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Produção de banana e abacaxi impulsiona a economia do Litoral Norte do Rio Grande do Sul

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Fruticultura impulsiona a economia do Litoral Norte gaúcho

Entre o mar e a serra, o Litoral Norte do Rio Grande do Sul se destaca cada vez mais como uma das regiões agrícolas mais produtivas e diversificadas do Estado. Apesar da fama turística, a área abriga 98% da produção de banana gaúcha e o principal polo de abacaxi do RS, localizado em Terra de Areia.

São 11,7 mil hectares de banana, com produção anual estimada em 158 mil toneladas, movimentando cerca de R$ 729 milhões. A base dessa cadeia é formada por pequenos produtores familiares, que mantêm sistemas sustentáveis e, em muitos casos, integram agricultura e turismo rural.

Terra de Areia: tradição e recorde na produção de abacaxi

O município de Terra de Areia vive um dos melhores momentos da sua história agrícola. A atual safra deve alcançar 8 milhões de frutas, resultado de boas condições climáticas e da dedicação dos produtores locais.

Segundo Belchior Braga, secretário de Agricultura e Meio Ambiente, cerca de 120 famílias vivem diretamente do cultivo de abacaxi. “Mais do que números, é uma tradição passada de geração em geração. Temos produtores com mais de cinco gerações no cultivo do abacaxi, reconhecido pela sua doçura e baixa acidez”, ressalta.

Além do abacaxi, o município também se destaca na produção de banana e bovinocultura, que juntas formam a base da economia local.

Agricultura familiar e turismo rural garantem renda e tradição

A fruticultura do litoral é marcada pela diversificação. De acordo com Micael Machado Teixeira, técnico da Emater de Três Cachoeiras, a banana é a principal cultura, seguida por abacaxi, maracujá, morango e pitaya. “Praticamente todo quintal tem laranja, limão ou bergamota. É uma região rica e produtiva”, afirma.

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Durante o verão, o aumento do fluxo turístico eleva a demanda por frutas, estimulando o consumo local e o comércio direto entre produtores e consumidores. A proximidade com Porto Alegre e Região Metropolitana também facilita o escoamento da produção para o Ceasa e redes varejistas.

Sustentabilidade e produção orgânica fortalecem o setor

O Litoral Norte também se destaca pela produção orgânica de banana, que representa cerca de 17% da produção certificada do Estado, conforme dados da Emater-RS. Essa prática é favorecida pelo clima estável, menor incidência de doenças e menor necessidade de pulverizações químicas.

A família de Gustavo da Rosa Carlos, em Morrinhos do Sul, é um exemplo desse modelo sustentável. Há mais de 30 anos, eles produzem banana orgânica certificada e abriram o espaço turístico Pitayas Eco, conhecido como “Jalapão Gaúcho”. “Seguimos o caminho da produção natural e da preservação ambiental. O turismo ajuda a valorizar o produto e manter a tradição familiar no campo”, destaca Gustavo.

Clima e relevo explicam sucesso da produção regional

Segundo o gerente técnico da Emater-RS, Luís Bohn, o litoral possui condições climáticas ideais para a fruticultura tropical. A proximidade com o oceano garante temperaturas estáveis e chuvas regulares, fatores essenciais para o bom desenvolvimento da banana.

“Enquanto o frio limita a produção em outras regiões, o Litoral Norte mantém um clima mais ameno e constante, favorecendo produtividade e qualidade”, explica.

Além disso, a região conta com solo fértil e boa umidade, o que potencializa o sabor das frutas — um dos motivos pelos quais o abacaxi de Terra de Areia é considerado um dos mais doces do Brasil.

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Pesquisa e tecnologia impulsionam a fruticultura gaúcha

O engenheiro agrônomo Hermínio Rocha, da Embrapa Pesca e Aquicultura, ressalta que o sucesso da bananicultura e da abacaxicultura gaúchas é resultado da adoção de tecnologias e variedades adaptadas ao clima local.

A Embrapa desenvolveu cultivares como a BRS Platina, resistente às principais doenças da bananeira, e a BRS Ajubá, destinada ao cultivo de abacaxi em Terra de Areia. “A pesquisa é essencial para garantir sanidade, produtividade e sustentabilidade à fruticultura regional”, explica Rocha.

Produtores ampliam área e colhem resultados

O agricultor Jailson Euzébio Cândido, que trocou o cultivo de fumo pelo de abacaxi há cinco anos, é exemplo da força do setor. “Comecei com 70 mil pés e hoje temos quase 600 mil. Vivo exclusivamente da produção de abacaxi”, relata.

Toda a colheita é destinada à Ceasa de Porto Alegre, e a safra atual, segundo ele, tem qualidade superior. “O ciclo do abacaxi exige paciência, mas quando dá certo, compensa. O fruto está maior e mais doce”, afirma.

Fruticultura como identidade e futuro sustentável

O Litoral Norte do RS consolida-se como uma das regiões mais promissoras da fruticultura brasileira. A combinação entre clima favorável, tradição familiar, turismo rural e manejo sustentável garante desenvolvimento econômico, geração de renda e qualidade de vida para milhares de famílias.

“A agricultura é parte da nossa identidade. O abacaxi e a banana simbolizam a força do produtor gaúcho e o potencial do nosso litoral”, resume o secretário Belchior Braga.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades

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A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.

Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.

O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.

São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.

No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.

A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.

Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.

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A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.

Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.

O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.

A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.

Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.

A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.

A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.

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O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.

Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.

Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.

Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.

Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.

Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.

A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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