AGRONEGÓCIO
Safra de grãos do Brasil pode atingir 353,4 milhões de toneladas em 2025/26 e renovar recorde histórico
AGRONEGÓCIO
Conab projeta nova safra recorde de grãos no Brasil
A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, segundo o 6º Levantamento da Safra de Grãos divulgado nesta sexta-feira (13) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Caso a estimativa seja confirmada, o volume representará crescimento de 0,3% em relação à safra 2024/25, consolidando um novo recorde na série histórica da Conab.
O levantamento também aponta aumento da área cultivada. A estimativa é que o país destine 83,2 milhões de hectares ao plantio, avanço de 1,7% na comparação anual. Já a produtividade média nacional das lavouras deve alcançar 4.250 quilos por hectare.
Colheita da soja avança e produção pode atingir novo recorde
Entre as principais culturas da primeira safra, a soja já apresenta avanço significativo na colheita, que atingiu 50,6% da área semeada.
O mês de fevereiro foi considerado desafiador para os produtores devido a excesso de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, especialmente em Goiás e Minas Gerais, além de irregularidade climática em grande parte do Rio Grande do Sul.
No início de março, as regiões Norte e Nordeste também enfrentaram dificuldades nos trabalhos de campo devido às precipitações intensas.
Mesmo diante desses desafios, as condições climáticas foram, de forma geral, favoráveis ao desenvolvimento da cultura. Com isso, a expectativa da Conab é de produção recorde de 177,8 milhões de toneladas de soja.
Milho tem ajustes na área da segunda safra
As chuvas registradas no Sudeste e Centro-Oeste, que atrasaram a colheita da soja, também impactaram o plantio da segunda safra de milho, realizado mais tardiamente em algumas regiões.
Estados como Goiás, Maranhão e Minas Gerais já indicam redução na área destinada ao cereal.
Diante desse cenário, a área estimada para a segunda safra de milho é de 17,7 milhões de hectares, com produção projetada em 108,4 milhões de toneladas.
Já para a primeira safra de milho, a perspectiva é mais positiva, com crescimento tanto na área plantada quanto na produção:
- Área: 4,1 milhões de hectares
- Produção estimada: 27,4 milhões de toneladas
Considerando as três safras de milho cultivadas ao longo do ciclo, a Conab projeta uma produção total de 138,3 milhões de toneladas.
Produção de arroz deve cair com redução da área plantada
No caso do arroz, a colheita já alcançou 19,1% da área cultivada, índice superior à média dos últimos cinco anos.
Para a safra 2025/26, a produção está estimada em 11,2 milhões de toneladas, o que representa queda de 12,4% em comparação com o ciclo anterior. A redução acompanha a diminuição da área destinada ao cultivo do grão.
Apesar disso, as condições climáticas no Rio Grande do Sul, principal estado produtor, foram favoráveis ao desenvolvimento da cultura. Segundo a Conab, dias com alta radiação solar contribuíram para o bom crescimento e sanidade das plantas.
Feijão terá leve redução, mas abastecimento interno está garantido
A produção total de feijão, considerando as três safras da leguminosa, está estimada em 2,9 milhões de toneladas, volume 4,7% inferior ao registrado na temporada anterior.
Na primeira safra, a área plantada apresentou redução de 11,2%, totalizando 807,2 mil hectares, com expectativa de produção de 954 mil toneladas.
Mesmo com a queda na produção, o volume previsto continua suficiente para garantir o abastecimento do mercado interno, segundo a estatal.
Plantio de algodão é concluído e produção deve chegar a 3,8 milhões de toneladas
Para o algodão, o plantio já foi concluído e a maior parte das lavouras se encontra na fase de desenvolvimento vegetativo.
A Conab projeta redução de 3,5% na área cultivada, estimada em aproximadamente 2 milhões de hectares.
Ainda assim, a produção de pluma de algodão deve alcançar 3,8 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Estoques e exportações também entram no radar do mercado
Os ajustes nas projeções de produção, especialmente do milho, também impactaram as estimativas de estoques.
- Milho: estoques de passagem projetados em 11,6 milhões de toneladas ao final de janeiro de 2027
- Arroz: estoque estimado em 1,7 milhão de toneladas, o segundo maior volume dos últimos cinco ciclos
No caso da soja, a produção recorde reforça as expectativas para o comércio exterior. A Conab projeta que as exportações brasileiras da oleaginosa possam alcançar 114,39 milhões de toneladas em 2026, o que também representaria um novo recorde de embarques caso se confirme ao final do ano comercial.
Crescimento da produção reforça importância do Brasil no mercado global
Com perspectiva de nova safra recorde, o Brasil mantém sua posição de destaque no mercado global de alimentos, ampliando sua relevância como fornecedor internacional de grãos.
A combinação de expansão de área, produtividade elevada e demanda externa aquecida, especialmente para a soja, reforça o papel estratégico da agricultura brasileira na segurança alimentar mundial.
6º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Trump taxa o Brasil por “trabalho escravo”, mas compra 30 vezes mais de “países suspeitos”
Os Estados Unidos começaram a cobrar, nesta sexta-feira (24.07), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país não impediria de maneira efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.
Para parte das exportações brasileiras, a nova tarifa será somada à sobretaxa de 25% (veja aqui) que entrou em vigor na quarta-feira (22), elevando o adicional a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a cobrança acumulada alcança setores como calçados, máquinas e equipamentos, incluindo maquinário agrícola, peças, vestuário e produtos químicos não farmacêuticos. Café e suco de laranja ficaram isentos das duas medidas, enquanto a celulose será atingida somente pelos 12,5%. A incidência final dependerá do código tarifário de cada mercadoria.
O argumento norte-americano, porém, esbarra nos próprios números e mostra que a decisão é eminentemente política. Segundo levantamento do Global Slavery Index, elaborado pela fundação Walk Free e apresentado ao G20, os Estados Unidos importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias suspeitas de terem sido produzidas com trabalho forçado e nenhum desses países foi sobretaxado. No caso brasileiro, o montante é de US$ 5,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões, ou seja 30 vezes mais.
A classificação da fundação Walk Free não significa que todas essas mercadorias tenham sido comprovadamente produzidas por trabalhadores escravizados, mas mostra que o mercado norte-americano permanece como um dos principais destinos mundiais de bens provenientes dessas cadeias que se utilizam de mão de obra escravizada.
Entre as compras dos Estados Unidos classificadas como de risco estão US$ 107,6 bilhões em eletrônicos procedentes principalmente da China e da Malásia. Também aparecem US$ 52,4 bilhões em roupas produzidas em países como China, Vietnã, Bangladesh, Índia e Malásia. A lista inclui ainda pescados, madeira e produtos têxteis.
Outra incoerência: a nova cobrança não proíbe a entrada dessas mercadorias. Os produtos originados em cadeias apontadas como vulneráveis ao trabalho forçado poderão continuar chegando aos Estados Unidos desde que os importadores paguem o imposto adicional.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que “investigou” o Brasil não formalizou uma acusação de que os produtos brasileiros estão sendo fabricados com trabalho escravo. Apenas frisou que inexiste uma proibição de importação considerada suficientemente abrangente, para impedir que mercadorias produzidas nessas condições em terceiros países entrem no Brasil, e daqui cheguem aos Estados Unidos .
Essa foi uma forma de justificar o injustificável, já que o Brasil possui uma estrutura própria de repressão ao trabalho análogo à escravidão. O artigo 149 do Código Penal enquadra como crime situações envolvendo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição da liberdade por dívida. O país também mantém grupos móveis de fiscalização e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo.
Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em mais de 8 mil ações fiscais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Somente em 2025, foram resgatadas 2.772 pessoas, enquanto as fiscalizações resultaram no pagamento de aproximadamente R$ 9,4 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias. A versão mais recente da Lista Suja foi atualizada em 14 de julho deste ano.
Esses números não significam que o problema esteja eliminado no território brasileiro. Eles demonstram, entretanto, que o país reconhece a existência das irregularidades, investiga denúncias, responsabiliza empregadores e retira trabalhadores das situações encontradas. O próprio relatório produzido pelo USTR registra manifestações apresentadas durante a investigação que destacaram a existência de uma estrutura legal e institucional consolidada no Brasil.
Outro ponto que relativiza a justificativa humanitária está no amplo conjunto de exceções definido pelos Estados Unidos. Ficaram protegidas da nova tarifa matérias-primas que possam provocar desabastecimento, produtos capazes de gerar impactos econômicos mais amplos e mercadorias que não possam ser produzidas em quantidade suficiente no território norte-americano.
A lista de exceções alcança itens de interesse direto do agronegócio, como determinados produtos de origem animal, sementes, insumos para fertilizantes e defensivos, couros, madeira, café solúvel sem aromatização e volumes de açúcar importados dentro das cotas estabelecidas. Na prática, a aplicação da medida será determinada não apenas pelo argumento relacionado ao trabalho forçado, mas também pela necessidade de preservar o abastecimento e os custos da economia americana.
Para o agro brasileiro, o impacto será desigual. Produtos incluídos nas exceções poderão continuar entrando sem a nova cobrança, enquanto os demais ficarão sujeitos aos 12,5%. Nos casos em que a tarifa se somar à sobretaxa de 25% estabelecida em outra investigação comercial, a cobrança nominal poderá alcançar 37,5%, dependendo da classificação aduaneira de cada mercadoria.
O momento escolhido para colocar a medida em vigor também chama atenção. A nova tarifa começou a valer exatamente quando terminou a cobrança global temporária de 10% criada anteriormente pelo governo norte-americano. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50%. Agora, Washington recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para recompor uma barreira de alcance semelhante sob outra fundamentação jurídica.
A coincidência entre o calendário eleitoral e o aumento das barreiras comerciais mostra que as tarifas norte-americanas deixaram de ser apenas um instrumento de política comercial e passaram a integrar o ambiente político brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásChina e UE colocam R$ 28 bilhões da carne bovina sob pressão
-
FAMOSOS7 dias atrásValentina Francavilla impressiona ao mostrar antes e depois após perder 45 kg
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásPropostas para fortalecer o agro avançaram no Senado no semestre
-
AGRONEGÓCIO3 dias atrásMudança no ITR pode impedir cobrança sobre terras invadidas e limitar avaliações abusivas
-
MP AC7 dias atrásMPAC participa de reunião sobre conflito fundiário e direitos das famílias do Seringal São Bernardo
-
POLÍTICA NACIONAL3 dias atrásProjeto reconhece seleções brasileiras de futebol como símbolos da identidade nacional
-
AGRONEGÓCIO3 dias atrásNova plataforma acelera seleção de trigo resistente a doenças
-
SEM CATEGORIA4 dias atrásPrefeitura de Rio Branco entrega novo ponto de táxi no bairro Cidade Nova