AGRONEGÓCIO
Soja em alta: dólar valorizado, demanda externa e otimismo comercial impulsionam preços no Brasil e em Chicago
AGRONEGÓCIO
Os preços da soja registraram elevação na última semana em diversas regiões do país, impulsionados pela valorização do dólar, pela maior demanda internacional e pela retração dos produtores nas negociações de grandes volumes. De acordo com o Cepea, o câmbio mais favorável aumentou a competitividade da oleaginosa brasileira no mercado global, em um momento de novas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
Pesquisadores destacam ainda que a imposição de tarifas norte-americanas a produtos chineses, que entram em vigor em novembro, pode intensificar a demanda pelo grão brasileiro. Entretanto, a queda das cotações futuras da soja nos EUA limitou parte dos ganhos no Brasil. A Conab estima que a safra 2025/26 deve atingir 177,6 milhões de toneladas, com crescimento de 3,6% na área plantada, alcançando 49,07 milhões de hectares, impulsionada pela substituição de lavouras de arroz por soja.
Recuperação de preços nas principais praças produtoras
O mercado da soja apresentou sinais de recuperação em estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, segundo dados da TF Agroeconômica.
No Rio Grande do Sul, a valorização foi expressiva nos portos: R$ 140,23/sc (+3,87%). No interior, as cotações giraram em torno de R$ 132,00/sc (+1,54%), enquanto em Panambi, o preço recuou para R$ 120,00/sc, refletindo menor ritmo comprador.
Em Santa Catarina, o porto de São Francisco do Sul manteve estabilidade em R$ 138,11/sc, com prioridade no abastecimento interno para a produção de ração animal, setor que tem sustentado recordes de exportação de carnes.
No Paraná, o mercado apresentou consistência: Paranaguá registrou R$ 140,23/sc (+0,41%), enquanto Cascavel e Maringá tiveram valores próximos de R$ 128,70/sc. Em Ponta Grossa, o preço ficou em R$ 130,21/sc, e no balcão, R$ 120,00/sc.
Já no Mato Grosso do Sul, a volatilidade foi intensa, com preços variando entre R$ 120,63 e R$ 125,23/sc, refletindo o impacto da estiagem sobre a nova safra e a escassez do grão da safra anterior. No Mato Grosso, por outro lado, houve leve recuo, com Lucas do Rio Verde e Sorriso cotando a saca a R$ 119,38, mesmo com a alta registrada na Bolsa de Chicago.
Chicago reage a declarações de Trump e expectativa de acordo com a China
Os preços internacionais da soja iniciaram a semana em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), apoiados pela possibilidade de um novo acordo comercial entre Estados Unidos e China. As declarações do ex-presidente Donald Trump, que afirmou estar confiante em retomar as compras chinesas de soja norte-americana, trouxeram otimismo ao mercado.
Por volta das 8h17 (horário de Brasília) desta segunda-feira (20), os contratos futuros apresentavam valorização: janeiro/25 a US$ 10,45/bushel (+9 pts) e março/26 a US$ 10,59/bushel (+8,5 pts). O movimento foi reforçado pela melhora no apetite dos investidores e pela percepção de que os EUA poderão reduzir tarifas sobre produtos chineses.
A semana anterior também foi marcada por ganhos consistentes em Chicago. O contrato de novembro encerrou em alta de 0,87%, a US$ 1.019,50/bushel, enquanto janeiro subiu 0,80%, a US$ 1.036,75/bushel. O farelo de soja valorizou 1,48%, e o óleo de soja, 0,51%. No acumulado semanal, a soja ganhou 1,27%, refletindo a forte demanda interna dos processadores norte-americanos, que mantêm taxas de esmagamento em níveis recordes.
Volatilidade exige cautela: “todo lucro é lucro”
Para a TF Agroeconômica, o cenário da soja é de alta incerteza, exigindo estratégia por parte dos produtores. A consultoria recomenda realizar vendas sempre que houver margem positiva, mesmo que pequena. “Todo lucro é lucro e deve ser aproveitado”, orienta a TF.
A volatilidade, segundo a empresa, decorre de fatores climáticos e geopolíticos. Caso o clima brasileiro se mantenha favorável e EUA e China avancem em negociações, os preços podem cair para R$ 100/sc ou menos no próximo ano. Por outro lado, prejuízos na safra nacional ou atrasos na colheita norte-americana podem sustentar novas altas.
Entre os fatores de alta, destacam-se a lentidão na colheita americana, a produtividade abaixo do previsto pelo USDA e o bom desempenho do esmagamento nos EUA. Já os fatores de baixa incluem a demanda chinesa enfraquecida, o aumento das exportações argentinas e a ampla oferta esperada do Brasil.
Diante desse equilíbrio instável, o conselho da TF é direto: “Quando encontrar lucro, agarre-o firme — venda um pouco”.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões
O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.
Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.
A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.
A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.
A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.
Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.
A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.
Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.
A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.
Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.
A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.
O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.
A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.
O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.
As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.
No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.
Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.
Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.
O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.
Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.
Fonte: Pensar Agro
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