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Soja hoje: dólar em alta sustenta preços no Brasil, mas Chicago segue pressionada por avanço do plantio nos EUA

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O mercado brasileiro da soja voltou a registrar um ritmo lento de negociações nesta quarta-feira (27), refletindo a combinação entre a pressão negativa da Bolsa de Chicago e a cautela dos produtores diante das oscilações cambiais e do cenário internacional. Apesar da valorização do dólar frente ao real, o ambiente segue travado em diversas regiões produtoras do país.

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros operaram próximos da estabilidade após perdas mais intensas na sessão anterior. O contrato julho foi cotado ao redor de US$ 11,85 por bushel, com o mercado reagindo ao avanço acelerado do plantio norte-americano e à ausência de novidades relevantes sobre compras chinesas de soja dos Estados Unidos.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que o plantio da oleaginosa já alcança 79% da área prevista, acima dos 75% registrados no mesmo período do ano passado e superior à média histórica de 68%. Embora o percentual tenha vindo ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, o ritmo segue considerado confortável e limita movimentos de alta nas cotações internacionais.

Além do clima favorável no Meio-Oeste americano, o mercado também monitora a tensão geopolítica envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, que continua influenciando os preços do petróleo e, consequentemente, o complexo soja.

Dólar em alta ajuda sustentação no mercado físico

No Brasil, a valorização do dólar comercial — negociado acima de R$ 5,03 — trouxe algum suporte aos preços internos, especialmente nos portos e nas indústrias. Ainda assim, os negócios seguiram pontuais.

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Segundo analistas do mercado, muitos produtores permanecem afastados da ponta vendedora, aguardando melhores oportunidades de comercialização. O cenário também é marcado por custos logísticos elevados, gargalos de armazenagem e incertezas relacionadas à demanda internacional.

Entre as principais praças do país, os preços apresentaram poucas alterações:

  • Passo Fundo (RS): R$ 124,00 por saca
  • Santa Rosa (RS): R$ 125,00
  • Cascavel (PR): R$ 119,00
  • Rondonópolis (MT): R$ 109,00
  • Dourados (MS): R$ 113,50
  • Rio Verde (GO): R$ 112,00

Nos portos, Paranaguá (PR) recuou para R$ 130,00 por saca, enquanto Rio Grande (RS) permaneceu no mesmo patamar.

China decepciona mercado e amplia pressão sobre Chicago

O mercado internacional também reagiu negativamente à frustração em torno das compras chinesas de soja americana. Investidores esperavam volumes maiores após sinalizações anteriores da Casa Branca, mas a demanda ficou abaixo das expectativas, reduzindo o apetite comprador em Chicago.

Além disso, houve retração nas importações europeias de soja e farelo da safra 2025/26, fator que reforçou o movimento baixista nos contratos futuros.

Mesmo assim, os embarques semanais dos Estados Unidos vieram acima das projeções privadas, totalizando 571,6 mil toneladas, o que evitou perdas ainda mais fortes no pregão.

Sul do Brasil encerra colheita com forte diferença de produtividade

No Rio Grande do Sul, a colheita da soja está praticamente finalizada, alcançando 98% da área cultivada. A produtividade média estadual ficou em 2.871 quilos por hectare, porém com grande variação entre regiões.

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Áreas irrigadas registraram rendimentos superiores a 4 mil quilos por hectare, enquanto lavouras instaladas em solos mais arenosos tiveram produtividade abaixo de mil quilos por hectare.

Em Santa Catarina, a colheita foi concluída nas principais regiões produtoras, mas o alto custo do frete e a dependência de armazéns terceirizados continuam limitando o poder de comercialização dos produtores.

Já no Paraná, a produção estadual encerrou a safra em 21,7 milhões de toneladas. O setor acompanha com preocupação os custos logísticos, a redução do seguro rural e possíveis impactos ambientais sobre as exportações brasileiras.

Centro-Oeste enfrenta pressão de custos e armazenagem

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul confirmou safra recorde de 16,74 milhões de toneladas, impulsionada pela boa produtividade das lavouras. Porém, o estado enfrenta limitações estruturais importantes, especialmente na armazenagem de grãos.

A forte dependência da China também preocupa o mercado local. Atualmente, mais de 84% das exportações sul-mato-grossenses de soja têm o país asiático como destino principal.

Em Mato Grosso, o avanço dos custos de produção chama atenção. As estimativas para a safra 2026/27 apontam custo operacional acima de R$ 4,2 mil por hectare, exigindo produtividade mínima próxima de 69 sacas por hectare para equilíbrio financeiro da atividade.

O cenário reforça a cautela dos produtores diante de um mercado ainda pressionado por volatilidade cambial, incertezas geopolíticas e oscilações na demanda global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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