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RaboResearch projeta Selic estável até o 1º trimestre de 2026 e câmbio a R$ 5,50 no fim de 2025

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O relatório “Preparativos para 2026”, divulgado pela RaboResearch em 22 de dezembro de 2025, indica que o Banco Central do Brasil deve manter a taxa Selic em 15% até o final do primeiro trimestre de 2026, iniciando cortes graduais apenas a partir do segundo trimestre, conforme a evolução dos dados econômicos. A instituição prevê que o dólar encerre 2025 cotado em torno de R$ 5,50, refletindo as incertezas fiscais e políticas no cenário doméstico, além de pressões externas.

Inflação segue resistente e deve ficar acima da meta até 2027

Segundo o relatório, a inflação deve encerrar 2025 em 4,4%, recuar para 3,5% em 2026 e chegar a 3,1% em 2027, mas a convergência para a meta só é esperada em 2028. O Banco Central também revisou para cima a projeção de crescimento do PIB, de 2,0% para 2,3% em 2025 e de 1,5% para 1,6% em 2026, com destaque para o desempenho da agropecuária, que deve crescer 11%.

Cenário fiscal e contas externas seguem pressionados

O déficit em transações correntes atingiu US$ 4,9 bilhões em novembro, acumulando US$ 77,7 bilhões (3,5% do PIB) em 12 meses. Apesar disso, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) manteve trajetória positiva, com entrada líquida de US$ 9,8 bilhões em novembro e total de US$ 84,3 bilhões (3,8% do PIB) no acumulado em 12 meses.

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Para 2025, o Rabobank revisou a projeção de déficit em conta corrente de US$ 69 bilhões para US$ 76,2 bilhões, enquanto o saldo de IED deve alcançar US$ 84,4 bilhões.

Política fiscal busca equilíbrio com corte de incentivos e novas tributações

O relatório destacou ainda a aprovação, pelo Senado, de um projeto de lei que reduz 10% dos benefícios fiscais e eleva a tributação sobre apostas esportivas, fintechs e Juros sobre Capital Próprio (JCP), com o objetivo de gerar R$ 20 bilhões em receitas adicionais e contribuir para a meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões em 2026. O corte nos benefícios tributários entrará em vigor após 90 dias.

Mercado financeiro reflete cautela e volatilidade

O real registrou a pior performance entre 24 moedas emergentes na semana encerrada em 19 de dezembro, com depreciação de 2,3% frente ao dólar. O índice DXY subiu para 98,6 pontos, enquanto o Ibovespa recuou 1,4%, encerrando aos 158.473 pontos.

As commodities também tiveram desempenho misto: o petróleo Brent caiu para US$ 60,47/barril, e o café e o açúcar recuaram 7,8% e 1,9%, respectivamente. Por outro lado, o suco de laranja avançou 15,7% no período.

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Expectativas para 2026

A RaboResearch mantém uma visão cautelosa para o início de 2026. O estudo aponta que o Banco Central deve seguir com política monetária restritiva, já que a inflação de serviços ainda preocupa e as expectativas de longo prazo seguem desancoradas. O primeiro corte da Selic é esperado apenas no segundo trimestre de 2026, com taxa projetada em 12,5% até outubro do próximo ano.

Panorama internacional

Nos Estados Unidos, o crescimento do emprego segue modesto, com 64 mil vagas criadas em novembro e taxa de desemprego em 4,6%, enquanto a inflação núcleo do CPI subiu 2,6% ao ano. Já no Japão, o Banco do Japão elevou a taxa básica para 0,75%, o maior nível em três décadas, e indicou novos aumentos à frente.

O cenário global continua marcado por incertezas geopolíticas e tarifárias, que, somadas às dúvidas fiscais domésticas, devem influenciar a trajetória do câmbio e dos juros no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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