AGRONEGÓCIO
Safra de citros no Rio Grande do Sul cresce, mas baixa demanda pressiona preços e dificulta comercialização
AGRONEGÓCIO
A citricultura do Rio Grande do Sul atravessa uma safra marcada por boa produtividade e excelente qualidade dos frutos, mas enfrenta desafios crescentes na comercialização. Embora os pomares apresentem carga superior à média dos últimos anos em diversas regiões produtoras, a demanda enfraquecida e os preços considerados baixos pelos agricultores têm limitado a rentabilidade da atividade.
De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, o cenário varia entre as regiões, mas o principal entrave permanece a dificuldade para escoar a produção, especialmente de variedades destinadas ao mercado in natura e à indústria.
Produção elevada favorece qualidade da safra
Na região administrativa de Caxias do Sul, os pomares apresentam boas condições fitossanitárias e desenvolvimento satisfatório. Os produtores realizaram adubações de cobertura e tratamentos preventivos, enquanto culturas de cobertura, como aveia e azevém, seguem em crescimento.
As variedades precoces já estão em fase de colheita, porém o ritmo das vendas permanece abaixo do esperado. A bergamota Caí, a Ponkan e a laranja Umbigo são negociadas entre R$ 1,50 e R$ 2,00 por quilo. Já a laranja destinada à indústria é comercializada a cerca de R$ 1,25 por quilo, enquanto a laranja do Céu alcança R$ 2,00 por quilo.
Na região de Erechim, a expectativa é de produtividade média de 32 toneladas por hectare em 2026. Algumas variedades iniciaram o processo de amadurecimento, despertando interesse comercial pelas cultivares Salustiana, Iapar e Umbigo Navelina. Mesmo assim, produtores relatam insatisfação com os preços, que giram em torno de R$ 0,40 por quilo.
A colheita da laranja Valência destinada à indústria deve começar no fim de julho, enquanto frutas de ciclo médio aguardam a abertura das compras pelas indústrias processadoras.
Já na região de Santa Maria, a colheita da bergamota Ponkan segue normalmente, acompanhando o calendário da safra.
Comercialização lenta preocupa produtores
Apesar do bom desempenho produtivo, a comercialização continua sendo o principal desafio para os citricultores gaúchos.
Na região de Lajeado, a procura por diversas variedades permanece limitada, reduzindo o ritmo das negociações e pressionando os preços recebidos pelos produtores. A colheita da bergamota Ponkan já alcança entre 50% e 70% das áreas cultivadas, enquanto a bergamota Caí varia entre 70% e 80%, mas encontra dificuldades para encontrar compradores devido à retração da demanda e à limitação dos canais de comercialização.
A laranja do Céu gaúcha, variedade precoce, está praticamente no fim da colheita em São Sebastião do Caí, com cerca de 90% dos 45 hectares já colhidos e frutos considerados de excelente qualidade.
Em Harmonia, a colheita da laranja Umbigo Bahia também atingiu aproximadamente 90% da área cultivada, enquanto a variedade Shamouti já teve cerca de 60% dos seus 200 hectares colhidos.
Mesmo com boa oferta de frutas, o mercado para laranja destinada ao processamento segue retraído. Produtores relatam pouco interesse por parte das indústrias e dificuldades para fechar negócios.
O limão Tahiti também enfrenta cenário desafiador. Em Bom Princípio, apesar do aumento no preço por caixa, parte significativa da produção permanece sem mercado, comprometendo a rentabilidade da atividade. Em São Sebastião do Caí, citricultores também relatam dificuldades para comercializar a produção, situação que continua pressionando as cotações.
Greening reforça alerta na citricultura gaúcha
Além dos desafios de mercado, o setor acompanha com atenção o avanço do greening. A confirmação da doença em Palmitinho ampliou a busca por orientações técnicas, reuniões e informações sobre aquisição de mudas certificadas e monitoramento dos pomares.
Segundo a Emater/RS-Ascar, a prevenção tornou-se prioridade, principalmente no Vale do Caí, principal polo citrícola do Rio Grande do Sul, onde milhares de famílias dependem diretamente da atividade.
Mesmo com a redução natural do crescimento vegetativo durante o inverno, não foram registrados danos significativos provocados pelo frio. Pelo contrário, as baixas temperaturas vêm favorecendo a coloração e a qualidade dos frutos destinados ao consumo in natura.
Perspectiva para o setor
A safra de citros no Rio Grande do Sul reúne condições agronômicas favoráveis e produtividade acima da média histórica. Entretanto, o excesso de oferta aliado ao consumo enfraquecido continua limitando a remuneração dos produtores.
Nos próximos meses, a expectativa do setor está concentrada na retomada da demanda, na abertura das compras pela indústria e na manutenção das ações de prevenção ao greening, fatores considerados essenciais para melhorar o equilíbrio entre oferta, preços e rentabilidade da citricultura gaúcha.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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