AGRONEGÓCIO
Produção de ovos cresce 9,1% no Brasil no primeiro semestre de 2025
AGRONEGÓCIO
O Brasil produziu 2,028 bilhões de dúzias de ovos no primeiro semestre de 2025, registrando crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2024, quando a produção foi de 1,858 bilhões de dúzias. Os dados são do Boletim de Conjuntura Agropecuária, elaborado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab) e divulgados pelo IBGE.
Em unidades, o total equivale a 24,336 bilhões de ovos, um acréscimo de 2,04 bilhões em relação ao ano anterior.
Produção estadual de ovos para consumo
No primeiro semestre de 2025, o Paraná ocupou a sétima posição no ranking nacional de produção de ovos para consumo, com 102,102 milhões de dúzias, representando 5% do total e um crescimento de 2,8% sobre 2024.
Os principais estados produtores foram:
- São Paulo: 560,976 milhões de dúzias (27,7%)
- Minas Gerais: 216,212 milhões de dúzias (10,7%)
- Espírito Santo: 194,294 milhões de dúzias (9,7%)
- Pernambuco: 169,626 milhões de dúzias
- Mato Grosso: 128,082 milhões de dúzias
- Rio Grande do Sul: 114,932 milhões de dúzias
- Paraná: 102,102 milhões de dúzias
Todos os sete estados registraram crescimento em relação ao mesmo período de 2024, com destaque para Pernambuco (+16,4%), Minas Gerais (+11,5%) e Rio Grande do Sul (+11%).
Produção de ovos para incubação
Além dos ovos destinados ao consumo humano, o Brasil produziu 418,77 milhões de dúzias de ovos para incubação de janeiro a junho de 2025, ligeiro aumento de 0,2% frente ao mesmo período de 2024.
O Paraná liderou a categoria, com 129,177 milhões de dúzias, representando 30,8% do total nacional, seguido por:
- São Paulo: 61,395 milhões de dúzias
- Santa Catarina: 55,471 milhões de dúzias
- Goiás: 54,994 milhões de dúzias
- Rio Grande do Sul: 44,518 milhões de dúzias
Plantel de galinhas poedeiras
O plantel nacional de galinhas poedeiras atingiu 169,853 milhões de aves no segundo trimestre de 2025, enquanto o Paraná tinha 8,483 milhões. Os números superam os registrados no mesmo período de 2024, quando o Brasil possuía 144,723 milhões e o Paraná 7,919 milhões de aves. O levantamento considera apenas granjas com mais de 10 mil poedeiras.
Consumo e exportação
Segundo a Associação Brasileira de Produção Animal (ABPA), em 2024, o Brasil produziu 57,6 bilhões de ovos, exportou 18,61 mil toneladas e manteve consumo per capita de 269 ovos.
O levantamento do POG/IBGE também aponta que, em 2024, a produção total de ovos para consumo alcançou 3,836 bilhões de dúzias (46,032 bilhões de unidades).
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes
Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.
Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.
A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.
Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.
A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.
Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.
Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.
A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.
O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.
O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.
Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.
O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.
Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.
O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.
O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.
Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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