AGRONEGÓCIO
Custos de produção sobem e reduzem margem da cafeicultura paulista, aponta Campo Futuro
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Margens do café seguem positivas, mas mais apertadas em São Paulo
A cafeicultura paulista enfrenta um cenário de maior pressão sobre a rentabilidade, com aumento dos custos de produção e recuo nos preços do café reduzindo as margens dos produtores. Levantamentos do projeto Campo Futuro indicam que, embora a atividade ainda apresente resultado positivo, o ganho econômico vem diminuindo de forma significativa.
Os dados foram coletados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com apoio do Sistema Faesp/Senar e de sindicatos rurais, em propriedades representativas dos municípios de Caconde e Franca, importantes polos produtores do estado de São Paulo.
Caconde: alta de custos e queda de margem mesmo com produtividade maior
No município de Caconde, o estudo considerou uma propriedade padrão de 5 hectares, com cultivo não irrigado e manejo manual. A produtividade média foi estimada em 39 sacas por hectare, um avanço de 39% em relação ao levantamento anterior.
Apesar do desempenho positivo no campo, o aumento dos custos comprometeu a rentabilidade. O Custo Operacional Efetivo (COE) por hectare subiu 12%, com destaque para a elevação dos gastos com fertilizantes.
Como resultado, as margens permaneceram positivas, porém registraram retração média de 30% na comparação anual, refletindo também a queda nos preços do café após os patamares mais elevados observados no ciclo anterior.
Franca: mecanização e valorização da terra elevam pressão sobre retorno
Em Franca, a propriedade modal analisada possui 50 hectares, com sistema de produção não irrigado e manejo mecanizado. A produtividade foi estimada em 35 sacas por hectare, crescimento de 32% em relação à safra anterior.
O COE por hectare apresentou aumento ainda mais expressivo, de 16% frente a 2025. Além disso, a valorização das terras agrícolas elevou o capital imobilizado, exigindo maior retorno econômico para sustentar a atividade.
Mesmo com o avanço da produtividade, a combinação entre custos mais altos e queda nos preços do café resultou em redução da receita projetada. As margens seguiram positivas, mas com retração superior a 30%.
Custos e preços desafiam sustentabilidade da atividade
De acordo com os dados do Campo Futuro, o atual cenário evidencia que a cafeicultura ainda consegue cobrir seus custos diretos no curto prazo, mas enfrenta desafios crescentes para manter a rentabilidade.
O aumento dos custos de insumos e da colheita, somado à volatilidade dos preços, reforça a necessidade de maior eficiência produtiva e gestão mais rigorosa dentro das propriedades.
Planejamento e eficiência serão determinantes
As entidades responsáveis pelo levantamento destacam que os resultados servem como base técnica para o planejamento das próximas safras e para a formulação de políticas públicas voltadas ao setor cafeeiro.
Diante do cenário atual, a sustentabilidade da atividade dependerá de fatores como:
- ganhos contínuos de produtividade
- controle de custos operacionais
- adoção de tecnologias e manejo eficiente
A cafeicultura paulista segue relevante no cenário nacional, mas o ambiente de custos elevados e preços mais baixos exige maior profissionalização e estratégias para preservar a rentabilidade no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Milho no Brasil: preços oscilam com baixa liquidez, pressão da safra e incertezas em Chicago
O mercado de milho no Brasil continua operando com liquidez limitada e oscilações pontuais nos preços, refletindo o equilíbrio entre oferta elevada no curto prazo e uma demanda ainda cautelosa. Levantamentos do Cepea e análises da TF Agroeconômica indicam que o setor atravessa um momento de indefinição, com influência direta do avanço da colheita, estoques elevados e sinais mistos no mercado internacional.
Liquidez reduzida e negociações pontuais
Nas principais praças produtoras, os negócios seguem em ritmo lento. Compradores priorizam o consumo de estoques previamente adquiridos, enquanto vendedores restringem a oferta, atentos às incertezas climáticas e ao comportamento dos preços.
Esse cenário resultou em leves ajustes nas cotações:
- São Paulo: pequenas altas sustentadas pela retração de vendedores
- Sul e Centro-Oeste: predominância de quedas, pressionadas pela maior oferta
A colheita da safra de verão, especialmente no Sul, e o volume expressivo de soja colhida no Centro-Oeste aumentam a necessidade de comercialização por parte dos produtores, mesmo diante de preços relativamente estáveis.
Sul do Brasil: mercado travado e colheita avançando
No Rio Grande do Sul, os preços variam entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca, com média de R$ 58,19. A leve alta semanal reflete fatores como menor disponibilidade em algumas regiões, recomposição de estoques e disputa por fretes. Ainda assim, a demanda segue pouco ativa.
A colheita no estado atingiu 92% da área, com avanço lento devido às chuvas e à priorização de outras culturas. Já o milho para silagem chega a 89% da área colhida.
Em Santa Catarina, o mercado permanece travado. As pedidas giram em torno de R$ 75,00 por saca, enquanto compradores ofertam cerca de R$ 65,00, mantendo o impasse nas negociações.
No Paraná, a pressão baixista continua. Os preços orbitam R$ 65,00, com demanda próxima de R$ 60,00 CIF. A primeira safra está praticamente concluída (98%), enquanto a segunda safra ainda enfrenta impactos do déficit hídrico, apesar de alguma recuperação recente.
Centro-Oeste: pressão com oferta elevada
Em Mato Grosso do Sul, o aumento da oferta e a postura cautelosa dos compradores resultaram em recuo nos preços, que variam entre R$ 53,96 e R$ 55,30 por saca.
A indústria de bioenergia segue como importante canal de escoamento, mas ainda insuficiente para equilibrar o mercado no curto prazo.
Chicago e cenário global: mercado lateralizado
No ambiente internacional, o milho negociado na Bolsa de Chicago (CBOT) apresenta comportamento lateralizado, com leve viés de alta. O contrato julho/2026 oscila entre 460 e 480 cents por bushel, sem definição clara de tendência.
Entre os fatores de sustentação estão:
- Possíveis atrasos no plantio nos Estados Unidos devido às chuvas
- Atuação de fundos no mercado futuro
- Riscos climáticos na safrinha brasileira
- Queda nos estoques de etanol nos EUA, indicando demanda resiliente
Por outro lado, alguns elementos limitam avanços mais consistentes:
- Maior agressividade da Argentina nas exportações
- Oferta elevada na América do Sul
- Estoques elevados no Brasil
- Produção de etanol norte-americana levemente menor
Tendência indefinida e estratégia para o produtor
Diante desse cenário, o mercado segue sem direção clara no curto prazo. A combinação de oferta robusta, especialmente com a entrada da safrinha, e demanda moderada mantém pressão sobre os preços internos.
A recomendação de analistas é que produtores aproveitem momentos de recuperação nas cotações — especialmente em caso de rompimento de resistências em Chicago — para realizar vendas e fixar margens.
Para compradores e indústrias, o ambiente ainda oferece oportunidades pontuais de aquisição, mas exige cautela, principalmente em momentos de alta no mercado internacional.
Perspectiva
Com a evolução da segunda safra e o comportamento do clima nas próximas semanas, o mercado de milho deve continuar sensível a fatores internos e externos. Até lá, a tendência é de manutenção da volatilidade e de negócios pontuais, sem força suficiente para uma mudança consistente de direção nos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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