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Suinocultores do RS avançam para o abate e assumem frigorífico para garantir mercado e estabilidade

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A aquisição de um frigorífico em Frederico Westphalen marca uma mudança estratégica relevante para dois tradicionais grupos da suinocultura do Rio Grande do Sul. Após décadas atuando na base da cadeia produtiva, a Suinocultura Acadrolli e a Suinocultura Gobbi passam a operar também no abate de suínos, ampliando sua presença no setor.

As empresas se juntam ao grupo paranaense Agro Dalla Costa, que já atuava na unidade industrial. O movimento representa um novo capítulo na trajetória das duas companhias, que agora passam a atuar de forma mais integrada na cadeia da carne suína.

Decisão busca reduzir riscos e garantir previsibilidade no mercado

Com 78 anos de história, a Suinocultura Acadrolli, e 62 anos da Suinocultura Gobbi, consolidaram operações robustas na produção de suínos, incluindo matrizes, leitões, fabricação de ração e integração com produtores na fase de terminação.

Até então, ambas forneciam animais prontos para abate a frigoríficos terceiros. A entrada na etapa industrial surge como resposta a um cenário de maior pressão no mercado.

Segundo Mauro Gobbi, a decisão foi motivada pela necessidade de dar mais segurança ao negócio. “A situação vem apertando para o produtor de suínos terminados. O mercado muda rapidamente e precisamos garantir estabilidade tanto para a empresa quanto para nossos produtores”, afirmou em entrevista.

Frigorífico absorverá parte relevante da produção das empresas

A planta localizada em Frederico Westphalen possui capacidade de abate de 2.050 animais por dia, operando de segunda a sexta-feira.

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De acordo com Gobbi, a unidade passará a absorver cerca de metade da produção da Suinocultura Gobbi e um pouco menos da metade da Suinocultura Acadrolli. O volume reforça a importância da operação dentro da cadeia produtiva estadual e contribui para equilibrar a oferta de animais terminados.

Aquisição evita fechamento da planta e preserva empregos

A compra do frigorífico também ocorreu em um momento crítico para a unidade, que corria risco de encerrar as atividades. A operação contribui diretamente para a manutenção de aproximadamente 550 empregos diretos na região.

Além de garantir a continuidade da planta, o investimento atende à necessidade crescente dos produtores em assegurar canais de comercialização para os suínos terminados, diante das dificuldades de colocação no mercado.

Entrada no abate muda posicionamento das empresas na cadeia

Mais do que a aquisição de um ativo industrial, o movimento representa uma mudança estrutural no posicionamento das empresas dentro da cadeia da carne suína.

Antes concentradas na produção, nutrição e integração, Acadrolli e Gobbi passam agora a atuar também no processamento, etapa que até então estava fora do seu controle direto.

Com isso, ganham maior domínio sobre o fluxo de animais, a programação de abates e o destino comercial da produção, reduzindo a dependência de frigoríficos terceiros em um mercado de margens apertadas e alta volatilidade.

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Planta mantém perfil exportador e pode ampliar operações

A unidade de Frederico Westphalen já opera com foco no mercado externo, destinando cerca de 60% da produção para exportações. O restante é comercializado no mercado interno.

Os novos controladores avaliam, ainda, a possibilidade de ampliar o ritmo de operação, incluindo abates aos sábados. A medida depende de estudos técnicos e econômicos, mas sinaliza potencial de crescimento da planta.

Estratégia fortalece integração e dá segurança aos produtores

A entrada no abate também tem impacto direto sobre os produtores integrados às empresas. A estabilidade do sistema depende de previsibilidade e capacidade contínua de absorção dos animais terminados.

Ao assumir parte do processamento, Acadrolli e Gobbi passam a controlar melhor esse fluxo, reduzindo riscos para toda a cadeia produtiva — desde as granjas até a comercialização final.

Movimento reflete mudança estrutural na suinocultura gaúcha

A decisão de investir na indústria, após décadas de atuação na produção, evidencia uma transformação mais ampla no setor. Mesmo grupos consolidados estão sendo levados a rever suas estratégias diante das mudanças do mercado.

Em Frederico Westphalen, essa mudança se concretiza com a entrada de duas empresas tradicionais no elo industrial, deixando de atuar apenas como fornecedoras de suínos e passando a integrar diretamente o processamento da carne.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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