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Paraná registra cinco superávits comerciais desde 2019 e iguala marca da década anterior

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O Paraná atingiu cinco anos com superávit na balança comercial desde 2019, igualando o total registrado nos nove anos anteriores, segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), compilados a partir da Secretaria de Comércio Exterior do governo federal. Entre janeiro e setembro de 2025, o saldo positivo chegou a US$ 2,1 bilhões, com exportações de US$ 17,7 bilhões e importações de US$ 15,6 bilhões.

Histórico recente da balança comercial

O estado manteve superávit em 2019, com US$ 1,9 bilhão, e em 2020, durante o início da pandemia de Covid-19, o saldo positivo subiu para US$ 4,3 bilhões. Entre 2021 e 2023, o comércio exterior paranaense continuou em expansão:

  • 2021: exportações de US$ 19 bilhões e importações de US$ 16,9 bilhões, superávit de US$ 2 bilhões;
  • 2022: devido à guerra na Ucrânia, importações superaram exportações (US$ 22,4 bilhões x US$ 22,1 bilhões), gerando déficit;
  • 2023: superávit de US$ 7,1 bilhões, com exportações recordes de US$ 25,2 bilhões;
  • 2024: superávit de US$ 3,7 bilhões, com exportações de US$ 23,3 bilhões e importações de US$ 19,6 bilhões.
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Segundo Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes, “os sucessivos superávits refletem a competitividade das empresas paranaenses, apoiadas por infraestrutura de escoamento fornecida pelo governo estadual. As exportações são diversificadas, incluindo alimentos e produtos de alto valor agregado, como automóveis, tratores e caminhões”.

Tendências para 2025 e diversificação de mercados

Em 2025, o Paraná segue com exportações em maior volume do que importações. Até setembro, os produtos do estado alcançaram 209 destinos internacionais, com crescimento em países como Argentina, Índia e Irã, enquanto a participação de Estados Unidos e China diminuiu.

Principais produtos e expansão de setores

Soja em grão: passou de 26,9% do total em 2024 para 20,9% em 2025;

  • Carne de frango “in natura”: de 15,7% em 2024 para 14,8% em 2025;
  • Cereais: participação subiu de 1,7% para 3,5%, aumento de 95,9%;
  • Automóveis: de 2,1% para 3,7%, crescimento de 69,6%;
  • Carne suína e óleo de soja bruto: cada um com fatia de 2,4%, crescimento superior a 50%.
Ampliação de mercados internacionais

Entre 2019 e 2025, o Paraná conquistou novos mercados, chegando a 206 destinos no primeiro semestre de 2025, incluindo países tradicionais, como Estados Unidos, Alemanha e China, e mercados emergentes, como Moldávia, Vanuatu, Laos, Madagascar e Camarões.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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