AGRONEGÓCIO
Reforma Tributária no Agro: mais de 90% dos pecuaristas devem ser impactados no Brasil, alerta especialista
AGRONEGÓCIO
A Reforma Tributária já está em fase de transição e promete provocar uma reestruturação profunda no modelo econômico do agronegócio brasileiro. No setor da pecuária de corte, especialistas alertam que o impacto deve ser amplo e atingir principalmente micro, pequenos e médios produtores, que representam mais de 90% dos pecuaristas do país.
Segundo estimativas baseadas no Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil conta com aproximadamente 1,37 milhão de pecuaristas ativos. Desse total, cerca de 180 mil propriedades estão diretamente ligadas à pecuária de corte.
De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a maioria dos produtores se enquadra nas categorias de micro, pequeno e médio porte, com faturamento anual de até R$ 3 milhões, conforme critérios do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) Ministério da Agricultura e Pecuária e do Conselho Monetário Nacional (CMN) Conselho Monetário Nacional.
Base da cadeia produtiva será a mais impactada, alerta tributarista
Para o advogado tributarista do agronegócio Fernando Melo de Carvalho, o principal risco da reforma está na falta de planejamento fiscal por parte dos produtores rurais, especialmente os de menor porte.
Segundo ele, a percepção de complexidade do sistema tributário ainda afasta muitos pecuaristas do planejamento estratégico, o que pode comprometer diretamente a rentabilidade das propriedades.
“O produtor muitas vezes acha que o direito tributário é um assunto distante da realidade do campo, mas a verdade é simples: ou ele se antecipa e planeja, ou vai sentir o impacto diretamente no bolso”, afirma o especialista. “O momento de agir é agora, antes que a margem de lucro seja comprimida.”
Mudança estrutural no modelo de tributação da pecuária
A reforma introduz a nova sistemática de não cumulatividade do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), substituindo o modelo atual e alterando diretamente a lógica de tributação no setor agropecuário.
Na pecuária de corte, uma das mudanças mais relevantes será a incidência tributária sobre operações de compra e venda de gado, incluindo transações que hoje são isentas ou possuem tratamento diferenciado.
Na prática, operações como aquisição de bezerros, garrotes, insumos e equipamentos passarão a compor a base de cálculo do crédito tributário, influenciando diretamente o imposto devido na etapa final da comercialização.
Origem dos animais passa a influenciar crédito tributário
Segundo o especialista, a origem do gado adquirido será determinante para o aproveitamento de créditos dentro do novo sistema tributário. Isso significa que fornecedores informais ou desalinhados com a nova estrutura podem gerar perdas financeiras indiretas ao produtor.
“Se o produtor compra animais sem rastreabilidade fiscal adequada, ele pode perder créditos importantes no sistema. Isso gera custos ocultos que antes não existiam e impacta diretamente a margem na venda ao frigorífico”, explica Carvalho.
Período de transição exige adaptação imediata
Embora a implementação completa do novo modelo ocorra de forma gradual, o período de transição entre o sistema atual e o novo regime tributário já exige atenção do setor produtivo.
Durante essa fase, o IBS e a CBS coexistirão com tributos antigos, aumentando a complexidade operacional e o risco de erros contábeis, bitributação ou perda de créditos fiscais.
Para o tributarista, esse momento deve ser encarado como uma janela estratégica para revisão de processos internos, contratos e estrutura contábil das propriedades rurais.
“Esperar a reforma estar totalmente implementada é um erro. O produtor precisa revisar agora sua gestão fiscal, organizar fluxos e profissionalizar a contabilidade da fazenda”, destaca.
Risco de perda de competitividade preocupa setor
O aumento da complexidade tributária tende a pressionar ainda mais um setor que já opera com margens estreitas e alta sensibilidade a custos de produção, variação da arroba e oscilações do mercado internacional.
Especialistas avaliam que haverá uma seleção natural no mercado, com vantagem competitiva para produtores que se adaptarem mais rapidamente ao novo sistema de crédito tributário.
Nesse cenário, propriedades que não se adequarem podem perder competitividade, enfrentando menor poder de negociação e redução de rentabilidade.
Gestão tributária passa a ser fator estratégico no agro
A avaliação do setor é que a gestão tributária deixará de ser apenas uma obrigação contábil e passará a integrar a estratégia de gestão da propriedade rural.
Assim como o manejo sanitário e nutricional do rebanho, o planejamento fiscal passa a ser determinante para a sustentabilidade do negócio.
“O desconhecimento não protege o produtor. O sistema tributário vai ser aplicado de qualquer forma. A diferença estará entre quem se prepara e quem não se prepara”, conclui o especialista.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro
O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.
Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.
Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela
O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.
Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.
Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.
Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural
Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.
Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.
Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.
A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.
Cooperativas ampliam presença no campo
Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.
Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.
Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.
CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado
A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.
O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.
Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.
Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.
Desafio para produtores passa a ser gestão financeira
Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.
Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.
Nova fase do crédito rural já começou
O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.
Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.
A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
-
ESPORTES6 dias atrásJapão empata com a Suécia e confirma duelo contra o Brasil nas oitavas
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásComissão aprova pena específica para expulsão de moradores por facções criminosas
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásAditivos energéticos ganham protagonismo e impulsionam competitividade da suinocultura brasileira
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásCerradinhoBio supera R$ 1,5 bilhão de EBITDA e amplia lucro em 90% na Safra 2025/2026
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásSoja no Tocantins: Fazenda de cooperado da Castrolanda atinge 76 sacas por hectare na safra 2025/26
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásJaques Wagner deixa liderança do governo no Senado
-
ACRE5 dias atrásPolícia Civil capacita policiais no uso de Arma de Condutividade Elétrica em Rio Branco
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásTratamento de sementes reduz riscos e pode ser considerado “seguro barato” da lavoura, aponta Embrapa