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Prova da raça Brahman confirma avanço genético e qualidade superior dos reprodutores

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Um estudo realizado com 180 touros da raça Brahman ao longo dos últimos cinco anos apontou avanços significativos em atributos de alto impacto para a pecuária de corte, como qualidade de carcaça, ganho de peso e eficiência alimentar.

O levantamento, conduzido pelo Conselho Técnico da Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) em parceria com a Central Bela Vista e a BrasilcomZ, utilizou dados coletados em todas as edições da Prova de Eficiência e Performance Brahman Boi com Bula, realizadas entre 2021 e 2025.

Apresentação dos resultados na 5ª edição da Prova

Os dados foram divulgados nos dias 1º e 2 de agosto, em Botucatu (SP), durante a final da quinta edição da prova, que reuniu criadores e técnicos do Brasil e do Paraguai.

Segundo o consultor técnico da BrasilcomZ, Guilherme Faria Costa, o período registrou crescimento expressivo nos indicadores. Em 2025, a média apresentou aumento de:

  • 16% na Espessura de Gordura Subcutânea (EGS)
  • 7% no marmoreio (MAR)
  • 3% na Área de Olho de Lombo (AOL)

“Os números confirmam a aptidão da raça para produzir carne de qualidade de forma sustentável”, afirmou Costa.

Desempenho ampliado nas últimas três edições

Quando analisadas apenas as últimas três provas — já focadas exclusivamente em touros — o avanço foi ainda maior:

  • 40% de crescimento no EGS
  • 59% no MAR
  • 7% no AOL
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Na avaliação morfológica pelo método EPMURAS, houve aumento de 5% no progresso fenotípico entre 2023 e 2025.

Para o presidente da ACBB, Gustavo Rodrigues, os resultados mostram que a raça combina baixo consumo alimentar com alto rendimento de carcaça e ganho de peso consistente.

Ao todo, desde o início das provas, foram avaliados 231 animais (180 touros e 51 fêmeas) de 25 criatórios de cinco estados: Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.

Destaques da edição 2025

Nesta edição, 26 reprodutores jovens foram avaliados quanto a carcaça, ganho de peso, fertilidade e morfologia. O julgamento morfológico ficou a cargo de Célio Heim, jurado da ABCZ.

Segundo ele, os campeões apresentaram “carcaça precoce, bons aprumos, comprimento, profundidade e acabamento”, características que contribuem para o avanço da pecuária de corte.

Os animais foram divididos em dois grupos conforme a data de nascimento:

  • Prova 1: 14 touros nascidos entre agosto e setembro de 2023
  • Prova 2: 12 touros nascidos entre outubro e dezembro de 2023
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Campeões da 5ª Prova de Eficiência e Performance Brahman
  • Prova 1
    • Grande Campeão de Morfologia: MR Vitória 8099
    • Também vencedor nas categorias: Campeão de Performance, Campeão Gourmet, Campeão de Desempenho e Campeão de Eficiência.
    • Criador: Alexandre Ferreira – Brahman Vitória
  • Prova 2
    • Campeão de Morfologia: MR N POUS.POI 6814 – Criador: Felipe Lemos, Fazenda Nova Pousada
    • Campeão de Performance, Gourmet e Desempenho: MR N POUS.POI 6849 – Fazenda Nova Pousada
    • Campeão de Eficiência: MR. W2R JUPTER 1688 – Criador: Wilson Rodrigues, Agropecuária W2R
Parcerias e realização

A Prova de Eficiência e Performance Brahman Boi com Bula é organizada pela ACBB, em parceria com a BrasilcomZ e a Central Bela Vista, com apoio da ABCZ.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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