AGRONEGÓCIO
Preços do milho no Brasil: colheita avança, mas mercado segue pressionado
AGRONEGÓCIO
O mercado de milho no Brasil apresenta comportamento misto, com leve valorização em algumas regiões e pressões de baixa em outras. A colheita avança, mas fatores como competitividade do milho americano, ritmo de embarques e condições climáticas continuam influenciando os preços.
Situação por estado: preços regionais do milho
- Rio Grande do Sul:
- Segundo a TF Agroeconômica, o mercado local mantém cotações estáveis. Em Santa Rosa e Ijuí, o preço gira em torno de R$ 65,00 por saca, enquanto em Marau, Gaurama e Seberi chega a R$ 67,00. No porto, o milho futuro para fevereiro/2026 permanece em R$ 70,00 por saca.
- Santa Catarina:
- O mercado segue lento, com baixa liquidez. Em Campos Novos, os pedidos chegam a R$ 80,00 por saca, mas as ofertas ficam em R$ 70,00. No Planalto Norte, valores pedidos próximos de R$ 75,00 enfrentam ofertas de R$ 71,00, refletindo resistência de produtores e compradores.
- Paraná:
- Apesar do avanço da colheita, o mercado permanece pressionado. Produtores buscam preços entre R$ 73,00 e R$ 75,00 por saca, enquanto compradores oferecem menos de R$ 70,00 CIF. Levantamentos regionais indicam preços médios: Metropolitana de Curitiba R$ 66,90, Oeste Paranaense R$ 55,14, Norte Central R$ 55,70 e Centro Oriental R$ 57,19, com variações entre R$ 54,00 e R$ 64,00 por saca.
- Mato Grosso do Sul:
- O mercado local apresenta leves altas, mas com ritmo lento devido a impactos climáticos. Em Maracaju, o milho varia entre R$ 45,00 e R$ 52,00 por saca, refletindo resistência entre produtores e compradores em fechar novos negócios.
Bolsa Brasileira (B3) e ritmo de embarques sustentam preços
Na manhã desta terça-feira (26), os contratos de milho na B3 operavam em leve alta: o vencimento setembro/25 cotado a R$ 66,20/saca (+0,17%) e o de novembro/25 a R$ 69,65/saca (+0,22%). O movimento é apoiado pela aceleração no ritmo de embarques brasileiros.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, na semana encerrada em 22 de agosto, o Brasil exportou 1,834 milhão de toneladas de milho, volume 34,6% superior ao da semana anterior e 38,8% acima da média necessária para alcançar as 42 milhões de toneladas projetadas para a safra 2025/26.
No acumulado da temporada iniciada em 1º de fevereiro, foram embarcadas 10,285 milhões de toneladas, queda de 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Comportamento dos contratos futuros na B3
Os contratos futuros do milho apresentavam variações moderadas na manhã de terça-feira:
- Setembro/25: R$ 66,17 (+0,12%)
- Novembro/25: R$ 69,53 (+0,04%)
- Janeiro/26: R$ 71,61 (+0,04%)
- Março/26: R$ 73,43 (-0,10%)
Apesar da leve alta no mercado físico, os contratos seguem pressionados pela competitividade do milho americano, que mantém preços mais baixos e embarques robustos.
Mercado internacional: Chicago (CBOT)
Na Bolsa de Chicago, os preços futuros do milho apresentavam pequenas oscilações:
- Setembro/25: US$ 3,89/bushel (+0,25 ponto)
- Dezembro/25: US$ 4,11 (-0,50 ponto)
- Março/26: US$ 4,29 (-0,75 ponto)
- Maio/26: US$ 4,39 (-1 ponto)
A leve valorização observada em alguns contratos é sustentada pela demanda internacional e pela diferença entre as projeções do ProFarmer (411 milhões de toneladas) e do USDA (425 milhões). O aumento nos embarques semanais nos Estados Unidos também contribuiu para o suporte aos preços.
Perspectivas para o mercado de milho
O mercado doméstico segue atento ao ritmo de colheita e à movimentação de embarques. A valorização parcial em algumas regiões reflete a limitação de oferta no mercado físico, enquanto a pressão externa, especialmente do milho americano, continua influenciando os contratos futuros. A combinação de fatores locais e internacionais mantém o setor em alerta para ajustes de preços nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásParque Ambiental Chico Mendes será fechado temporariamente para obras de revitalização
-
FAMOSOS6 dias atrásLarissa Manoela e André Luiz apresentam nova casa aos pets antes de reforma
-
POLÍTICA NACIONAL6 dias atrásO tempo da escuta: como o Senado tem construído a reforma do Código Civil
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásOferta em excesso derruba preços no mercado independente no Sul
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura supera marca de 400 toneladas de entulho retiradas do Parque de Exposições Wildy Viana
-
SEM CATEGORIA7 dias atrásCrescer com Cuidado: qualificação fortalece atendimento infantil na Atenção Primária de Rio Branco
-
POLÍTICA NACIONAL6 dias atrásCMO analisa crédito de R$ 24,9 milhões para AGU e segurança da Amazônia
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásPrefeitura de Rio Branco lança projeto que fortalece identidade e pertencimento entre estudantes da rede municipal