AGRONEGÓCIO
Preços do café registram leve recuperação após quedas intensas em bolsas internacionais
AGRONEGÓCIO
Café inicia o dia com ganhos moderados após forte recuo
Os contratos futuros do café mostraram recuperação moderada na manhã desta quarta-feira (18), após registrarem quedas acentuadas na sessão anterior. O mercado segue volátil, acompanhando indicadores de oferta global e ajustes técnicos nos contratos.
Corretores internacionais apontam que o aumento dos diferenciais de preço, ou prêmios sobre os futuros nos países exportadores, sugere que a recente desvalorização nos contratos pode ter sido excessiva, criando espaço para recompras e sustentação dos valores no curto prazo.
Produção recorde no Brasil pressiona os preços
O mercado tem sido impactado pelas expectativas de uma safra recorde de café no Brasil. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, a produção brasileira em 2026 deve atingir 66,2 milhões de sacas, alta de 17,2% em relação a 2025.
Dentro desse total, a produção de arábica deve crescer 23,2%, chegando a 44,1 milhões de sacas, enquanto a de robusta aumenta 6,3%, alcançando 22,1 milhões de sacas. Esses números reforçam a pressão sobre os contratos futuros, especialmente após três semanas de quedas consecutivas.
Oscilações nos contratos de arábica e robusta
Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o café arábica registrava leve recuperação:
- Março/26: 284,40 cents/lbp, queda de 20 pontos
- Maio/26: 283,55 cents/lbp, alta de 45 pontos
- Julho/26: 280,05 cents/lbp, aumento de 50 pontos
O café robusta também apresentou valorização nos principais contratos:
- Março/26: US$ 3.725/tonelada, alta de US$ 44
- Maio/26: US$ 3.669/tonelada, avanço de US$ 50
- Julho/26: US$ 3.587/tonelada, ganho de US$ 48
Esses movimentos indicam um ajuste técnico no mercado, em meio a dados sobre a oferta global e ao comportamento dos prêmios nos países exportadores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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