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Soja oscila com cautela em Chicago, sustentada pelo farelo e pressionada por incertezas globais

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Mercado da soja encerra semana com estabilidade em Chicago

O mercado da soja finaliza a semana com comportamento lateral na Bolsa de Chicago, refletindo um cenário de incertezas e menor intensidade especulativa. Após sucessivos movimentos influenciados por fatores externos, os investidores adotam uma postura mais cautelosa.

As tensões geopolíticas seguem no radar, mas com sinais divergentes, o que reduz a previsibilidade e leva os agentes a focarem nos fundamentos. Nesse contexto, o início da nova safra dos Estados Unidos passa a ser o principal ponto de atenção, especialmente em relação ao clima no Meio-Oeste, ao ritmo de plantio e à evolução da demanda.

Farelo de soja sobe mais de 1% e sustenta cotações

O farelo de soja continua exercendo influência positiva sobre os preços do grão. Nesta sexta-feira, os contratos futuros registraram valorização superior a 1%, superando o patamar de US$ 323 por tonelada curta nas posições mais negociadas.

O movimento é impulsionado pela menor disponibilidade do produto argentino, o que amplia a demanda pelo farelo norte-americano e fortalece as cotações na Bolsa de Chicago.

Óleo de soja recua e limita ganhos do grão

Em sentido oposto, o óleo de soja apresenta queda próxima de 1%, atuando como fator limitador para avanços mais consistentes do grão. O derivado passa por ajustes após uma semana marcada por forte volatilidade.

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Mesmo com a valorização do petróleo, os preços do óleo recuam, influenciados pelas incertezas relacionadas ao acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, considerado frágil e ainda sujeito a rupturas.

Contratos futuros registram leves altas na semana

Os contratos futuros da soja em Chicago apresentaram variações moderadas nos últimos pregões. O vencimento maio avançou 0,28%, enquanto o contrato julho registrou alta de 0,25%.

O desempenho reflete um equilíbrio entre fatores de suporte, como o farelo, e pressões negativas, como o óleo e o ambiente externo.

Relatório do USDA traz ajustes e mantém estoques

O relatório mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foi interpretado como neutro pelo mercado. Entre os principais pontos, destacam-se a redução das exportações norte-americanas e o aumento do esmagamento doméstico, com manutenção dos estoques finais.

Além disso, a diminuição das áreas afetadas por seca favorece o início do plantio da nova safra, contribuindo para um cenário mais estável.

Colheita da soja avança no Brasil com ritmos distintos

No Brasil, a colheita da soja segue avançando, com destaque para diferentes ritmos entre os estados produtores:

No Rio Grande do Sul, os trabalhos atingem 38%, favorecidos pelo clima seco e pela intensificação das operações, inclusive no período noturno. A produtividade média é de 2.871 kg por hectare, embora com variações regionais. Os preços apresentaram alta ao longo da semana, sustentados pela menor oferta e pela demanda industrial.

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Em Santa Catarina, o mercado permanece estável na maior parte das regiões, com leve recuo nos preços nos portos e pouca atualização de dados oficiais.

No Paraná, a colheita alcança 96%, com o foco dos produtores voltado ao milho safrinha e ao aumento dos custos relacionados ao manejo de plantas daninhas.

Em Mato Grosso do Sul, os trabalhos chegam a 98,2%, com revisão positiva na produtividade após as chuvas registradas em março. Apesar disso, a comercialização segue em ritmo lento.

Já o Mato Grosso confirma uma safra recorde, com avanço consistente da colheita e do plantio do milho safrinha, além de elevação nos preços na maior parte das regiões.

Mercado volta a focar nos fundamentos

Com a redução do impacto das especulações e a persistência das incertezas externas, o mercado da soja retoma o foco nos fundamentos. O equilíbrio entre oferta e demanda, o comportamento dos derivados e o desenvolvimento da safra norte-americana devem continuar direcionando os preços no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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