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Pecuária brasileira aumenta produtividade e evita ocupação de 423 milhões de hectares, aponta estudo

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A pecuária de corte brasileira vem consolidando nas últimas décadas um avanço expressivo em produtividade, eficiência e uso racional da terra. Um levantamento da Athenagro aponta que os ganhos tecnológicos registrados entre 1990 e 2025 permitiram ao Brasil evitar, de forma teórica, a ocupação de aproximadamente 423 milhões de hectares para sustentar o atual nível de produção de carne bovina.

O estudo reforça que o crescimento da pecuária nacional ocorreu principalmente por meio do aumento da produtividade, da intensificação dos sistemas produtivos e da adoção de tecnologias no campo, e não apenas pela abertura de novas áreas de pastagem.

Segundo Maurício Palma Nogueira, o chamado “efeito poupa terra” se tornou um dos principais indicadores para avaliar a evolução da eficiência da pecuária brasileira, especialmente em um momento de maior atenção internacional sobre sustentabilidade e produção agropecuária.

Produção cresceu enquanto área de pastagem permaneceu mais estável

O levantamento da Athenagro mostra a evolução simultânea da produção de carne bovina, da área total de pastagens e da área teoricamente poupada de desmatamento graças ao aumento da produtividade pecuária ao longo das últimas décadas.

De acordo com os dados apresentados, a produção brasileira de carne bovina avançou de forma consistente desde os anos 1990, enquanto a área efetiva de pastagens seguiu uma trajetória relativamente estável.

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Na prática, isso significa que o país conseguiu produzir mais carne em uma área proporcionalmente menor, graças à adoção de genética, manejo de pastagens, suplementação nutricional, integração lavoura-pecuária e novas tecnologias aplicadas à produção animal.

O gráfico elaborado pela consultoria mostra que a área poupada cresceu continuamente ao longo da série histórica, chegando a 397 milhões de hectares em 2024 e alcançando 423 milhões de hectares em 2025.

Sem ganho de produtividade, pecuária exigiria 583 milhões de hectares

O estudo destaca que o cálculo do efeito poupa terra é feito a partir de uma comparação teórica. A análise considera qual seria a área necessária para produzir o atual volume de carne bovina caso a produtividade permanecesse no mesmo patamar observado no início dos anos 1990.

Segundo a projeção da consultoria, sem os avanços tecnológicos incorporados ao setor nas últimas décadas, a pecuária brasileira precisaria ocupar cerca de 583 milhões de hectares para atingir o mesmo nível de produção registrado atualmente.

O número evidencia o impacto da intensificação produtiva na eficiência do uso da terra e no fortalecimento da competitividade da carne bovina brasileira no mercado global.

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Debate ambiental ganha força às vésperas da COP de Belém

Com a aproximação da COP30, que será realizada em Belém, os dados relacionados à sustentabilidade da agropecuária brasileira ganharam ainda mais relevância no debate público e internacional.

Segundo Maurício Palma Nogueira, as informações sobre o efeito poupa terra frequentemente geram debates e questionamentos de grupos ambientalistas. Ele ressalta, no entanto, que o indicador não deve ser interpretado como uma medida direta de combate ao desmatamento.

O objetivo da análise, segundo o especialista, é demonstrar que a expansão da produção pecuária brasileira ocorreu principalmente apoiada em ganhos de eficiência produtiva e tecnológica.

Tecnologia transforma a pecuária brasileira

Nos últimos anos, a pecuária nacional acelerou investimentos em manejo intensivo, recuperação de pastagens degradadas, confinamento, integração lavoura-pecuária-floresta e melhoramento genético.

Esse movimento tem permitido aumento da produtividade por hectare, maior oferta de proteína animal e avanço da competitividade brasileira no mercado internacional, sem crescimento proporcional da área ocupada pela atividade.

O cenário reforça o papel da tecnologia como principal vetor de transformação da pecuária brasileira, em um contexto de crescente demanda mundial por alimentos e pressão por sistemas produtivos mais sustentáveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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El Niño ameaça oferta global de trigo e óleo de palma e pode elevar preços das commodities agrícolas

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A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 recoloca o clima no centro das atenções do mercado agrícola internacional. O fenômeno poderá alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de importantes commodities, especialmente trigo e óleo de palma, ampliando a volatilidade dos preços e exigindo atenção redobrada dos agentes do agronegócio.

Análise da Hedgepoint Global Markets aponta que os impactos climáticos tendem a ser distintos entre os principais países produtores. Enquanto a Austrália poderá enfrentar perdas significativas na produção de trigo, Estados Unidos e Argentina podem registrar ganhos produtivos. Já no mercado de óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados na Indonésia e na Malásia, responsáveis pela maior parte da produção mundial.

Austrália concentra os maiores riscos para o trigo

Entre os grandes exportadores mundiais de trigo, a Austrália é considerada a região mais vulnerável aos efeitos do El Niño.

Historicamente, o fenômeno provoca redução das chuvas e temperaturas acima da média durante fases decisivas do desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões produtoras do oeste e do sudeste australiano.

Esse cenário aumenta o risco de déficit hídrico, compromete o enchimento dos grãos e reduz tanto a produtividade quanto a qualidade da safra.

Como a Austrália ocupa posição estratégica nas exportações globais de trigo, qualquer redução relevante na produção costuma repercutir rapidamente nas bolsas internacionais, influenciando os preços e as expectativas do mercado.

Estados Unidos e Argentina podem compensar parte das perdas

Enquanto o clima tende a dificultar a produção australiana, o El Niño normalmente proporciona condições mais favoráveis em outras regiões produtoras.

Nos Estados Unidos, principalmente nas áreas produtoras de trigo de inverno das Grandes Planícies, o aumento da regularidade das chuvas favorece a recuperação da umidade do solo, reduzindo o risco de estiagens durante o ciclo da cultura.

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Embora ocorram episódios isolados de excesso de precipitação, o histórico indica que o impacto líquido costuma ser positivo para a produção norte-americana.

A Argentina também figura entre os países que tradicionalmente se beneficiam do fenômeno.

A maior frequência das chuvas melhora o estabelecimento das lavouras, favorece o desenvolvimento vegetativo e contribui para o enchimento dos grãos, elevando o potencial produtivo do cereal.

Após temporadas marcadas por seca, o El Niño costuma impulsionar a recuperação da safra argentina, ampliando sua capacidade de exportação e fortalecendo sua participação no comércio internacional.

Produção de óleo de palma pode sofrer impactos mais fortes em 2027

Além do trigo, o mercado acompanha atentamente os possíveis efeitos do El Niño sobre o óleo de palma.

A commodity apresenta elevada sensibilidade às condições climáticas do Sudeste Asiático, onde Indonésia e Malásia concentram aproximadamente 80% da produção mundial.

O fenômeno normalmente provoca redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e aumento do estresse hídrico nas áreas produtoras.

No entanto, diferentemente das culturas anuais, os impactos sobre as palmeiras costumam aparecer de forma gradual.

A seca compromete a formação dos cachos e o desenvolvimento fisiológico das plantas, fazendo com que as maiores perdas de produção sejam observadas entre seis e doze meses após o pico do fenômeno climático.

Por esse motivo, os efeitos mais relevantes sobre a oferta mundial de óleo de palma deverão ocorrer ao longo de 2027.

Mercado de óleos vegetais pode sentir reflexos da menor oferta

Uma eventual redução na produção de óleo de palma tende a provocar efeitos em toda a cadeia global de óleos vegetais.

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Com menor disponibilidade da commodity, indústrias e consumidores normalmente intensificam a demanda por produtos substitutos, como:

  • óleo de soja;
  • óleo de canola;
  • óleo de girassol.

Esse movimento pode elevar os preços de todo o complexo de óleos vegetais, aumentando a competição entre os segmentos de alimentos, biocombustíveis e aplicações industriais.

Intensidade do El Niño será decisiva para os preços internacionais

De acordo com Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do mercado dependerá da intensidade do fenômeno e do equilíbrio entre as perdas registradas na Austrália e os ganhos produtivos nas Américas.

Segundo o especialista, eventos de El Niño mais intensos costumam sustentar as cotações internacionais do trigo devido à relevância da Austrália nas exportações globais. Já no caso do óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados no Sudeste Asiático, onde a redução da oferta poderá se tornar mais evidente ao longo de 2027.

Clima seguirá como principal fator para os mercados agrícolas

A perspectiva de retorno do El Niño reforça que as condições climáticas continuarão sendo um dos principais direcionadores dos mercados agrícolas nos próximos meses.

Além de influenciar a produção mundial de trigo e óleo de palma, o fenômeno poderá alterar fluxos comerciais, estoques globais e estratégias de comercialização, aumentando a volatilidade das commodities e exigindo monitoramento constante por parte de produtores, exportadores e investidores do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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