O NAPI Biodiversidade: Serviços Ecossistêmicos, desenvolvido com apoio da Fundação Araucária, vem realizando estudos detalhados sobre a saúde dos ambientes aquáticos continentais no Paraná. O projeto promove a integração entre ciência e sociedade, buscando soluções para conservar os recursos naturais essenciais à vida e à economia regional.
Rios, lagos e reservatórios são vitais para a sobrevivência de comunidades humanas e da biodiversidade. Eles regulam ciclos climáticos, armazenam carbono, sustentam atividades econômicas e fornecem alimento. No entanto, a poluição, excesso de nutrientes, espécies exóticas e mudanças no uso do solo colocam esses ecossistemas sob crescente pressão. A ONU estima que mais de 80% das águas residuais retornam à natureza sem tratamento, comprometendo a qualidade da água e a saúde ambiental.
Monitoramento abrangente da biodiversidade e qualidade da água
O NAPI desenvolveu protocolos que analisam diferentes indicadores ambientais, incluindo:
- Biodiversidade de fitoplâncton, zooplâncton, macroinvertebrados e peixes;
- Qualidade da água, como fósforo, nitrogênio, oxigênio dissolvido e transparência;
- Contaminantes e microplásticos em organismos aquáticos;
- Dados da pesca profissional e amadora.
Entre os resultados recentes, destaca-se a identificação de espécies de algas que afetam a qualidade da água em algumas bacias, especialmente na região noroeste do estado. Também foram detectados microplásticos e contaminantes em peixes, indicando riscos à fauna e ao consumo humano.
Pesca sustentável e impacto econômico
O projeto acompanha a atividade pesqueira, registrando tanto a pesca profissional, que abastece comunidades e mercados locais, quanto a pesca amadora, prática de lazer com crescente relevância econômica.
Os dados obtidos permitem avaliar a pressão sobre os estoques pesqueiros e apoiar o manejo sustentável, contribuindo para decisões mais eficazes sobre conservação e uso dos recursos aquáticos.
Ciência e gestão pública para proteger ecossistemas
De acordo com Claudia Bonecker, coordenadora do projeto e pesquisadora da Universidade Estadual de Maringá (UEM):
“O monitoramento contínuo da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos nos ajuda a antecipar riscos, reduzir impactos e apoiar decisões sobre gestão da água e da pesca. Isso protege não apenas os rios e peixes, mas também a segurança alimentar, a economia e a qualidade de vida das comunidades.”
Mais do que conservar os ambientes aquáticos, o NAPI permite acompanhar transformações da paisagem, antecipar ameaças à biodiversidade e fortalecer a resiliência dos ecossistemas de água doce. A iniciativa posiciona o Paraná como referência nacional em inovação e conservação ambiental.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor
Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.
A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.
Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.
Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.
“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.
Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.
A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.
A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.
“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.
A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.
Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.
As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.
Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.
Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.
Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.
Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.
“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.
Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.
No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.
A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.
A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.
O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.
Fonte: Pensar Agro
-
ESPORTES6 dias atrásSão Paulo perde para o Boca Juniors por 1 a 0 na Bombonera pelas quartas da Sul-Americana
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásExpointer movimenta R$ 6,2 bilhões e máquinas puxam avanço de 40%
-
POLÍTICA NACIONAL6 dias atrásCinco medidas provisórias perderam eficácia no final de agosto
-
POLÍTICA NACIONAL6 dias atrásSancionado, com vetos, reajuste de custas processuais da Justiça Federal
-
AGRONEGÓCIO5 dias atrásSoja mais cara devolve fôlego à compra de fertilizantes
-
AGRONEGÓCIO5 dias atrásAgro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões
-
POLÍTICA6 dias atrásPedro Longo cobra solução para pacientes de Feijó e Tarauacá que precisam viajar até Cruzeiro do Sul para fazer hemodiálise
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco apoia 12ª edição do Cultura na Praça e fortalece economia local