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Primeira cultivar de guaraná propagada por semente será lançada no Amazonas

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  • Pesquisa apresenta a primeira cultivar de guaraná propagada por sementes, as anteriores são pelo método de estaquia.

  • Testes de campo no Amazonas comprovaram produtividade mais de sete vezes superior à da média do estado.

  • BRS Noçoquém é resultado de uma tendência do melhoramento genético do guaraná, que visa reduzir a dependência dos produtores de cultivares clonais.

  • Com isso, espera-se aumentar o número de produtores dedicados a essa cultura e expandir a área plantada no estado do Amazonas.

  • Propagação por sementes contribui também para aumentar a variabilidade genética e resistência a doenças.

Embrapa Amazônia Ocidental (AM) apresenta a primeira cultivar de guaraná que pode ser reproduzida por sementes: a BRS Noçoquém. Além de aumentar em mais de sete vezes a produtividade anual – alcançando 2,3 kg/planta enquanto 0,3 kg/planta é a média do estado do Amazonas – a cultivar possui resistência à principal doença que afeta o guaranazeiro, a antracnose. 

Outro diferencial importante é que representa uma alternativa ao cultivo de guaraná por mudas clonais. Com essa cultivar propagada por semente, espera-se aumentar a quantidade de produtores dedicados à essa cultura e expandir a área plantada no estado do Amazonas. 

Com as variedades clonais, é necessário credenciar viveiristas para a produção das mudas, uma vez que a técnica de estaquia precisa de mais cuidados e aumenta o custo para o produtor. “A forma de reprodução por sementes possibilita ao produtor fazer suas próprias mudas para expansão dos cultivos, após receber o lote de sementes básicas da cultivar”, ressalta o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, André Atroch. Da mesma forma, a produção de mudas em viveiros licenciados é mais fácil e econômica, diminuindo o preço de venda para o produtor rural. 

O período da formação da muda de guaraná por sementes é de aproximadamente 12 meses, desde a coleta ou aquisição das sementes até o plantio definitivo no campo. Segundo Atroch, os cuidados necessários para a formação de uma boa muda são os mesmos para a produção de espécies frutíferas, ou seja, manter as mudas sempre com bom suprimento de água e algumas adubações no decorrer da sua formação. No caso dessa cultivar, o sistema tradicional do produtor no Amazonas com viveiros com cobertura de palha e irrigação por molhamento são suficientes para formar uma boa muda da BRS Noçoquém.

Curiosidade

O nome Noçoquém é de origem indígena e faz referência a um lugar encantado, citado na lenda que conta a origem do guaraná na mitologia dos povos indígenas da etnia Sateré-Mawé, que habitam a região do baixo rio Amazonas, onde está situado o município de Maués.

A alta produtividade da nova cultivar foi comprovada nas avaliações realizadas nos campos experimentais da Embrapa Amazônia Ocidental em Maués e Manaus, quando foi verificada uma produtividade média de 2,3 kg/planta/ano de sementes, enquanto a média no estado é de cerca 0,3 kg/planta/ano. Análises realizadas nas sementes colhidas apontam também um bom nível de cafeína, com teores entre 4% e 5%. 

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A nova cultivar também passou por avaliação em áreas de produtores por meio de Unidades de Observação nos municípios de Urucará, São Sebastião do Uatumã, Maués, Parintins, Silves, onde apresentaram as mesmas características obtidas nos campos experimentais.

Variabilidade genética e resistência a doenças

Atroch explica que uma cultivar como a BRS Noçoquém multiplicada por sementes possui alta variabilidade genética, pois cada planta é um genótipo diferente implicando em menor risco de perda por doenças e outros fatores biológicos.  

Cada planta guarda a genética e o potencial produtivo por diversas gerações de multiplicação.  Essa característica é garantida desde que tomados alguns cuidados básicos, sendo o principal deles manter um lote de plantas para produção de sementes isolado dos plantios comerciais com outras variedades, caso contrário pode levar a cruzamentos indesejados e contaminar a descendência dessas plantas. 

De acordo com o pesquisador, são essas características que tornam a cultivar BRS Noçoquém atrativa para o produtor rural do Amazonas: a alta produtividade e a resistência a doenças, sem reduzir a variabilidade genética.

Sobre o Lançamento

A BRS Noçoquem será lançada durante a programação da 43ª Expoagro, feira de exposição agropecuária realizada de 9 a 12 de dezembro, em Manaus, AM. O lançamento será dia 9 de dezembro, às 17h horas, e contará com palestra do Diretor-executivo de Gestão Institucional da Embrapa, Tiago Toledo Ferreira. A programação do 43ª Expoagro inclui cursos, palestras, exposição de animais entre outras atividades. Este ano a feira será instalada no bairro Alvorada, entre Sambódromo e Vila Olímpica, zona oeste de Manaus.

Como adquirir 

Após o lançamento, os interessados em adquirir sementes da nova cultivar de guaranazeiro BRS Noçoquém, podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone: (92) 3303-7897.  Quem precisar de Informações técnicas ou tiver dúvidas sobre a cultivar, pode acessar o SAC da Embrapa.

Programa de Melhoramento Genético do Guaraná

O lançamento da BRS Noçoquém é fruto do Programa de Melhoramento Genético do Guaranazeiro, desenvolvido ao longo de quatro décadas e que propiciou o lançamento de 18 cultivares clonais, reproduzidas por meio de estaquia.

Segundo o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental Firmino do Nascimento Filho, na década de 1970, praticamente todos os guaranazeiros do município de Maués, maior produtor do estado, foram contaminados pela antracnose,  uma doença causada pelo fungo Colletotrichum guaranicola, que ataca as folhas, atrofia galhos e impede a frutificação, muitas vezes levando à morte da planta de guaranazeiro.  “A Embrapa, ainda no início de suas atividades, teve a missão de solucionar esse problema, momento em que começou o Programa de Melhoramento Genético do Guaranazeiro, com estudos mais sistematizados sobre a cultura”, relata Nascimento Filho.

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Atroch explica que no início do programa de melhoramento deu-se prioridade ao desenvolvimento de variedades clonais, dada a necessidade de lançar materiais resistentes à antracnose.  “Naquela época, enfrentávamos uma intensa queda na produção e na produtividade dos guaranazais do Amazonas. Havia urgência em se disponibilizar materiais genéticos com alta produtividade e resistência à antracnose, o que levou a Embrapa a focar em materiais clonais”, ressalta. Uma vez selecionados, seguiam para ensaios em rede e validação em unidades de observação com um menor tempo para lançamento de materiais superiores, do que se fosse num programa de melhoramento populacional via progênies (sementes).

Com o sucesso das avaliações em campo, a partir de 1999 começaram a ser lançadas cultivares clonais comerciais.  Entretanto, a adoção desses materiais exige infraestrutura de viveiro com condições controladas que possuem alto custo de implantação.  “Apenas as cultivares BRS Maués e BRS Amazonas foram relativamente adotadas, hoje compreendendo cerca de 30% da área plantada no estado”, afirma. 

A partir dos anos 2000, a equipe de melhoristas da Embrapa Amazônia Ocidental iniciou um programa de melhoramento genético  para desenvolvimento de cultivares reproduzidas por sementes, que gerou diversos materiais promissores para lançamento. A primeira é a BRS Noçoquém, que já está registrada e protegida no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Além da BRS Noçoquém, estão em fase de desenvolvimento outras cultivares com essas características com previsão para serem disponibilizadas nos próximos anos.

Banco de guaraná possui ampla variedade genética

O Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de guaranazeiro atualmente abriga cerca de 364 acessos da planta e possui uma ampla variabilidade genética, o que é essencial para o desenvolvimento do programa de melhoramento. O BAG começou a ser formado no fim da década de 1970 com a seleção de plantas nos municípios de Maués, Manaus e Iranduba. Essa seleção foi ampliada para outras regiões do estado, incorporando novas variedades da espécie. 

Segundo Atroch, o BAG possui materiais bem promissores que estão sendo avaliados e trabalhados, alguns com produtividade muito superior de semente seca por planta. “Mas são dados iniciais e precisamos ainda realizar testes e avaliações para estimar o verdadeiro potencial de utilização em futuras ações do programa de melhoramento genético”, conclui

Foto à direita: Gilmar Meneghetti

Fonte: Embrapa

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Recorde das exportações abre mercado para safra de 33,4 milhões de sacas

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O recorde brasileiro de exportações de café em agosto abre espaço no mercado para a entrada da nova safra de Minas Gerais, maior produtor nacional da bebida. O Estado deve colher 33,4 milhões de sacas de arábica em 2026, enquanto os embarques brasileiros dessa variedade cresceram 25,7% no último mês.

O Brasil exportou 4,155 milhões de sacas de 60 quilos de todos os tipos de café em agosto, maior volume já registrado para o mês. O resultado superou em 31% as 3,17 milhões de sacas enviadas ao exterior em agosto de 2025, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

A receita chegou ao equivalente a R$ 6,83 bilhões, considerada a cotação de R$ 5,13, com crescimento de 19,8% na comparação anual. O faturamento avançou menos que o volume, sinal de que o preço médio da cesta exportada ficou abaixo do observado um ano antes.

Embora o crescimento nacional tenha sido puxado principalmente pelos cafés conilon e robusta, produzidos em maior escala no Espírito Santo e em Rondônia, o desempenho do arábica tem impacto direto sobre Minas Gerais. A variedade representa quase toda a produção mineira e respondeu por 2,866 milhões de sacas exportadas pelo país em agosto.

O avanço ocorre no momento em que volumes maiores da safra mineira começam a chegar às cooperativas, armazéns e empresas exportadoras. As chuvas durante a colheita, principalmente em julho, atrasaram parte dos trabalhos e adiaram a entrada dos grãos no mercado.

A maior disponibilidade em agosto permitiu acelerar os negócios e atender pedidos que estavam represados. Para os cafeicultores do Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Zona da Mata e demais regiões produtoras, o aumento dos embarques representa uma saída importante para uma safra de bienalidade positiva e produção elevada.

Levantamento do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faemg Senar) estima a produção mineira de arábica em 33,4 milhões de sacas. O volume coloca o Estado próximo de responder sozinho por metade de todo o café produzido no Brasil.

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A recuperação das exportações ajuda a absorver essa oferta, mas não significa valorização automática para o produtor. A receita nacional cresceu porque o país embarcou quase 1 milhão de sacas a mais que em agosto de 2025. O preço médio obtido por saca, porém, apresentou retração.

Com base nos valores totais, cada saca exportada rendeu aproximadamente R$ 1.643 em agosto, ante cerca de R$ 1.797 no mesmo mês do ano passado. Essa conta representa a média de todos os tipos e formas de café vendidos pelo Brasil e não corresponde diretamente à cotação recebida pelo cafeicultor mineiro, mas mostra um mercado menos remunerador por unidade exportada.

O impacto dentro da propriedade dependerá da qualidade do grão, do tipo de contrato, dos diferenciais pagos por origem e certificação e da estratégia de comercialização. Cafés especiais e lotes de maior pontuação podem manter prêmios mesmo quando a média das exportações recua.

Minas possui vantagem nesse mercado por reunir regiões reconhecidas pela produção de arábicas diferenciados. Essa característica permite que cooperativas e produtores negociem não apenas volume, mas também origem, qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade.

No primeiro bimestre do ano-safra 2026/27, formado por julho e agosto, o Brasil exportou 7,204 milhões de sacas, aumento de 21,5%. A receita foi equivalente a aproximadamente R$ 11,5 bilhões, avanço de apenas 4,1%. Mais uma vez, a diferença mostra que a recuperação está concentrada no volume.

No acumulado de janeiro a agosto, o cenário ainda é negativo. As exportações brasileiras somaram 25,073 milhões de sacas, queda de 1,2%. A receita ficou próxima de R$ 45,1 bilhões, redução de 9,3% em relação aos oito primeiros meses de 2025.

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O resultado foi influenciado pelos estoques menores no início do ano. O Brasil vinha de um período de exportações elevadas e de produção abaixo do potencial, o que reduziu a quantidade disponível durante o primeiro semestre. A chegada da nova safra começou a modificar esse quadro em agosto.

Em Minas Gerais, o café respondeu por 57,1% de toda a receita das exportações do agronegócio estadual em 2025. O peso do produto faz com que variações de safra, preços e embarques tenham efeitos diretos sobre a renda dos municípios produtores, o movimento das cooperativas, a contratação de trabalhadores e o comércio regional.

O desafio é transformar o volume maior em receita para o produtor. Se a oferta crescer mais rapidamente que a demanda, compradores podem aumentar a pressão sobre os preços. Por outro lado, a retomada dos embarques reduz o risco de acúmulo excessivo nos armazéns e amplia a possibilidade de comercialização ao longo dos próximos meses.

Os gargalos portuários continuam sendo um obstáculo. Como Minas Gerais não possui saída para o mar, grande parte do café percorre longas distâncias até os complexos de Santos e do Rio de Janeiro. Atrasos, falta de espaço e mudanças nas escalas dos navios elevam os gastos com transporte e armazenagem.

A retirada das tarifas norte-americanas sobre os cafés brasileiros também reduz uma incerteza para Minas. Os Estados Unidos estão entre os maiores compradores do produto mineiro e representam um mercado importante para cafés arábicas e diferenciados.

O recorde de agosto confirma que há demanda para receber a safra que sai das lavouras mineiras. O resultado financeiro dentro da porteira, contudo, dependerá da qualidade entregue, da capacidade de armazenar e escolher o momento de venda e do comportamento dos preços internacionais. Para Minas, exportar mais será importante, mas preservar o valor de cada saca será decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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