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Safra recorde de soja 2025/26 deve alcançar 181,3 milhões de toneladas no Brasil, aponta Céleres

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Produção nacional deve atingir novo recorde histórico

A safra brasileira de soja 2025/26 caminha para consolidar um novo recorde histórico, com produção estimada em 181,3 milhões de toneladas, segundo levantamento da consultoria Céleres. O volume representa crescimento de 5% em relação ao ciclo anterior, quando o país colheu 172,8 milhões de toneladas — até então, o maior resultado da história.

O desempenho é impulsionado principalmente pelas boas condições climáticas observadas durante o ciclo produtivo e pelo aumento da área plantada, que passou de 47,64 para 48,60 milhões de hectares, um avanço de 2%. A produtividade média nacional também deve crescer, subindo de 3,63 para 3,73 toneladas por hectare, alta de 2,9%.

Segundo Anderson Galvão, consultor da Céleres, a revisão para cima das estimativas foi motivada pelo desempenho sólido das lavouras no Sul. “As condições climáticas favoreceram o desenvolvimento da soja, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná, garantindo uma safra cheia e acima das expectativas iniciais”, afirma.

Sul lidera crescimento, com destaque para o Rio Grande do Sul e Paraná

A região Sul se confirma como o principal motor da expansão nesta safra. A produção deve crescer 11%, passando de 42,8 para 47,5 milhões de toneladas, impulsionada por uma produtividade 10,6% maior, que avança de 3,16 para 3,49 t/ha.

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O Centro-Oeste também mantém sua posição de liderança nacional, com 87,5 milhões de toneladas — aumento de 3,6% na produção e de 2,1% na área plantada. Já o Sudeste apresenta ganhos mais moderados, com crescimento de 2,3%, totalizando 14,4 milhões de toneladas.

No Nordeste, a produção tende à estabilidade, estimada em 18,8 milhões de toneladas, devido à pressão sobre a produtividade em áreas do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde o início da colheita ficou levemente abaixo do esperado.

Por fim, a região Norte deve registrar expansão gradual, com alta de 3,2% na produção, alcançando 13,1 milhões de toneladas, e crescimento expressivo da área plantada, de 5,4%, uma das maiores taxas do país.

Estoques sobem e trazem novos desafios para o produtor

Com o aumento expressivo da produção, a Céleres projeta estoques finais próximos de 8 milhões de toneladas na safra 2025/26 — o maior volume desde 2018/19. A relação estoque/consumo deve atingir 4,4%, evidenciando maior oferta interna de soja.

Esse cenário, no entanto, acende um sinal de alerta para o setor produtivo. O ritmo mais lento de comercialização, somado à valorização do câmbio e à pressão sobre as margens de lucro, deve tornar o início de 2026 um período de maior desafio financeiro para os produtores.

“O produtor enfrenta um ambiente mais competitivo e de preços pressionados, o que exige cautela nas decisões comerciais e maior atenção ao fluxo de caixa”, ressalta Galvão.

Tendência de preços é de baixa para 2026

A Céleres avalia que a tendência dos preços da soja é de queda ao longo de 2026, refletindo a combinação de alta oferta, crescimento dos estoques e ritmo mais lento de exportações. Mesmo no período de entressafra, a consultoria projeta manutenção de preços em patamares mais baixos, reforçando o ambiente de atenção no mercado interno.

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Apesar dos desafios de curto prazo, o bom desempenho da safra reafirma o protagonismo do Brasil no mercado global de soja, consolidando o país como maior produtor e exportador mundial do grão.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito privado cresce e amortece recuo do Plano Safra

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O avanço dos instrumentos privados de financiamento está ajudando o agronegócio a cobrir parte do espaço deixado pela retração das linhas tradicionais de crédito rural. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho, crescimento de 12% em 12 meses, enquanto fundos e títulos ligados ao setor também ganharam participação.

Os saldos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 81% em dois anos. No mesmo período, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 9%. A expansão mostra que o financiamento da produção está se tornando mais diversificado e menos concentrado nos bancos.

Essa alternativa ganhou importância porque a área financiada pelas linhas de custeio do Plano Safra diminuiu 25,8% em 12 meses. O total passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O valor liberado caiu em proporção menor, de R$ 205,8 bilhões para R$ 181,1 bilhões, retração de 12%. O número de contratos recuou 10,3%, de 867 mil para 777,8 mil.

Na prática, o financiamento médio aumentou de aproximadamente R$ 6 mil para R$ 7,1 mil por hectare. Isso mostra que o crédito disponível está cobrindo uma área menor e acompanhando, ao menos parcialmente, o aumento dos custos de produção.

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As CPRs permitem ao produtor levantar recursos tendo como referência a produção rural, com pagamento em produto ou dinheiro. O instrumento pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores e investidores, ampliando as possibilidades além das linhas oficiais.

As emissões de CPRs somaram R$ 377,8 bilhões durante a safra 2025/26. Embora o estoque continue crescendo, o ritmo das novas operações perdeu força, sinal de que o crédito privado também sente os efeitos dos juros elevados e da maior cautela dos financiadores.

O acesso a essas alternativas ainda é desigual. Grandes produtores, cooperativas e empresas com maior capacidade de oferecer garantias conseguem chegar com mais facilidade ao mercado privado. Pequenos e médios agricultores continuam mais dependentes dos bancos, das cooperativas de crédito e das linhas subsidiadas do Plano Safra.

A maior seletividade está relacionada ao crescimento das operações rurais com algum grau de dificuldade. Em julho, 23,5% da carteira ativa estava classificada como problemática, somando R$ 207,5 bilhões. Esse valor não representa apenas inadimplência: inclui contratos em atraso, renegociados ou prorrogados.

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As instituições financeiras também passaram a reconhecer antecipadamente possíveis perdas, conforme as regras da Resolução 4.966, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro de 2025, a norma leva os bancos a aumentar as reservas quando identificam deterioração na capacidade de pagamento, o que reforça a cautela nas novas concessões.

No Rio Grande do Sul, onde sucessivas perdas climáticas elevaram o endividamento, a área financiada caiu 29,3%. O valor contratado recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de operações diminuiu 16,4%, para 189,6 mil.

Apesar da retração, os resultados atuais da produção, das exportações e dos preços dos alimentos permanecem sustentados por lavouras implantadas com recursos contratados anteriormente. O efeito da redução mais recente do crédito será conhecido com maior clareza durante a safra 2026/27.

O crescimento das CPRs, dos CRAs e dos Fiagros mostra que o setor encontrou novos caminhos para financiar a produção. Esses instrumentos ainda não substituem o crédito bancário, principalmente para pequenos e médios produtores, mas ampliam as fontes de recursos e reduzem parte da dependência do Plano Safra.

Fonte: Pensar Agro

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