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Petróleo despenca com reabertura do Estreito de Ormuz e pressiona commodities agrícolas no mercado global
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Reabertura do Estreito de Ormuz derruba petróleo no mercado internacional
Os preços do petróleo registraram forte queda nesta sexta-feira (17), após a confirmação da reabertura do Estreito de Ormuz pelo governo do Irã. A notícia teve impacto imediato nos mercados globais, ampliando a percepção de aumento na oferta e redução de riscos logísticos na região.
Por volta das 10h20 (horário de Brasília), os contratos futuros do WTI recuavam cerca de 11%, enquanto o Brent caía mais de 10%, com os barris cotados a US$ 84,23 e US$ 89,35, respectivamente.
Além da reabertura da rota estratégica, o movimento também reflete a expectativa crescente de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, o que contribui para aliviar tensões geopolíticas e pressionar as cotações da commodity.
Queda do petróleo arrasta complexo soja e amplia perdas em Chicago
O recuo expressivo do petróleo impactou diretamente o complexo soja, especialmente o óleo de soja, que liderou as perdas na Bolsa de Chicago.
Os contratos mais negociados registravam queda próxima de 3%, com o vencimento de julho sendo cotado a 67,12 cents de dólar por libra-peso. A pressão sobre o óleo acabou refletindo também nos preços do grão, que operavam em baixa.
A soja apresentava recuos entre 4,25 e 5,25 pontos nos principais vencimentos, com o contrato de maio cotado a US$ 11,58 e o de julho a US$ 11,75 por bushel.
Milho, trigo e soft commodities acompanham movimento de baixa
Além da soja, outras commodities agrícolas também registraram perdas no mercado internacional.
O milho apresentava queda superior a 1%, enquanto o trigo recuava quase 2% na Bolsa de Chicago. Já na Bolsa de Nova York, os contratos futuros de café arábica e açúcar registravam perdas próximas de 2%, enquanto o algodão caía cerca de 0,7%.
O movimento generalizado de baixa reflete o ajuste dos mercados diante da nova dinâmica no petróleo e do ambiente geopolítico.
Geopolítica segue no radar e influencia mercados globais
A reabertura do Estreito de Ormuz ocorre em um momento de intensas movimentações diplomáticas. Além das negociações entre Estados Unidos e Irã, o cenário também inclui avanços no Oriente Médio, como o cessar-fogo entre Líbano e Israel.
A expectativa por novos acordos internacionais contribui para a redução dos prêmios de risco, impactando diretamente os preços das commodities energéticas e agrícolas.
Soja apresenta comportamento misto com pressão da demanda externa
Apesar da forte queda nesta sexta-feira, o mercado da soja vinha apresentando comportamento misto nos dias anteriores, influenciado por fatores distintos.
Na Bolsa de Chicago, os contratos mais curtos foram pressionados pelo desempenho fraco das exportações semanais, que totalizaram 247,9 mil toneladas, uma queda de 16% em relação à semana anterior. A baixa participação da China, com apenas 15,8 mil toneladas adquiridas, também pesou sobre as cotações.
Além disso, a redução das áreas sob seca nos Estados Unidos favoreceu o avanço do plantio, aumentando a pressão sobre os preços.
Óleo de soja sustentava mercado antes da queda recente
Antes do movimento de baixa generalizada, o óleo de soja vinha atuando como fator de sustentação dos preços, impulsionado por esmagamento recorde e estoques mais apertados.
Esse cenário ajudava a limitar as perdas nos contratos mais longos da soja, evidenciando a importância dos derivados na formação de preços do complexo.
Safra brasileira avança com desafios regionais e custos elevados
No Brasil, a colheita da soja avança de forma desigual entre os estados, refletindo condições climáticas e limitações estruturais.
No Rio Grande do Sul, os trabalhos alcançam cerca de metade da área, com produtividade média de 2.871 kg por hectare, mas com forte variação entre regiões. Em Santa Catarina, o ritmo é mais lento, impactado por dificuldades de armazenagem e escoamento.
No Paraná, apesar da produção recorde estimada em 22 milhões de toneladas, os produtores enfrentam margens apertadas devido ao câmbio e aos custos logísticos.
Centro-Oeste enfrenta gargalos logísticos e pressão sobre rentabilidade
Nos estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a safra recorde evidencia problemas estruturais, especialmente na armazenagem.
A falta de capacidade para estocagem força a comercialização imediata da produção, elevando custos de transporte e reduzindo a rentabilidade do produtor, mesmo em um cenário de alta produtividade.
Mercado segue volátil com influência do petróleo e da geopolítica
O cenário atual reforça a forte correlação entre o mercado de energia e as commodities agrícolas. A queda abrupta do petróleo, aliada às mudanças no ambiente geopolítico e aos fundamentos de oferta e demanda, mantém a volatilidade elevada.
Para os próximos dias, o mercado deve seguir atento aos desdobramentos internacionais e aos indicadores de demanda, que continuarão sendo determinantes para a formação dos preços globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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