AGRONEGÓCIO
Tecnologia no campo permite ao produtor reduzir impactos do clima e aumentar a previsibilidade da produção agrícola
AGRONEGÓCIO
A agricultura brasileira vive um cenário de contrastes. Ao mesmo tempo em que registra recordes de produção e reforça sua importância econômica, o setor enfrenta desafios crescentes relacionados à irregularidade climática, custos elevados e à necessidade constante de ganho de produtividade.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o país atingiu uma safra histórica de 346,1 milhões de toneladas em 2025. No entanto, as projeções para 2026 indicam leve retração, influenciada principalmente por condições climáticas adversas e margens mais pressionadas no campo. O contexto reforça uma mudança estrutural no setor: o aumento da produção depende cada vez mais de eficiência, e não apenas de expansão de área.
Produção agrícola no Espírito Santo e Minas Gerais enfrenta desafios climáticos
Esse movimento já é perceptível em polos produtivos estratégicos do país. Na Região Serrana do Espírito Santo, culturas como hortifrúti e gengibre ganham relevância econômica, mas enfrentam desafios ligados à retenção de água no solo e à manutenção do vigor das plantas em períodos de estresse hídrico.
O gengibre, inclusive, se destaca como uma das culturas relevantes da agricultura capixaba, integrando uma cadeia produtiva em expansão no estado.
Já no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, a cafeicultura segue como principal atividade. A produção nacional de café deve alcançar cerca de 66,2 milhões de sacas em 2026, um crescimento de 17,1%, impulsionado por condições climáticas mais favoráveis e pela adoção de tecnologias no campo. Ainda assim, o desempenho da cultura permanece altamente dependente da regularidade das chuvas e de um manejo eficiente ao longo do ciclo produtivo.
Tecnologias agrícolas ampliam eficiência no uso da água e no desenvolvimento das plantas
Diante desse cenário, tecnologias voltadas à gestão hídrica e ao desenvolvimento fisiológico das plantas têm ganhado espaço no campo. Soluções como géis agrícolas e compostos naturais vêm sendo utilizadas para melhorar a disponibilidade de água no solo, reduzir perdas e aumentar o aproveitamento de insumos.
Na prática, produtos como o HyB Plus atuam na retenção e liberação gradual de água na zona radicular, favorecendo o desenvolvimento inicial das culturas e reduzindo os impactos de períodos de estiagem. Já soluções aplicadas à irrigação, como a linha HB 10, têm como foco aumentar a eficiência da água aplicada, reduzindo perdas por percolação e melhorando sua distribuição no solo.
Além disso, produtos naturais como Hapan e Valko atuam no estímulo fisiológico das plantas, contribuindo para maior equilíbrio e melhor resposta produtiva ao longo do ciclo.
Tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser estratégia de produção
Segundo o gerente comercial da Hydroplan-EB, Francisco Carvalho, empresa referência na aplicação de gel na agricultura e no uso de produtos de origem natural, como óleos essenciais e fertilizantes especiais, o avanço dessas tecnologias reflete uma mudança na forma como o produtor rural gerencia a lavoura.
“O produtor rural hoje precisa produzir mais com menos margem para erro. A tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser parte da estratégia. Quando falamos de água e desenvolvimento de planta, estamos falando diretamente de produtividade e previsibilidade de resultado”, afirma.
Agricultura mais técnica busca estabilidade e eficiência produtiva
No campo, essa transformação já é perceptível. O foco do produtor deixa de estar apenas no volume produzido e passa a incluir fatores como estabilidade de resultados, qualidade da produção e melhor uso dos recursos disponíveis.
Em um ambiente cada vez mais técnico e exigente, a capacidade de adaptar o manejo às condições climáticas e do solo pode ser determinante não apenas para o aumento da produtividade, mas também para a viabilidade econômica da atividade.
A tendência indica que essa mudança não é pontual, mas estrutural, consolidando um novo modelo de gestão agrícola baseado em eficiência e previsibilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Canola de segunda safra no Brasil pode reduzir emissões da aviação em até 55%, aponta estudo sobre SAF
SAF de canola pode reduzir emissões da aviação em até 55%
Uma avaliação do ciclo de vida do combustível sustentável de aviação (SAF) produzido a partir da canola de segunda safra no Brasil indica potencial de redução de até 55% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), em comparação ao querosene fóssil Jet-A1.
O estudo considera todas as etapas da cadeia produtiva — do cultivo da canola até a queima do combustível na aeronave — por meio da metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), amplamente utilizada para mensurar impactos ambientais completos.
A pesquisa é resultado de uma colaboração entre o Laboratório de Energia e Ambiente (LEA) da Universidade de Brasília, a Embrapa Agroenergia e a Embrapa Meio Ambiente.
Redução de emissões depende de cenário e tecnologia adotada
Segundo a pesquisadora Priscila Sabaini, da Embrapa Meio Ambiente, o potencial de redução de 55% representa um cenário otimista e ainda hipotético, baseado em condições ideais de adoção.
Na prática, o percentual pode variar devido a limitações técnicas e regulatórias, especialmente na substituição total do combustível fóssil.
Atualmente, o SAF do tipo HEFA (produzido a partir de óleos e gorduras) permite mistura de até cerca de 50% com querosene convencional, o que impede substituição integral no curto prazo.
Produção de SAF ainda depende de evolução regulatória e tecnológica
Os pesquisadores destacam que os percentuais de redução devem ser entendidos como potencial de mitigação, e não como resultado imediato.
O avanço do setor depende de fatores como:
- Desenvolvimento tecnológico
- Expansão da produção de SAF
- Adequações regulatórias
- Adoção em larga escala no setor aéreo
O estudo também contribui para debates internacionais sobre descarbonização da aviação e políticas climáticas.
Cenários analisados incluem produção e uso do combustível
A pesquisa utilizou dados reais de produtores brasileiros, considerando condições tropicais de cultivo em sistema de segunda safra.
Foram avaliados três cenários principais:
- Combustível fóssil Jet-A1
- Mistura com 50% SAF e 50% Jet-A1
- Uso de 100% SAF
A rota tecnológica analisada foi a HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), que converte óleos vegetais em combustível de aviação por hidrotratamento.
O estudo também dialoga com iniciativas como o Corsia, da Organização da Aviação Civil Internacional, além de políticas brasileiras como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.
Agricultura responde pela maior parte das emissões do SAF
Os resultados mostram que a etapa agrícola é a principal fonte de emissões no ciclo de vida do SAF de canola.
- Cultivo: cerca de 34,2 g CO₂ eq./MJ
- Conversão industrial HEFA: cerca de 12,8 g CO₂ eq./MJ (com hidrogênio fóssil)
O principal fator de impacto está no uso de fertilizantes nitrogenados, que também gera emissões de óxido nitroso (N₂O).
Segundo o pesquisador Alexandre Cardoso, da Embrapa Agroenergia, esse é o ponto mais crítico do sistema, com impactos adicionais sobre água e ecossistemas.
Hidrogênio renovável pode reduzir emissões em até 94%
Um dos principais achados do estudo é o papel do hidrogênio na produção do SAF.
Quando o hidrogênio fóssil é substituído por hidrogênio verde, produzido a partir de fontes como energia solar e eólica, as emissões da etapa industrial podem cair entre 86% e 94%.
Esse fator reforça a importância da integração entre bioenergia e energia renovável para ampliar a eficiência climática do combustível.
Canola de segunda safra melhora sustentabilidade no Brasil
No Brasil, a canola é cultivada majoritariamente como segunda safra, em rotação com a soja, o que melhora o aproveitamento de áreas agrícolas já existentes.
Segundo o pesquisador Bruno Laviola, da Embrapa Agroenergia, essa característica reduz a competição por terra e melhora o desempenho ambiental do cultivo em comparação a regiões onde a cultura é plantada como safra principal.
O estudo, no entanto, não considerou emissões de mudança indireta no uso da terra (iLUC), apontadas como tema para pesquisas futuras.
Implicações para políticas públicas e certificação ambiental
Os resultados reforçam a importância de instrumentos regulatórios para expansão sustentável do SAF no Brasil.
Atualmente, a canola ainda não está incluída na rota HEFA do RenovaCalc, ferramenta usada para certificação de intensidade de carbono e geração de Créditos de Descarbonização (CBIOs) dentro do RenovaBio.
A inclusão da cultura pode ampliar o portfólio de matérias-primas certificáveis e melhorar a representatividade da agricultura nacional no sistema.
Sustentabilidade vai além da redução de carbono
O estudo destaca que a avaliação ambiental do SAF deve considerar não apenas emissões de carbono, mas também impactos sobre solo, água e ecossistemas.
Pesquisadores apontam que a sustentabilidade do combustível depende da combinação entre:
- Melhores práticas agrícolas
- Uso eficiente de fertilizantes
- Integração com energia renovável
- Avanços industriais
Para os autores, o Brasil reúne condições favoráveis para integrar produção agrícola e energia limpa, ampliando o potencial climático do SAF e fortalecendo sua posição na transição energética global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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