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Plano de Transformação Ecológica mobiliza mais de R$ 500 bilhões para impulsionar financiamento sustentável no Brasil

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O Plano de Transformação Ecológica (PTE) já mobilizou mais de R$ 500 bilhões em financiamento sustentável desde seu lançamento, em 2023, consolidando-se como uma das principais estratégias do governo federal para ampliar investimentos em projetos de baixo carbono, inovação tecnológica e infraestrutura sustentável no Brasil.

O balanço mais recente, divulgado pelo Ministério da Fazenda, mostra que o programa conseguiu expandir o acesso a recursos públicos e atrair capital privado para financiar iniciativas voltadas à transição energética, indústria verde, logística sustentável, preservação ambiental e adaptação às mudanças climáticas.

Segundo a pasta, a meta é criar um ambiente econômico capaz de estimular investimentos de longo prazo, fortalecer a competitividade do país e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.

Recursos públicos fortalecem financiamento da economia verde

Entre os principais resultados do programa está a ampliação das fontes públicas de financiamento sustentável.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o governo captou US$ 5,5 bilhões por meio da emissão de títulos verdes (green bonds), instrumentos financeiros destinados exclusivamente ao financiamento de projetos com benefícios ambientais e sociais.

Os recursos foram direcionados ao Fundo Clima, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por apoiar projetos de mitigação dos impactos climáticos e adaptação às mudanças do clima.

Desde 2020, o volume de recursos disponíveis no Fundo Clima aumentou mais de 300 vezes, alcançando atualmente cerca de R$ 27 bilhões destinados ao financiamento de iniciativas como:

  • Transição energética;
  • Indústria de baixo carbono;
  • Desenvolvimento sustentável;
  • Preservação de florestas;
  • Gestão de recursos hídricos;
  • Máquinas e equipamentos sustentáveis;
  • Mobilidade e logística verde.
Ciência e inovação recebem reforço de investimentos

Outro destaque do Plano de Transformação Ecológica foi o fortalecimento dos fundos voltados à ciência, tecnologia e inovação.

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Após a descontingenciação dos recursos, os programas passaram a financiar projetos de elevado risco tecnológico e inovação, especialmente aqueles que ainda não alcançaram escala comercial.

Segundo o levantamento, os empenhos destinados a essas iniciativas chegaram a R$ 30,7 bilhões em 2025, ampliando o apoio ao desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a economia verde.

Além disso, recursos provenientes de fundos climáticos internacionais também passaram a ser disponibilizados para estados e municípios, permitindo investimentos em infraestrutura resiliente e adaptação climática.

Capital privado ganha protagonismo com o Eco Invest

No eixo voltado à participação da iniciativa privada, o programa destaca os resultados do Eco Invest, mecanismo criado para ampliar a participação de investidores nacionais e internacionais em projetos sustentáveis.

Utilizando recursos públicos como capital catalisador, a iniciativa conseguiu mobilizar aproximadamente R$ 140 bilhões em investimentos privados.

O modelo busca reduzir o custo do crédito e minimizar os riscos associados à volatilidade cambial, aumentando a atratividade de grandes projetos estruturantes.

Até o momento, quatro leilões foram realizados dentro do programa, permitindo o avanço de empreendimentos voltados à transição ecológica.

Plataforma conecta investidores a projetos sustentáveis

Outra iniciativa implementada pelo governo foi a criação da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos (BIP), destinada a aproximar investidores de projetos com potencial de financiamento.

Segundo o Ministério da Fazenda, a plataforma reúne atualmente 22 projetos em diferentes áreas da economia verde, com previsão de captar mais de US$ 26 bilhões em investimentos.

O objetivo é ampliar a visibilidade dos projetos brasileiros junto ao mercado financeiro internacional e facilitar a estruturação de operações sustentáveis.

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Debêntures incentivadas ampliam financiamento empresarial

O setor privado também intensificou a emissão de debêntures incentivadas, títulos utilizados por empresas para captar recursos destinados a projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Entre 2023 e 2026, as emissões somaram aproximadamente R$ 396 bilhões, reforçando o papel do mercado de capitais no financiamento da transição ecológica brasileira.

Marco regulatório busca ampliar segurança para investidores

Além da mobilização financeira, o Plano de Transformação Ecológica avançou na construção de um ambiente regulatório voltado à segurança jurídica e previsibilidade dos investimentos.

Entre as principais medidas estão a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) e o desenvolvimento da Taxonomia Sustentável Brasileira, que estabelece critérios para identificar atividades, ativos e projetos ambiental e socialmente sustentáveis.

Também integram o conjunto de medidas estruturantes o Marco Legal do Hidrogênio de Baixa Emissão, a Lei do Combustível do Futuro e a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, consideradas fundamentais para ampliar a competitividade do Brasil na economia de baixo carbono.

Economia sustentável deve ampliar investimentos nos próximos anos

Com a combinação entre financiamento público, capital privado e modernização do ambiente regulatório, o Plano de Transformação Ecológica busca consolidar o Brasil como um dos principais destinos para investimentos sustentáveis.

A expectativa do governo é que a ampliação dos mecanismos financeiros e das políticas voltadas à economia verde continue impulsionando projetos de infraestrutura, inovação, energia limpa e desenvolvimento sustentável, fortalecendo a competitividade do país e criando novas oportunidades para diversos setores produtivos, incluindo o agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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