Cidade
Acre, 59 anos de muito orgulho, que alicerçam um futuro ainda mais promissor
Território rico, população invencível e soberania, esses são os elementos que compõem o Acre, Estado que completa 59 anos de história digna de produção cinematográfica.
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A história do Acre precede sua elevação à Estado Brasileiro, foram a borracha produzida na região amazônica e os conflitos em seu entorno que fizeram o governo brasileiro criar o Território Federal do Acre em 1904. Em 1962, o então presidente da República, João Goulart, elevou o então território à categoria de Estado. E assim o Acre se tornou uma das 27 unidades federativas do Brasil. Passou a ter soberania, governantes e representatividade na vida brasileira.
A produção de borracha perdeu força a partir de 1913, mas o Acre ainda segue nos dias atuais um dos estados brasileiros que mais produzem e exportam borracha. A castanha, a pecuária e a agricultura são os outros pilares da economia do estado.
Conhecido também por Extremo do Brasil, Estado das Seringueiras e Extremo Oeste, o Acre tem no seu povo pessoas apaixonadas, pelo histórico de luta em defesa de sua terra, sua língua e sua brasilidade. Povo acolhedor, que preza sua origem, suas características, raízes indígenas e tradições da floresta.
Hoje, dia 15 de junho, o Acre completa 59 anos.
Estado em pleno desenvolvimento, o Acre encanta também por suas belezas, com destaque, entre outros, para o Palácio Rio Branco de onde, sede do governo estadual, hoje ocupado pelo jovem político Gladson Cameli, eleito em primeiro turno nas disruptivas eleições de 2018. Outro ponto admirável é o Novo Mercado Velho, com vista para a Ponte do Saber. Consta ainda na lista de destinos obrigatórios aos visitantes o parque ambiental Chico Mendes, com suas belezas naturais. E o que falar, então, do encantador Calçadão da Gameleira, com suas casinhas coloridas?
São 59 anos de muito orgulho, que alicerçam um futuro ainda mais promissor.
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Encontro reúne filhos separados dos pais pela hanseníase e reforça luta por reparação histórica no Acre
Abraços interrompidos por décadas, histórias marcadas pela saudade e lembranças de uma infância vivida longe dos pais. Esses foram alguns dos sentimentos compartilhados durante o encontro de filhos e filhas separados de suas famílias em decorrência da política de isolamento compulsório aplicada às pessoas acometidas pela hanseníase no Brasil. Realizado nesta quarta-feira, 3, em Rio Branco, o evento reuniu mais de 100 pessoas que carregam as marcas de uma das mais dolorosas violações de direitos da história da saúde pública brasileira.
A atividade contou com a participação do governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e integrantes do governo federal.
Parentes e familiares de pessoas acometidas pela hanseníase se reúnem para buscar direitos. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHO encontro teve como objetivo esclarecer dúvidas sobre direitos, orientar os participantes sobre os processos de reparação histórica e proporcionar um espaço de escuta para pessoas que viveram os impactos da separação familiar e do preconceito.
Durante o evento, a diretora de Direitos Humanos da SEASDH e presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania (CEDHC), Joelma Pontes, destacou que, durante décadas, pessoas diagnosticadas com hanseníase foram vítimas de graves violações de direitos.
Estado contou com representante para tirar dúvidas e o acompanhamento das famílias. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH“Hoje vivemos um momento de reencontro familiar, em que filhos de pais que tiveram hanseníase têm a oportunidade de se reencontrar após uma separação compulsória marcada pela exclusão e pelo afastamento forçado”, afirmou.
Segundo a gestora, o encontro também representa um espaço de escuta, acolhimento e fortalecimento da luta por direitos. “Estamos em articulação com órgãos nacionais para assegurar que essas pessoas tenham acesso aos seus direitos, incluindo possíveis reparações. A certificação servirá como comprovação das violações de direitos sofridas ao longo de suas vidas, fortalecendo a luta pelo reconhecimento e pela reparação dessas injustiças”, ressaltou.
O processo de reparação é coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), com a participação de diversos órgãos federais, entre eles o Ministério da Saúde (MS).
Representante nacional tirou dúvidas, esclareceu direitos e processos que estão sendo feitos para indenização dos familiares. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHPresente no encontro, o ex-coordenador nacional do Morhan e representante do Ministério da Saúde, Artur Custódio Souza, explicou que o governo federal busca ampliar a capacidade de análise dos processos.
“Pelo Ministério da Saúde, já existe uma autorização do ministro Alexandre Padilha para que seja criado um grupo-tarefa ou para que os seis servidores que atualmente integram a comissão possam atuar com dedicação exclusiva ao trabalho de análise dos processos”, explicou.
Atualmente, cerca de 120 processos são deferidos por mês. No entanto, a expectativa é ampliar esse número significativamente.
“Com a estrutura adequada e o reforço das equipes, a estimativa é que seja possível acelerar a análise para cerca de 600 processos mensais”, destacou Artur.
Estado irá certificar familiares e pessoas vítimas do isolamento. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHNo Acre, aproximadamente mil pessoas aguardam indenização por terem sido submetidas ao isolamento compulsório. Outras cerca de 500 aguardam reconhecimento por terem vivido isoladas em seringais ou em suas próprias residências. O benefício previsto em lei corresponde a um valor individual destinada às pessoas reconhecidas como vítimas dessas violações.
Certificação fortalece reconhecimento
O estado também desenvolve um processo de certificação das pessoas afetadas pela hanseníase e pela política de isolamento compulsório. A iniciativa é conduzida por uma comissão responsável por reunir documentos e comprovações das violações sofridas.
O documento é considerado fundamental para assegurar direitos e fortalecer os pedidos de reparação histórica apresentados junto ao governo federal.
Coordenador estadual do Morhan. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHDe acordo com o coordenador estadual do Morhan, Elson Dias, o reconhecimento dessas violações é resultado de uma luta que já dura mais de uma década.
“O governo federal já reconheceu que houve um erro ao separar pessoas acometidas pela hanseníase e encaminhá-las para os antigos locais de tratamento. Após a sanção da Lei nº 11.520, de 2007, que garantiu uma pensão especial às pessoas internadas nesses espaços, o Morhan iniciou uma nova mobilização em busca do reconhecimento dos filhos que ficaram para trás”, explicou.
No Acre, existiram dois locais destinados ao isolamento de pessoas acometidas pela doença: a Colônia Souza Araújo, em Rio Branco, e a Colônia Ernani Agrícola, em Cruzeiro do Sul.
Familiares contaram histórias sobre o isolamento que seus pais sofreram na época que foram diagnosticados com a doença. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHSegundo Elson, ao longo do processo também foram identificadas outras vítimas da política de isolamento.
“Muitas vezes, os leprosários estavam superlotados e os médicos determinavam que as pessoas permanecessem isoladas em casa ou nos seringais. Isso ocorreu até a década de 1980. Essas famílias também sofreram as consequências do afastamento e da exclusão social”, ressaltou.
Histórias marcadas pela separação
Entre os participantes do encontro estava Marilza Assis, voluntária do Morhan e filha de Raimundo Nonato de Assis, que foi separado da família após ser diagnosticado com hanseníase.
Sofrimento deixou marcas na história de Marilza que foi separada dos pais ainda quando bebê. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHMarilza tinha apenas seis meses de idade quando o pai foi retirado do seringal Aliança, na região de Sena Madureira, e encaminhado para tratamento na Colônia Souza Araújo, onde permaneceu por 34 anos.
“Falar da minha história é contar um pouco do sofrimento de cada filho que passou por isso. Não perguntaram o que aconteceria comigo, com a minha irmã ou com a minha mãe. Apenas levaram o meu pai embora”, relatou.
O reencontro entre pai e filha aconteceu apenas duas décadas depois. “Quando reencontrei meu pai, eu já tinha 20 anos. Foi então que ele pôde nos conhecer melhor e fazer nosso registro”, contou.
A mãe de Marilza também enfrentou o preconceito da época: “As pessoas não queriam dar trabalho para ela porque havia convivido com alguém que tinha a doença. Sem condições de nos criar, acabou me entregando para uma família e minha irmã para outra”, relembrou.
Mesmo após a morte do pai, em 2015, Marilza segue participando da luta pelo reconhecimento das famílias afetadas.
“Meus irmãos estão vivos, eu estou viva, e seguimos lutando para sermos reconhecidos. Esperamos que nossos direitos sejam garantidos”, afirmou.
Infância marcada pelo isolamento
Outra história compartilhada durante o encontro foi a de João Pereira do Nascimento. Diferentemente de muitos participantes, ele não foi separado por causa da doença dos pais. Foi ele quem adoeceu e acabou isolado da própria família.
“Eu fui separado para não transmitir a doença para os meus pais e para os meus irmãos”, relatou.
Diferente das outras pessoas, João foi diagnosticado com a doença ainda quando criança e teve que ser separado dos pais na comunidade ribeirinha em que vivia. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHJoão conta que os primeiros sinais surgiram ainda na infância, mas o diagnóstico só veio aos nove anos: “Foi aí que começou o meu sofrimento. Passei a morar dentro da mata, numa casinha a cerca de 500 metros da casa da minha mãe, sem poder me aproximar dela ou ter qualquer contato”, lembrou.
As marcas daquele período permanecem vivas na memória: “Eu tomava banho escondido, no escuro, para ninguém me ver. Depois voltava para aquela casinha isolada, longe da minha família”, recordou.
Dos nove aos 18 anos, viveu afastado do convívio social. Mais tarde, foi encaminhado para a Colônia Souza Araújo e, posteriormente, para o Hospital de Base, onde permaneceu em tratamento por cerca de dois anos.
Fonte: Governo AC
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