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Produto perde espaço no prato do consumidor e ganha valor de mercado

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O Brasil comemorou nesta terça-feira (10.02) o Dia Mundial do Feijão em meio a um paradoxo: enquanto o alimento perde espaço no prato do consumidor, ganha valor no mercado. A combinação de redução de área plantada, problemas climáticos e estoques baixos elevou as cotações mesmo durante a colheita da primeira safra.

O consumo per capita gira hoje em torno de 12 quilos por habitante ao ano, bem abaixo dos 18,8 quilos registrados na década de 1990. A queda ocorre de forma gradual há anos, mas ganhou força recente com mudanças no padrão alimentar, maior busca por praticidade nas refeições e substituição por produtos industrializados.

Representantes da cadeia produtiva discutem estratégias para conter o recuo da demanda. O principal diagnóstico é que o feijão deixou de ser rejeitado pelo sabor e passou a ser abandonado pela rotina: preparo mais demorado e hábitos urbanos reduziram sua presença nas refeições diárias.

Enquanto o consumo diminui, o mercado reage na direção oposta. Levantamentos apontam valorização relevante do grão. O feijão-carioca de melhor qualidade chegou a cerca de R$ 297 por saca de 60 quilos no leste de Goiás em fevereiro, alta superior a 12% no mês. O feijão-preto no sul do Paraná atingiu aproximadamente R$ 183 por saca, também em elevação.

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A sustentação dos preços ocorre por fatores de oferta. A primeira safra foi menor — cerca de 20% inferior para o carioca e entre 20% e 25% no feijão-preto — reduzindo a disponibilidade imediata no mercado. A segunda safra só chega com maior volume a partir de maio, o que mantém o abastecimento ajustado no primeiro trimestre.

Dados oficiais indicam retração estrutural da produção. A área plantada da safra 2025/26 é estimada em 807,6 mil hectares, queda de 11,1% ante o ciclo anterior, com produção prevista de 983,6 mil toneladas, recuo de 7,4%. O produtor migrou parte das lavouras para culturas mais rentáveis e previsíveis, como soja e milho.

O comportamento é típico de uma cultura de ciclo curto e sensível ao risco. O feijão responde rapidamente a preços: quando a rentabilidade cai, perde área; quando a oferta diminui, as cotações sobem. Essa volatilidade dificulta planejamento de longo prazo e afasta investimentos mais robustos.

No campo, o clima também interfere. Chuvas excessivas em parte do Sudeste prejudicam qualidade e rendimento, enquanto regiões do Sul enfrentam calor e irregularidade hídrica em lavouras tardias. O resultado é heterogeneidade produtiva e menor volume disponível.

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A pressão de custos também pesa. O feijão exige maior acompanhamento agronômico e apresenta risco elevado de perdas, o que reduz sua competitividade frente a commodities com mercado internacional estruturado.

Apesar da queda de consumo, o Brasil permanece como um dos poucos países com três safras anuais do grão, garantindo abastecimento interno ao longo do ano. Ainda assim, a produção é voltada quase exclusivamente ao mercado doméstico, o que torna o setor altamente dependente do comportamento do consumidor brasileiro.

No curto prazo, a expectativa é de preços firmes até abril, período anterior à entrada mais consistente da segunda safra. Para o restante do ano, o mercado dependerá do plantio irrigado da terceira safra. Caso a área não se recupere, o feijão pode manter valorização — mesmo com menor presença no prato.

Fonte: Pensar Agro

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Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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