AGRONEGÓCIO
Setor de Proteína Animal Discute Desafios Econômicos e Geopolíticos no Kick-Off FACTA 2026
AGRONEGÓCIO
O Kick-Off FACTA 2026, realizado em 4 de fevereiro, em São Paulo (SP), reuniu as principais lideranças do agronegócio brasileiro para discutir os desafios e perspectivas da cadeia de proteína animal diante de um cenário global marcado por instabilidade geopolítica, custos elevados e mudanças estruturais no comércio internacional.
O encontro, promovido pela Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (FACTA), contou com a presença de representantes do setor produtivo, autoridades públicas, especialistas e executivos de grandes empresas do agronegócio.
Abertura Reforça Importância Estratégica da Proteína Animal em São Paulo
A cerimônia de abertura contou com a presença do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, que destacou o papel da proteína animal como pilar do agronegócio paulista, lembrando que quatro das principais cadeias produtivas do estado estão ligadas ao setor.
“Estar ao lado da FACTA é reconhecer o protagonismo da proteína animal e reafirmar que a Secretaria mantém as portas abertas para o diálogo com toda a cadeia produtiva”, afirmou Melo Filho.
Entre as lideranças presentes estavam também o presidente da FACTA, Ariel Mendes; o presidente da Aviagen América Latina e do Conselho Curador da FACTA, Ivan Pupo Lauandos; o presidente do Sindirações, Roberto Betancourt; a diretora técnica da ABPA, Sula Alves; e o diretor técnico do Sebrae-SP, Marco Vinholi.
Setor Apresenta Demandas por Crédito e Estrutura Produtiva
Durante o evento, o presidente da FACTA, Ariel Mendes, levou ao secretário uma demanda da Associação Paulista de Avicultura (APA) e da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) sobre o déficit de galpões de produção no estado.
Segundo Mendes, São Paulo enfrenta um déficit imediato de 320 galpões, que pode chegar a 700 até 2028, o que limita a expansão de frigoríficos e a competitividade frente a outros estados.
Ele defendeu a criação de um programa de juros subsidiados com recursos estaduais, semelhante ao modelo adotado no Paraná, como forma de viabilizar novos investimentos no setor. Melo Filho se comprometeu a avaliar as propostas e reforçou a importância da ciência e da tecnologia no fortalecimento do agro paulista.
Cenário Internacional e Desafios Geopolíticos Marcam os Debates
O primeiro painel técnico do evento tratou do cenário político e econômico global para 2026, com análises de Larissa Wachholz, diretora-executiva da Vallya Agro, e Christian Lohbauer, diretor da Lohbauer Consultoria Internacional.
Larissa destacou que o ambiente internacional segue marcado por tensões entre Estados Unidos e China e defendeu que o Brasil mantenha postura pragmática e neutra diante das disputas geopolíticas.
“O Brasil precisa atuar com equilíbrio, ampliar sua presença em diferentes mercados e evitar alinhamentos que limitem oportunidades comerciais”, pontuou.
Lohbauer, por sua vez, alertou para as pressões fiscais e o aumento de recuperações judiciais no país, inclusive no agronegócio. Para ele, o Brasil ainda preserva forte capacidade produtiva, mas precisa de ambiente institucional mais previsível para sustentar o crescimento.
Mercado de Carnes e Ovos Mostra Sinais de Consolidação
O segundo painel abordou as tendências do mercado de carnes e ovos, com a participação de Jairo Arenázio (PlumaGen), Roberto Betancourt (Sindirações e IFIF) e Sula Alves (ABPA).
Arenázio destacou o avanço da avicultura e da suinocultura e o crescimento expressivo do consumo de ovos, ressaltando o potencial de industrialização e exportação.
“O aumento da demanda por ovos reforça a importância de agregar valor e ampliar o acesso ao mercado internacional”, afirmou.
Betancourt enfatizou a competitividade da ração nacional, a disponibilidade de matérias-primas e a credibilidade sanitária do Brasil como diferenciais para o setor de proteína animal. Já Sula Alves alertou para a necessidade de manter a competitividade global frente ao avanço de outros grandes players, reforçando que a coordenação entre os elos da cadeia é fundamental.
Evento Consolida Papel da FACTA como Espaço de Diálogo Técnico
Para o presidente do Conselho Curador da FACTA, Ivan Pupo Lauandos, o encontro teve resultados muito positivos, promovendo análises qualificadas e debates estratégicos sobre o futuro da produção animal.
“O Kick-Off FACTA se consolida como um espaço de troca de conhecimento e de construção conjunta de soluções para o setor”, avaliou Lauandos.
Ariel Mendes encerrou destacando que o evento reúne mantenedores, apoiadores e representantes de toda a cadeia produtiva, e que as discussões apontam expectativas favoráveis para 2026, com foco nas cadeias de frango, suínos e pescado.
FACTA Anuncia Agenda Técnica e Eventos Regionais para 2026
A FACTA apresentou o calendário de ações para 2026, que inclui o programa “FACTA na Estrada”, com eventos regionais nos principais polos produtores do país.
Entre os destaques estão:
- Simpósio Salmonella – O Desafio Invisível, nos dias 18 e 19 de março, em Toledo (PR);
- Simpósio de Atualização em Poedeiras, em 20 e 21 de maio, no Recife (PE);
- Participação no SIAVS + FACTA 2026, em 5 de agosto, em São Paulo (SP);
- Simpósio sobre Incubação e Matrizes, em 7 e 8 de outubro, em Chapecó (SC);
- Simpósio de Coccidiose e Saúde Intestinal, em 4 e 5 de novembro, em Uberlândia (MG).
A fundação também lançará quatro novas publicações técnicas, incluindo a 4ª edição de “Doenças das Aves” e a 1ª edição de “Produção de Suínos”.
Próxima Conferência FACTA Será em Campinas em 2027
O encerramento do evento marcou o anúncio da próxima Conferência FACTA, que será realizada nos dias 1º e 2 de setembro de 2027, na Sociedade Hípica de Campinas (SP). O local foi escolhido por sua localização estratégica e estrutura de apoio ao setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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