AGRONEGÓCIO
Vazio sanitário já esta em vigor e impõe controle rigoroso contra ferrugem asiática
AGRONEGÓCIO
O vazio sanitário da soja, período em que a presença de plantas vivas da oleaginosa é proibida em todo o território nacional, já esta em vigor. A medida é o principal instrumento de controle da ferrugem asiática, fungo de alta letalidade que, se não combatido, pode dizimar lavouras inteiras. Com o início do protocolo em diversos estados, o setor agropecuário mobiliza-se para eliminar plantas voluntárias, as chamadas “tigueras”, que servem como ponte verde para a sobrevivência do patógeno entre as safras.
O cronograma nacional respeita as peculiaridades climáticas de cada região, garantindo que o ciclo do fungo seja interrompido de forma coordenada.
No ciclo 2025/26, o Brasil consolidou números expressivos, com a área plantada nacional atingindo aproximadamente 48 milhões de hectares. Esse volume de produção exige um manejo fitossanitário cada vez mais rigoroso. Especialistas ressaltam que, sem a interrupção do cultivo, a pressão de inóculo do fungo na safra seguinte torna-se exponencialmente maior, elevando o custo de produção devido ao aumento necessário no número de aplicações de fungicidas, que podem chegar a seis ou sete vezes em uma única temporada.
A recomendação técnica é clara: qualquer planta de soja emergente deve ser eliminada em até 30 dias após a germinação ou antes de atingir o estádio V4. O descumprimento das normas acarreta penalidades administrativas, mas o maior prejuízo é o risco à produtividade da safra 2026/27, que no Oeste baiano tem o plantio autorizado apenas a partir de 8 de outubro.
A conformidade com o vazio sanitário não é apenas uma obrigação legal, mas um seguro contra a quebra de produtividade. Com o mercado internacional atento à qualidade do grão brasileiro, o controle rigoroso de doenças é um ativo competitivo que mantém o país como o maior fornecedor global de soja. O desafio para os próximos meses é garantir que o monitoramento seja feito em 100% da área, impedindo que “pontes verdes” comprometam o potencial produtivo da maior safra do planeta.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Brasil reduz desmatamento em quase 21% em 2025, mas especialistas alertam para leitura técnica dos dados
O Brasil registrou uma redução de quase 21% no desmatamento em 2025, segundo o Relatório Anual do Desmatamento divulgado pela rede colaborativa MapBiomas. O resultado representa o melhor desempenho dos últimos seis anos e reforça o papel do país no debate internacional sobre produção sustentável e segurança climática.
A análise técnica dos dados, no entanto, indica que o cenário exige cautela, especialmente diante da manutenção de elevados volumes de vegetação suprimida e do aumento das exigências globais por rastreabilidade nas cadeias produtivas do agronegócio.
Queda no desmatamento ocorre em todos os biomas
De acordo com o levantamento, a redução do desmatamento foi observada em todos os biomas brasileiros.
Em relação a 2024, os principais destaques foram:
- Cerrado: queda de 17%
- Amazônia: redução de 23,5%
- Pantanal: retração de 48,4% (maior redução proporcional entre os biomas)
O resultado reforça a tendência de desaceleração do desmatamento ilegal em diferentes regiões do país, ainda que com variações significativas entre os biomas.
Avanço ambiental fortalece posição do Brasil, mas exige cautela
Para o zootecnista, CPO (Chief Product Officer) e cofundador da Agrotools, Breno Félix, o resultado é positivo e demonstra avanço em relação ao compromisso assumido pelo Brasil no Acordo de Paris, que prevê zerar o desmatamento ilegal até 2030.
No entanto, ele ressalta que a leitura dos dados deve ser feita com atenção ao contexto global.
Segundo a análise, embora haja redução, o volume absoluto de áreas desmatadas ainda é elevado, e a pressão de mercados internacionais por cadeias produtivas rastreáveis tende a crescer nos próximos anos.
Rastreabilidade se torna fator de competitividade no agronegócio
O especialista destaca que o mercado global já opera sob novas métricas de avaliação de risco socioambiental.
Hoje, além de produtividade e preço, compradores internacionais, instituições financeiras e tradings incorporam critérios como:
- origem da produção
- conformidade ambiental
- rastreabilidade territorial
- risco socioambiental da cadeia
Na prática, esses fatores passaram a influenciar diretamente a competitividade das commodities brasileiras no comércio global.
Tecnologia e monitoramento impulsionam queda do desmatamento
A redução registrada em 2025 também é atribuída ao avanço de sistemas de monitoramento ambiental e ao aumento das exigências de conformidade.
O uso de tecnologia permitiu maior transparência sobre áreas antes pouco monitoradas, ampliando a capacidade de fiscalização e controle de irregularidades ambientais.
Com isso, o desafio do setor deixou de ser apenas monitorar o desmatamento e passou a ser integrar dados territoriais, ambientais, fundiários e regulatórios em sistemas de inteligência capazes de operar em tempo real.
Inteligência territorial e dados geoespaciais ganham protagonismo
Nesse contexto, soluções de inteligência territorial tornam-se essenciais para garantir conformidade ambiental em larga escala.
A Agrotools atua com uso de imagens de satélite, sensoriamento remoto e análise de dados geoespaciais para monitoramento contínuo de propriedades rurais.
A plataforma cruza informações ambientais, geográficas e regulatórias para:
- identificar supressão de vegetação
- gerar alertas automáticos de risco
- rastrear origem da produção agropecuária
- apoiar análise socioambiental de fornecedores
Essas ferramentas são utilizadas por bancos, frigoríficos, tradings e agroindústrias para avaliar carteiras de crédito e cadeias de fornecimento.
Conformidade ambiental se consolida como ativo estratégico do agro
O avanço das tecnologias de monitoramento fortalece políticas de desmatamento zero, amplia a transparência das cadeias produtivas e reduz riscos jurídicos e reputacionais para o setor.
No cenário atual, rastreabilidade e conformidade ambiental deixam de ser apenas exigências regulatórias e passam a ser fatores econômicos determinantes para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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