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Trigo reage no Brasil com apoio do dólar e cenário externo, enquanto Chicago abre em queda

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O mercado de trigo apresenta movimentos distintos entre o cenário interno e o internacional. No Brasil, os preços mostram reação impulsionada pela valorização externa e pela alta do dólar frente ao real. Já no mercado internacional, a Bolsa de Chicago iniciou o dia em queda, refletindo ajustes técnicos após recentes valorizações.

Preços do trigo sobem no Brasil com apoio do dólar e mercado externo

As cotações do trigo no mercado brasileiro registraram alta na última semana, sustentadas pela valorização internacional e pelo avanço do dólar. Esse cenário fortaleceu a posição dos vendedores, que passaram a pedir preços mais elevados no mercado spot.

Do lado da demanda, compradores voltaram ao mercado para recompor estoques, contribuindo para a recuperação das cotações nas principais regiões acompanhadas pelo Cepea.

No cenário externo, os contratos futuros seguem firmes, com destaque para as preocupações climáticas nos Estados Unidos. Dados recentes indicam que cerca de 55% das lavouras de trigo de inverno enfrentam algum nível de seca, número significativamente superior aos 27% observados no mesmo período do ano passado.

Além disso, tensões geopolíticas no Oriente Médio continuam no radar, com potencial de elevar os custos de insumos, especialmente fertilizantes, o que tende a sustentar os preços globais.

Custos logísticos e frete pressionam o mercado no Sul do Brasil

Na região Sul, o mercado de trigo segue com ritmo moderado, marcado por negociações pontuais e crescente preocupação com os custos logísticos, principalmente o frete.

No Rio Grande do Sul, as negociações ocorrem majoritariamente na modalidade FOB, com valores próximos de R$ 1.200 por tonelada. O custo do transporte tem impactado diretamente as operações, refletindo nas dificuldades de entrega. Para contratos futuros com entrega em dezembro, os preços permanecem próximos desse patamar no porto de Rio Grande.

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A comercialização da safra gaúcha já atinge cerca de 85%, restando pouco mais de 500 mil toneladas disponíveis até o fim do ano. A expectativa é de que exportações e operações de cabotagem alcancem aproximadamente 2 milhões de toneladas. No interior, o preço ao produtor chegou a R$ 55,00 por saca em regiões como Panambi.

Em Santa Catarina, o mercado começa a dar sinais de reação, embora ainda com baixo volume de negócios. O trigo pão diferido é negociado em torno de R$ 1.250 por tonelada, enquanto o trigo branco segue com demanda limitada. Há maior procura por produto do Rio Grande do Sul e do Paraguai, especialmente no Oeste do estado. No mercado de balcão, houve elevação em algumas praças, como Joaçaba, onde os preços chegaram a R$ 63,00 por saca.

No Paraná, o frete também pressiona o mercado, afetando tanto o trigo quanto as farinhas. Os preços FOB seguem firmes entre R$ 1.320 e R$ 1.350 por tonelada, com pedidos pontuais de até R$ 1.400 ainda sem confirmação. O trigo branqueador foi negociado nesse nível entregue nos moinhos. No mercado externo, o trigo paraguaio é ofertado a US$ 253 no norte do estado, enquanto o argentino chega a US$ 270 nacionalizado em Paranaguá, com poucos negócios recentes.

Bolsa de Chicago abre em queda com ajustes técnicos

O mercado internacional iniciou esta terça-feira (17) em queda na Bolsa de Chicago, com recuo uniforme nos principais contratos.

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O contrato maio/26 foi cotado a 593,6 cents por bushel, enquanto julho/26 operou a 604,2 cents e setembro/26 a 617,2 cents, todos com desvalorização próxima de 3 pontos.

A movimentação negativa reflete um processo de realização de lucros e ajustes técnicos após as recentes altas. Esse comportamento é comum em momentos de reposicionamento dos investidores diante de novas expectativas de oferta e demanda.

Além disso, a ausência de novos fatores altistas no curto prazo contribui para a pressão sobre os preços neste início de sessão.

Produção menor no Brasil reforça dependência de importações

No cenário doméstico, a oferta segue como ponto de atenção. Projeções indicam que o Brasil pode registrar a menor safra de trigo dos últimos cinco anos.

Esse contexto mantém elevada a dependência de importações e reforça a influência do mercado internacional na formação dos preços internos, tornando o acompanhamento das cotações externas ainda mais relevante.

Volatilidade exige atenção do produtor na comercialização

Diante de um ambiente de volatilidade, com oscilações tanto no mercado interno quanto no externo, o produtor brasileiro precisa acompanhar de perto os movimentos do mercado.

Fatores como câmbio, clima nos principais países produtores, custos logísticos e dinâmica de oferta e demanda seguem determinantes para a formação dos preços, influenciando diretamente as estratégias de comercialização e as oportunidades no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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