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Soja reage a tensões no Oriente Médio, petróleo em alta e expectativas de compras da China

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O mercado global da soja iniciou a semana sob forte volatilidade, influenciado por uma combinação de fatores que envolvem geopolítica, clima na América do Sul, dados atualizados de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e movimentações no mercado internacional de energia. Ao mesmo tempo, investidores acompanham expectativas de novas compras chinesas e o posicionamento de fundos no mercado de commodities.

No cenário macroeconômico, o ambiente externo também repercute no Brasil. O Banco Central segue monitorando os efeitos da inflação global e das oscilações cambiais. O dólar continua sensível às incertezas geopolíticas e aos movimentos do mercado internacional, fatores que impactam diretamente os custos logísticos e o comércio de commodities agrícolas.

Relatório do USDA traz ajustes na produção global de soja

O relatório mensal de oferta e demanda agrícola (WASDE) divulgado pelo USDA trouxe novos números que ajudam a direcionar as negociações no mercado internacional de soja.

Segundo o documento, a produção mundial da oleaginosa para a safra 2025/26 foi estimada em 427,18 milhões de toneladas, redução de 1 milhão de toneladas em relação à previsão anterior de 428,18 milhões de toneladas.

Para o Brasil, o USDA manteve a projeção de produção em 180 milhões de toneladas na safra 2025/26, enquanto a estimativa para 2024/25 permanece em 171,5 milhões de toneladas.

Já a produção da Argentina foi revisada para 48 milhões de toneladas, abaixo das 48,5 milhões indicadas no relatório anterior.

Nos Estados Unidos, a safra de soja foi projetada em 4,262 bilhões de bushels, o equivalente a cerca de 116 milhões de toneladas, com produtividade média estimada em 53 bushels por acre.

Os estoques finais norte-americanos foram mantidos em 350 milhões de bushels, aproximadamente 9,53 milhões de toneladas, número levemente acima das expectativas do mercado.

Expectativa de novas compras da China dá suporte aos preços

Outro fator que sustentou as cotações foi a expectativa de aumento das compras chinesas de soja norte-americana. Representantes da China e dos Estados Unidos devem se reunir nos próximos dias, o que elevou as apostas do mercado em novos negócios envolvendo a oleaginosa.

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Diante desse cenário, os contratos futuros registraram valorização moderada na Bolsa de Chicago (CBOT).

O contrato com entrega em maio de 2026 encerrou cotado a US$ 12,01 ¾ por bushel, enquanto o vencimento julho de 2026 fechou a US$ 12,15 por bushel, com ganhos próximos de 0,5%.

Nos subprodutos, o farelo de soja avançou para US$ 314,50 por tonelada, enquanto o óleo de soja apresentou leve retração no fechamento da sessão anterior.

Alta do petróleo impulsiona o complexo da soja

Na quarta-feira (11), os contratos futuros da soja voltaram a registrar ganhos mais expressivos em Chicago, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.

As cotações do petróleo Brent e WTI subiam mais de 3% durante a manhã, movimento que aumenta o interesse por óleos vegetais como matéria-prima energética. Com isso, o óleo de soja liderou os ganhos dentro do complexo da oleaginosa.

Por volta das 6h55 (horário de Brasília), os contratos da soja registravam alta entre 13,50 e 14,50 pontos, com o vencimento maio cotado a US$ 12,16 por bushel e o julho a US$ 12,29 por bushel.

O movimento também reflete a atuação mais compradora dos fundos de investimento, que ampliaram posições em commodities agrícolas diante do aumento da aversão ao risco global.

Escalada de tensões no Oriente Médio preocupa o mercado

A intensificação das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã voltou a colocar o cenário geopolítico no centro das atenções dos investidores.

Relatos de dificuldades logísticas e riscos operacionais no Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo e gás, aumentaram os prêmios de risco no mercado de energia.

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A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo elevou os preços da commodity e gerou reflexos em diversos mercados, incluindo o agrícola.

Para o agronegócio global, a alta do petróleo pode representar aumento nos custos de fretes, combustíveis e fertilizantes importados, além de provocar mudanças nas rotas comerciais e nos fluxos logísticos internacionais.

Clima no Brasil influencia colheita da soja e plantio do milho

As condições climáticas também seguem no radar do mercado, especialmente no Brasil, maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.

As previsões meteorológicas indicam chuvas acima da média nas regiões Norte e Nordeste, o que favorece a umidade do solo, mas exige atenção durante as operações de campo.

Por outro lado, o Sul do país deve registrar precipitações abaixo da média histórica, cenário que pode impactar o desenvolvimento das lavouras.

No Centro-Sul, as chuvas intensas e irregulares das últimas semanas têm provocado atrasos na colheita da soja, além de reduzir a janela ideal para o plantio do milho segunda safra, fator que aumenta a preocupação entre produtores.

Prêmios de exportação da soja brasileira sofrem pressão

Nos portos brasileiros, os prêmios de exportação da soja também têm sido pressionados.

O avanço da colheita e a chegada de grandes volumes da safra ao mercado aumentam a oferta disponível, ao mesmo tempo em que a valorização do dólar frente ao real e os riscos logísticos globais elevam os custos do comércio internacional.

Além disso, as tensões no Oriente Médio elevaram os custos de fretes marítimos e seguros internacionais, especialmente em rotas que passam pelo Estreito de Ormuz. Diante desse cenário, importadores passaram a reduzir os prêmios pagos pela soja brasileira nos portos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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