RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Produtividade da Soja: Como o Manejo no Florescimento Garante uma Colheita Recorde

Publicados

AGRONEGÓCIO

O período de florescimento da soja é considerado o “divisor de águas” para o produtor rural. É nesta fase que a planta define seus principais componentes de rendimento, e qualquer estresse pode comprometer o resultado final da safra. Com a chegada do verão, o monitoramento de fatores ambientais e nutricionais torna-se a prioridade número um no campo.

O Papel do Clima: Fotoperíodo e Estresse Hídrico

O desenvolvimento da soja é regido por uma combinação de soma térmica e fotoperíodo. Cada cultivar possui uma exigência específica para completar seu ciclo, mas o clima do início do verão impõe desafios extras.

A falta de chuvas (déficit hídrico) durante a floração é particularmente prejudicial. Ela reduz a divisão celular e limita o porte da planta, resultando em menos nós produtivos. Na prática, isso significa um menor número de flores e vagens, impactando diretamente o volume de grãos colhidos.

Nutrição Estratégica para Evitar o Abortamento de Flores

Para que a planta suporte a carga produtiva, o equilíbrio mineral é essencial. Embora todos os nutrientes sejam necessários, um grupo específico ganha destaque nesta etapa:

  • Cálcio e Boro: Cruciais para a formação do tubo polínico e redução do abortamento.
  • Fósforo e Potássio: Fundamentais para o transporte de energia e enchimento de grãos.
  • Cobalto e Molibdênio: Essenciais para a nodulação e fixação de nitrogênio.
  • Magnésio: Atua diretamente na fotossíntese e vigor da planta.
Leia Também:  Açúcar oscila entre ganhos e perdas: dólar mais fraco impulsiona recuperação, mas queda na produtividade da cana limita avanço

De acordo com Roni Guareschi, especialista da Conceito Agrícola, a realização de análises foliares e de solo é a única forma segura de identificar carências antes que elas causem prejuízos visíveis.

Qualidade da Semente e Estabelecimento do Estande

O sucesso do florescimento começa muito antes da primeira flor abrir. A utilização de sementes de alto vigor garante que a planta estabeleça um sistema radicular profundo. Raízes mais fortes permitem que a soja absorva água e nutrientes com maior eficiência, tornando-a mais resiliente aos estresses típicos do verão brasileiro.

Boas Práticas de Manejo no Verão

Com a lavoura em fase reprodutiva, o planejamento deve ser rigoroso. O manejo eficiente inclui:

  • Escolha de Variedades: Optar por cultivares adaptadas à realidade climática da região.
  • Janela de Plantio: Respeitar o calendário para que o pico da floração não coincida com períodos críticos de seca.
  • Controle Fitossanitário: Monitoramento contínuo de pragas e doenças que podem debilitar a área foliar.
  • Estímulo Fisiológico: Adoção de estratégias que minimizem os efeitos de estresses abióticos (calor excessivo e falta de umidade).

“O suporte técnico especializado ajuda o produtor a tomar decisões assertivas, desde a escolha dos insumos até a análise do potencial fisiológico da planta”, destaca Guareschi.

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia Também:  China ultrapassa Rússia e assume liderança nas vendas de fertilizantes ao Brasil, aponta CNA

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicados

em

Por

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia Também:  Exportações do agronegócio mineiro batem recorde e somam US$ 12,8 bilhões até agosto

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia Também:  Falta de planejamento tributário faz produtor rural pagar mais imposto e eleva riscos fiscais no agro

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA