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Safra 2025/26: Itaú BBA projeta estabilidade climática e desafios para rentabilidade no agronegócio brasileiro

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Condições climáticas indicam La Niña de curta duração

De acordo com o relatório Visão Agro 2025/26, da Consultoria Agro Itaú BBA, as projeções climáticas apontam para um fenômeno La Niña de baixa intensidade e curta duração, com pico entre novembro e dezembro de 2025 e transição para neutralidade no início de 2026.

O cenário tende a favorecer a safra de verão no Brasil e na Argentina, embora possa haver redução de chuvas no extremo Sul do país durante dezembro.

Soja: recorde de produção sul-americana e margens pressionadas

Mesmo com a redução da área plantada nos Estados Unidos, o balanço global de soja deve atingir níveis elevados de produção. A projeção de boas safras no Brasil e na Argentina deve manter estoques confortáveis e pressionar os preços.

O Itaú BBA projeta margem agrícola de 33% para 2025/26, contra 45% na safra anterior, com o preço médio recuando de R$ 109 para R$ 106 por saca. A consultoria alerta que, sem uma quebra significativa de safra, o produtor enfrentará um cenário de rentabilidade menor.

Milho: atraso no plantio da soja pode limitar o milho safrinha

Nos Estados Unidos, a produção de milho deve alcançar 425 milhões de toneladas, impulsionada por maior área e produtividade, o que tende a manter os preços sob pressão.

No Brasil, o atraso no plantio da soja em estados como Goiás e Minas Gerais pode comprometer a janela ideal da segunda safra, restringindo a expansão do milho safrinha. Ainda assim, o cereal segue como a cultura mais atrativa pela boa liquidez e rentabilidade.

A margem agrícola projetada recua de 40% para 30%, com custo médio subindo para R$ 3.736/ha.

Trigo: oferta global recorde derruba preços

O mercado de trigo encerra 2025 sob forte pressão internacional, segundo o Itaú BBA. A produção mundial deve atingir 829 milhões de toneladas, com estoques de 271,4 milhões — o maior volume em quatro anos.

Mesmo com redução da área plantada no Brasil, a produtividade manteve-se elevada, mas as chuvas e granizos no Sul afetaram a qualidade do grão, elevando a incidência de micotoxina DON.

Com o real valorizado e as importações argentinas em alta, a margem agrícola segue negativa, variando entre -12% e -16% conforme a região.

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Arroz: preços em queda e margens negativas

O arroz mantém trajetória de queda, com o preço médio de R$ 56 por saca em novembro, cerca de 50% inferior ao mesmo período de 2024.

O excesso de oferta e câmbio desfavorável limitaram as exportações, elevando os estoques de passagem para mais de 2 milhões de toneladas.

Mesmo com redução de área e menor investimento tecnológico, a rentabilidade segue comprimida, com margem negativa de 8%.

Algodão: ampla oferta global mantém mercado pressionado

A produção de algodão nos EUA e na China deve crescer, ampliando a oferta mundial e reduzindo as margens dos produtores brasileiros.

No Brasil, a área plantada deve diminuir levemente devido ao aumento de custos e preços menores. A margem projetada cai de 39% para 24%, com preço médio da pluma recuando de R$ 128 para R$ 119 por arroba.

A demanda têxtil global enfraquecida e as incertezas comerciais devem manter os preços estáveis em 2026.

Boi gordo: ciclo de oferta em transição

A pecuária de corte deve encerrar 2025 com recorde de abates e exportações, mas a partir de 2026, o menor volume de fêmeas abatidas e o recuo da oferta de gado podem sustentar alta nos preços.

A valorização do bezerro tende a continuar, com o ciclo de reposição em retomada.

Com a oferta limitada em concorrentes como EUA e Austrália, o Brasil deve manter liderança nas exportações de carne bovina.

Frango: biossegurança e custos sob controle

Após enfrentar restrições temporárias por gripe aviária, o setor de frango se recupera, com produção prevista para crescer 2% em 2026.

Mesmo com risco de atraso no milho safrinha, os custos de ração permanecem favoráveis, garantindo margens positivas.

A consultoria reforça a importância da biossegurança para preservar o acesso a mercados internacionais.

Suínos: recorde de exportações e custos equilibrados

A suinocultura brasileira vive um dos melhores momentos da história, com crescimento de 5% na produção e 15% nas exportações em 2025.

A demanda asiática, especialmente de Filipinas, Japão e Vietnã, impulsiona o setor, enquanto o baixo custo do milho e do farelo de soja garante margens robustas.

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O Itaú BBA alerta, porém, que é essencial planejar investimentos e manter liquidez, diante da volatilidade típica do mercado.

Café: clima ainda exige cautela, mas safra deve crescer

Após sete meses de seca, o retorno das chuvas em novembro indica boa recuperação das lavouras de arábica. A projeção é de safra superior em 2026, com 62,8 milhões de sacas.

Mesmo com custos em alta, as margens seguem positivas — 71% no arábica e 62% no conilon.

O mercado global deve permanecer volátil, mas sem quedas acentuadas de preço, segundo o Itaú BBA.

Laranja: maior produção e menor rentabilidade

Com estimativa de 307 milhões de caixas, a safra de laranja 2025/26 marca queda nas cotações e margens menores para o produtor.

A indústria prioriza frutas de melhor qualidade e ratio mais elevado, reduzindo o aproveitamento de laranjas com baixo teor de açúcar.

Nos EUA, a retirada da tarifa de 10% sobre o suco brasileiro impulsiona as exportações, mas o preço interno deve permanecer abaixo de R$ 50 por caixa.

Açúcar e etanol: recuperação do mix e novas perspectivas

Mesmo com queda nos preços do açúcar, a rentabilidade das usinas foi garantida por fixações antecipadas.

Para 2026/27, espera-se migração maior para o etanol, impulsionada pela alta da mistura anidro-gasolina para 30% e pelo avanço da produção de etanol de milho, que deve alcançar 12,2 bilhões de litros.

O Itaú BBA prevê crescimento expressivo da oferta total, o que poderá pressionar preços a partir do segundo semestre de 2026.

Fertilizantes: preços em queda, mas ainda elevados

Após o pico do primeiro semestre de 2025, os preços dos fertilizantes recuaram, especialmente os fosfatados e nitrogenados, com a retomada das exportações chinesas.

Mesmo assim, permanecem em níveis elevados, e o setor segue vulnerável a riscos geopolíticos.

No Brasil, as importações seguem firmes, mas o atraso nas compras para a próxima safra pode gerar gargalos logísticos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Soja despenca em Chicago, trava negócios no Brasil e mantém preços estáveis no mercado físico

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A forte desvalorização dos contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) marcou o mercado ao longo da semana e contribuiu para a paralisação das negociações no Brasil. Mesmo com a valorização do dólar frente ao real, o recuo das cotações internacionais reduziu o interesse dos agentes do mercado e manteve a comercialização em ritmo lento nas principais regiões produtoras do país.

A combinação entre a queda expressiva em Chicago e o feriado da última quinta-feira diminuiu a liquidez do mercado brasileiro. Como resultado, os preços da oleaginosa permaneceram praticamente inalterados nos principais polos de comercialização.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos seguiu cotada a R$ 126,00 durante toda a semana. Em Cascavel (PR), o valor permaneceu em R$ 121,00 por saca. Já em Rondonópolis (MT), a referência ficou em R$ 110,00. No Porto de Paranaguá (PR), importante termômetro das exportações brasileiras, a cotação se manteve em R$ 132,00 por saca.

Chicago atinge menor nível desde fevereiro

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja com vencimento em julho, os mais negociados do mercado, acumularam perdas superiores a 5% na semana. Na manhã desta sexta-feira (5), o contrato era negociado a US$ 11,26 por bushel, o menor patamar registrado desde o início de fevereiro.

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A pressão baixista está diretamente relacionada aos fundamentos globais da oferta. As condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos seguem beneficiando o desenvolvimento das lavouras, reforçando as expectativas de uma safra cheia na temporada 2026/27.

Além disso, o mercado já começa a revisar para cima as projeções de produtividade das lavouras norte-americanas. O cenário se soma às safras robustas colhidas recentemente por Brasil e Argentina, ampliando a disponibilidade global da commodity e aumentando a pressão sobre os preços internacionais.

Demanda chinesa ainda decepciona mercado

Pelo lado da demanda, os investidores seguem atentos ao comportamento das importações chinesas. Apesar do acordo comercial firmado entre China e Estados Unidos em maio, o mercado ainda não observa uma retomada consistente das compras chinesas de soja norte-americana.

A ausência desse movimento limita o potencial de recuperação das cotações e reforça o ambiente de cautela entre os participantes do mercado internacional.

Relatório do USDA e tensão geopolítica seguem no radar

Nas próximas semanas, dois fatores devem continuar influenciando os preços da soja.

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O primeiro é o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na próxima quinta-feira, dia 11. O documento poderá trazer novas revisões para produção, estoques e exportações da oleaginosa.

O segundo fator é a escalada das tensões no Oriente Médio, que continua gerando volatilidade nos mercados financeiros e energéticos. O impacto sobre os preços do petróleo e o comportamento dos investidores permanecem no centro das atenções.

Dólar sobe, mas não consegue compensar perdas externas

No mercado cambial, o dólar apresentou valorização ao longo da semana, impulsionado pelas incertezas geopolíticas, preocupações com a inflação global e pela expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos.

A moeda norte-americana avançou cerca de 1,4% frente ao real no período, voltando ao patamar de R$ 5,12.

Apesar do movimento favorável para as exportações brasileiras, a alta do câmbio não foi suficiente para neutralizar o impacto negativo provocado pela forte queda das cotações em Chicago, mantendo o mercado doméstico praticamente paralisado e com poucas alterações nos preços da soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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