AGRONEGÓCIO
Projeto amplia capacitação e fortalece a pecuária de pequenas produtoras em Santa Rita do Pardo (MS)
AGRONEGÓCIO
O projeto “Nós do Campo”, desenvolvido pela MS Florestal em parceria com o Programa Bracell Social, iniciou uma nova fase de atividades no Assentamento São Thomé, em Santa Rita do Pardo (MS). A ação busca fortalecer a agricultura familiar e impulsionar a produção leiteira em áreas influenciadas pelas operações florestais da companhia.
Nesta etapa, o foco está na adoção de protocolos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF), que têm como objetivo ampliar a eficiência reprodutiva dos rebanhos e promover melhoramento genético nas propriedades atendidas.
IATF melhora produtividade e aumenta renda das famílias rurais
A implementação da IATF permite sincronizar a ovulação das vacas por meio de protocolos hormonais, facilitando a inseminação em dias e horários programados, sem a necessidade de observar o cio. Entre os benefícios estão:
- Aumento da taxa de prenhez
- Redução do intervalo entre partos
- Maior número de bezerros ao longo do ano
- Incremento na produtividade e na renda das famílias produtoras
Cada participante do projeto receberá cinco inseminações, além de suporte técnico e orientações práticas relacionadas ao manejo reprodutivo.
Capacitação prática e teórica aproxima tecnologia da realidade dos assentamentos
A parte teórica do treinamento ocorreu no próprio assentamento sob condução do médico-veterinário Eduardo Sornas Martinelli, da Simbiose Consultoria, responsável pela orientação técnica da iniciativa. As práticas de campo serão realizadas nos próximos dias, com a aplicação dos protocolos hormonais e acompanhamento das inseminações.
Para Martinelli, o desafio é derrubar o mito de que a IATF é uma tecnologia acessível apenas para grandes propriedades.
Segundo ele, “hoje existem protocolos simples, econômicos e totalmente adaptáveis à realidade dos assentamentos. Uma única aplicação já traz retorno, e a repetição do processo aumenta ainda mais a eficiência, garantindo bezerros mais pesados e maior retorno econômico.”
Produtoras destacam importância da capacitação contínua
O presidente da Associação São Thomé, Ademir Bispo, ressaltou a relevância da formação técnica:
“Foi uma das palestras mais produtivas que tivemos. O Eduardo fala de um jeito simples, usando nossa realidade. Precisamos de mais capacitações como essa, pelo menos três vezes por ano, para continuar evoluindo e ver os resultados no rebanho.”
MS Florestal reforça compromisso com impacto social positivo
De acordo com Bruno Madalena, gerente de Relações Institucionais da MS Florestal, o projeto demonstra o papel da empresa no desenvolvimento das comunidades rurais onde atua.
“Nosso propósito é fortalecer a base produtiva local, oferecendo conhecimento técnico e acesso a tecnologias que aumentem a renda das famílias. Ao melhorar a eficiência reprodutiva do rebanho, contribuímos diretamente para a sustentabilidade econômica das propriedades e para valorização da mulher como protagonista no campo”, afirmou.
Projeto já impulsiona renda e alcança 95 mulheres em cinco municípios
As ações contam com apoio de prefeituras e associações rurais dos assentamentos São Thomé (Santa Rita do Pardo), Santa Clara e Aldeia (Bataguassu), Pana (Nova Alvorada do Sul) e Teijin (Nova Andradina).
Atualmente, o programa envolve 95 mulheres produtoras rurais em cinco municípios de Mato Grosso do Sul.
Em 2024, por meio da doação de insumos, o projeto alcançou 78 mulheres diretamente, com média de 20 participantes por localidade. O impacto das ações resultou em aumento de 18,92% na renda média, chegando a cerca de R$ 2.200 por participante.
Produtoras relatam transformação no modo de produzir e aprender
Para muitas participantes, a iniciativa representa mais do que capacitação — é uma oportunidade de evolução profissional e pessoal.
A produtora Ana Lúcia Moura, do assentamento Aldeia (Bataguassu), reforça:
“Estar aqui com a comunidade e com as mulheres rurais é uma conquista. Ganhamos conhecimento para melhorar nosso trabalho no campo. Espero que o projeto continue trazendo mais resultados e nos incentive a seguir aprendendo sempre.”
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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