AGRONEGÓCIO
Tensões Comerciais Entre EUA e Europa Afetam Bolsas Globais; Ibovespa Oscila em Dia de Cautela nos Mercados
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Bolsas Globais Operam em Queda com Aumento das Tensões Comerciais
As principais bolsas de valores do mundo registraram forte volatilidade nesta terça-feira (20), refletindo o aumento da aversão ao risco entre investidores após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano voltou a ameaçar a imposição de tarifas contra oito países europeus, caso não avancem nas negociações diplomáticas com Washington — incluindo a controversa proposta de compra da Groenlândia, rejeitada por Dinamarca e autoridades locais.
Em meio ao aumento das incertezas, investidores migraram para ativos considerados mais seguros, como o ouro, que subiu cerca de 3%, alcançando US$ 4.734,55 por onça-troy.
Os futuros das bolsas americanas iniciaram o dia em queda, com o Dow Jones recuando 1,5%, o S&P 500 perdendo 1,6% e o Nasdaq recuando 2%. O movimento segue o tom negativo observado na Europa e na Ásia, que também repercutiram o aumento das tensões comerciais e políticas globais.
Europa Segue Wall Street e Registra Fortes Quedas
As bolsas europeias operaram em terreno negativo durante todo o pregão. O índice STOXX 600 cedia 1,4%, acumulando perdas superiores a 2,5% em dois dias.
Nos principais mercados do continente:
- CAC 40 (França): queda de 1,2%, aos 8.014 pontos;
- DAX (Alemanha): recuo de 1,5%, aos 24.581 pontos;
- FTSE 100 (Reino Unido): retração de 1,3%, aos 10.068 pontos.
Segundo analistas, os investidores estão mais cautelosos diante das incertezas políticas e da possível retomada de um ambiente de guerra comercial semelhante ao de 2019.
Regulação na China Pressiona Bolsas Asiáticas
Na Ásia, o clima também foi de cautela. Os mercados chineses encerraram o dia no vermelho após novas medidas das autoridades reguladoras contra práticas consideradas abusivas.
O índice SSEC (Xangai) caiu 0,01%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,33%. Em Hong Kong, o Hang Seng fechou com queda de 0,29%, refletindo a fraqueza dos mercados regionais.
Outros índices na região seguiram o mesmo tom:
- Nikkei (Japão): -1,1%, a 52.988 pontos;
- Kospi (Coreia do Sul): -0,39%, a 4.885 pontos;
- Taiex (Taiwan): +0,38%, a 31.759 pontos;
- Straits Times (Cingapura): -0,23%, a 4.823 pontos;
- S&P/ASX 200 (Sydney): -0,66%, a 8.815 pontos.
As medidas impostas pelos reguladores chineses — que incluem multas milionárias e restrições de negociação — visam conter práticas especulativas e desacelerar o ritmo de alta das ações após o mercado atingir o maior volume de negócios da década.
Ibovespa Oscila em Meio à Cautela Global
No Brasil, o Ibovespa operou próximo à estabilidade, refletindo o clima de cautela dos mercados internacionais. O principal índice da B3 girava em torno de 164 mil pontos, com leve viés negativo, acompanhando o movimento global de redução de risco.
A falta de dados econômicos domésticos relevantes e o menor volume de negócios devido ao feriado nos EUA contribuíram para a baixa liquidez. Analistas destacam que, apesar do cenário externo desfavorável, o mercado brasileiro tem mostrado resiliência diante das pressões internacionais.
Ouro e Ativos Defensivos Ganham Espaço
A busca por proteção impulsionou o ouro e os títulos públicos dos EUA. Com a crescente incerteza em torno das tarifas americanas e das disputas geopolíticas, investidores têm se afastado de ativos de risco, provocando uma correção generalizada nos mercados de ações.
Segundo analistas, a tendência de curto prazo é de maior volatilidade, com os investidores monitorando de perto as próximas declarações da Casa Branca e eventuais reações da União Europeia.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Chuva falha no Centro-Oeste e sobra no Sul na largada da safra
Outubro começa com risco de replantio da soja no Centro-Oeste e de paralisação das máquinas no Sul. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuva abaixo da média em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul pode receber até 200 milímetros acima do normal em algumas áreas.
O contraste ocorre no início do plantio da safra 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 366,6 milhões de toneladas de grãos. A soja deverá ocupar 49,3 milhões de hectares, mas a semeadura ainda ocorre de forma pontual nas áreas de sequeiro de Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e no Paraná, as condições permitiram o início dos trabalhos.
O maior risco no Centro-Oeste não é apenas o atraso do plantio. O Inmet alerta que chuvas isoladas, seguidas por períodos secos, podem provocar germinação irregular, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio. Em Goiás e no Distrito Federal, as temperaturas podem superar em mais de 2°C a média histórica de outubro, acelerando a perda de água do solo.
A decisão de esperar pela regularização das chuvas também afeta o milho segunda safra. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, menor será a janela para implantar o cereal dentro do período de menor risco climático.
No Matopiba, formado por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão também é desfavorável. As precipitações de setembro aliviaram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recompor a umidade do solo na maioria das áreas de sequeiro. O plantio de soja e milho deverá depender de chuvas mais regulares.
Em Mato Grosso do Sul, a condição tende a ser melhor, principalmente no sudoeste e no leste do Estado. Mesmo assim, o centro-norte e o Pantanal podem receber chuva abaixo da média, o que exige atenção antes da entrada das semeadoras.
No Sul, o excesso de umidade cria o problema inverso. A chuva pode reduzir as janelas para o preparo do solo e o plantio de soja, milho e arroz. No Rio Grande do Sul, o acumulado de outubro pode ficar aproximadamente 75 milímetros acima da média e alcançar excesso de até 200 milímetros no oeste do Estado.
O trigo é a cultura mais exposta neste momento. Parte das lavouras está em fases críticas de desenvolvimento ou de colheita. A combinação de chuva frequente e calor favorece doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares, além de aumentar o risco de perda de qualidade e germinação do grão ainda na espiga.
Em São Paulo, a chuva tende a favorecer o plantio da soja e o desenvolvimento da cana-de-açúcar, das pastagens e das hortaliças. Minas Gerais e Espírito Santo, porém, devem enfrentar precipitações irregulares e temperaturas elevadas. Para o café, a condição pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos.
A previsão é influenciada pelo El Niño, que tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O fenômeno ajuda a explicar a tendência de seca no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul, mas não determina sozinho o volume que cairá em cada propriedade.
Para o produtor, a recomendação prática é não definir a semeadura apenas pela ocorrência de uma chuva. No Centro-Oeste, será necessário conferir se existe umidade suficiente no perfil do solo para sustentar a emergência das plantas. No Sul, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo seco sem entrar com máquinas em áreas encharcadas.
Fonte: Pensar Agro
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