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Sequenciamento inédito do genoma do açaí abre nova era para produtividade, bioeconomia e indústria de alimentos

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O açaí, um dos principais símbolos da bioeconomia amazônica e um dos produtos agrícolas de maior valor da Região Norte, acaba de alcançar um marco histórico para a ciência brasileira. Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental e da Universidade Federal do Pará (UFPA) realizaram, pela primeira vez, o sequenciamento completo do genoma do açaizeiro (Euterpe oleracea Mart.), avanço que promete revolucionar o melhoramento genético da cultura e ampliar as oportunidades para a indústria de alimentos, cosméticos e fármacos.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Genome e representam um passo decisivo para o desenvolvimento de cultivares mais produtivas, resistentes e adaptadas às novas demandas do mercado.

Genoma permitirá acelerar o melhoramento genético do açaí

O conhecimento detalhado do DNA da planta permitirá identificar, com muito mais rapidez, os genes responsáveis por características agronômicas de interesse, como maior produtividade, elevado teor de antocianinas, adaptação a diferentes ambientes e resistência a futuras doenças.

Até então, programas de melhoramento dependiam de longos ciclos de avaliação em campo, que podem levar vários anos até que uma planta revele suas características produtivas.

Com os chamados marcadores moleculares, os pesquisadores poderão selecionar plantas superiores ainda nas fases iniciais de desenvolvimento, reduzindo significativamente o tempo necessário para o lançamento de novas cultivares.

Pesquisa explica diferença entre o açaí roxo e o branco

Durante o estudo, os cientistas compararam amostras de açaí roxo e do chamado “açaí branco”, variedade que produz frutos de coloração verde-clara.

A análise revelou que a coloração característica do açaí tradicional ocorre pela ativação de uma enzima responsável pela produção das antocianinas, pigmentos naturais que também possuem elevada capacidade antioxidante.

Na variedade branca, os pesquisadores identificaram uma inibição dos genes responsáveis por iniciar esse processo, impedindo a formação dos pigmentos.

Além de explicar a diferença de coloração entre os frutos, essa descoberta amplia o conhecimento sobre os mecanismos biológicos da espécie e poderá orientar novos programas de seleção genética.

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Desenvolvimento de novas cultivares pode ser até três vezes mais rápido

Segundo pesquisadores envolvidos no projeto, o sequenciamento genético representa uma mudança significativa na forma como o melhoramento do açaizeiro será conduzido nos próximos anos.

A pesquisadora Maria do Socorro Padilha, da Embrapa Amazônia Oriental, lembra que foram necessários cerca de 24 anos de pesquisas para o desenvolvimento da primeira cultivar de açaí lançada pela instituição.

Com as informações genômicas hoje disponíveis, esse período poderá ser reduzido para aproximadamente oito a dez anos, já que boa parte da seleção genética poderá ser realizada em laboratório antes das avaliações em campo.

Tecnologia amplia adaptação do açaí ao cultivo em terra firme

Outro foco das pesquisas é ampliar a adaptação do açaizeiro ao cultivo em terra firme.

Natural das áreas de várzea da Amazônia, a espécie cresce tradicionalmente em ambientes sujeitos a inundações periódicas. O conhecimento do genoma permitirá identificar genes relacionados à adaptação da planta a regiões menos úmidas, ampliando as possibilidades de cultivo e fortalecendo a expansão sustentável da cultura.

Descoberta abre caminho para novos produtos da bioeconomia

Além dos benefícios para a produção agrícola, o sequenciamento do genoma cria novas oportunidades para o desenvolvimento de produtos de alto valor agregado.

Os pesquisadores destacam que a identificação dos genes responsáveis pela produção de moléculas como antioxidantes naturais e corantes vegetais poderá viabilizar novas rotas biotecnológicas.

Com técnicas de engenharia biológica, microrganismos como bactérias e leveduras poderão ser utilizados para produzir esses compostos em laboratório, reduzindo a necessidade de extração direta das plantas e tornando o processo mais sustentável.

Essa estratégia amplia o potencial de utilização do açaí por setores como:

  • indústria alimentícia;
  • indústria farmacêutica;
  • setor cosmético;
  • produção de ingredientes naturais;
  • bioeconomia de base florestal.
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Conhecimento científico fortalece a pesquisa na Amazônia

Além das aplicações industriais, o mapeamento genético também servirá como base para novos estudos sobre a biologia do açaizeiro.

Os pesquisadores pretendem disponibilizar essas informações em bases públicas, permitindo que universidades e centros de pesquisa ampliem o conhecimento sobre a espécie e acelerem novas descobertas relacionadas ao cultivo e à conservação da biodiversidade amazônica.

Quatro décadas de pesquisa consolidam a evolução da cultura

O avanço atual é resultado de décadas de investimentos em pesquisa.

O programa de melhoramento genético da Embrapa teve início nos anos 1990, concentrando esforços no açaí de touceira (Euterpe oleracea), espécie predominante no Pará, Amapá e Maranhão e responsável pela maior parte da produção nacional.

Os trabalhos permitiram o lançamento da cultivar BRS Pará, em 2005, voltada ao aumento da produtividade, e da BRS Pai d’Égua, em 2019, desenvolvida para oferecer maior regularidade de produção ao longo do ano quando cultivada sob irrigação.

Atualmente, o projeto Melhoraçaí – Fase III amplia as pesquisas tanto com o açaí de touceira quanto com o açaí-solteiro (Euterpe precatoria), espécie predominante nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima.

Sequenciamento fortalece o futuro da cadeia produtiva

O sequenciamento do genoma do açaí representa um dos maiores avanços científicos já alcançados para essa cultura no Brasil.

Ao acelerar o melhoramento genético, ampliar a produtividade, favorecer a adaptação climática e abrir novas possibilidades para a bioeconomia, a pesquisa reforça o protagonismo da Amazônia na geração de conhecimento científico e no desenvolvimento sustentável de uma das cadeias produtivas mais importantes da região.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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